TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





domingo, 1 de março de 2026

TEU CORPO É IMÃ




O teu corpo é ímã que arrasta os meus ossos,
Fértil em devaneios, gestos e voracidades,
É a tua carne
Despida, muda, incandescente,
Onde os sentidos se perdem em névoa
E os apetites se saciam em delírio
Que eu caço.

Somos os dois labareda, pó e tormenta,
E impossíveis de matar esta sede,
Habitar-nos-emos no infinito
Atados pelo pescoço.

Tu abres as coxas e eu mergulho sem bússola,
A boca úmida a encontrar o teu centro escuro,
Onde o sabor é mel, é fogo, é revelação,
E eu bebo como fera que não viu água em séculos.

Minhas mãos afundam na tua carne a molhar,
Dedos que escavam, que marcam, que possuem,
Deixo sinais roxos no teu colo, no teu ventre,
Bandeiras de conquista em pele que ainda treme.

Empurro-te contra a parede, o frio a morder tuas costas,
E entro em ti com a força de quem já não sabe esperar,
O som é seco, o impacto é trovão,
Tuas unhas arrancam mapas das minhas omoplatas,
E nós dois, incendados, enterrados, transbordando,
Rugimos o nome um do outro como último grito.

O suor escorre pelos nossos vincos,
O lençol rasga-se sob os nossos calcanhares,
E quando finalmente caímos no colchão devastado,
Ainda estou em ti, pulsando, vencendo,
Tu ainda me apertas, ainda pedes,
E a madrugada assiste em silêncio
Ao nosso pacto de carne eterna,
Ligados pelo pescoço,
Pelos quadris,
Pelo fogo.



  Cléia Fialho



Um comentário:

  1. Otro bonito soneto que me parece forma de una serie que nos estas ofreciendo.

    Saludos.

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