TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quinta-feira, 15 de outubro de 2015

LÁBIOS INSANOS — [ VERSÃO — III ]




Um toque furtivo, 
outra entrega voluntária.  
Mãos ousadas, 
pensamento errante, 
anseio sem freio. 

Ser à deriva,
tragado pelo abismo do querer, 
pelo mar do pecado.  
Lábios insanos, 
pele nua, entrega total.  
Ponta mordida, 
transpiração em comum, 
murmúrio sem véu.

Fome louca, gelo que se desfaz.  
Vontade eterna, 
mirada que devora e ataca.  
Ardor que incendeia, 
beijo grudento, 
carne que submerge.  
No arfante vapor, 
de prazeres gozados.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

LÁBIOS DELIRANTES — [ VERSÃO — II ]



Um afago — sopro furtivo, 
um toque ardentemente consentido...  
Dedos ousados, 
pensamento errante, 
vontade indomável!  
Corpo desnorteado,
perdido no abismo do querer, 
na vastidão do prazer...  

Corpo náufrago, 
perdido no oceano da ânsia,
navegando em mares de vertigem.  
Lábios delirantes, 
boca febril, 
curvas expostas, 
almas entregues!  
Pele mordida, 
suor entrelaçado, 
murmúrios libertos
no eco da noite...  

Tempestade de desejo enlouquecido, 
gelo dissolvido que se torna rio
Fome insaciável, de infinito
olhar selvagem e faminto...  
devora como fera indomada.  

Labaredas dançam, 
chama abrasadora, 
carícias molhadas, 
 se tornam mares,
corpos submersos
mergulham em abismos de chama.
Nos gemidos quentes, 
nos trovões suados,
desejos ecoados...  
rugem como tempestades...  




  Cléia Fialho

terça-feira, 13 de outubro de 2015

LÁBIOS DE FOGO — [ VERSÃO — I ]



Um sopro arcano — centelha roubada do éter...
velado roubada do véu astral 
Mãos que se tornam ventos, 
runas vivas —
pensamentos dissolvidos em névoa ancestral.
          em círculos de fumaça.   
                 
Corpo errante, 
navegando por constelações ocultas, 
perdido no labirinto da eternidade.  
viajando por portais invisíveis,
templos secretos revelados, 

Lábios de fogo —
montanhas sagradas reveladas, 
espíritos que se entregam ao invisível.  
Estrelas mordidas, 
chuvas de astros, 
segredos libertos no obscuro da noite.  
névoas sagradas, 
libertas no cântico das estrelas.  

Desejo tornado ritual, 
tornado invocação —
gelo transmutado em rio de alquimia.  
transmutado em água alquímica. 
Fome de cosmos, 
Fome de eternidade, 
olhar que devora como fera celeste.  
consome como fera ancestral.  

Labaredas se erguem em danças de oráculos, 
carícias se tornam rios de luz, de energia, 
corpos mergulham em abismos de chama divina.  
 abismos de luz oculta.  
Nos trovões da alma, 
desejos rugem como profecias...  
rugem como encantamentos...  




  Cléia Fialho

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O DESEJO SE EXPANDE



Teu toque acende em mim chama secreta 
no silêncio da pele, ardor se inflama 
e cada gesto teu, suave, reclama 
a entrega inteira que o corpo interpreta.

No abraço firme, a ternura completa
desenha em nós a dança que se trama 
e o desejo se expande, já proclama 
a força viva que em nós se projeta. 

Na penumbra, teus olhos me percorrem 
como rios que buscam mar aberto 
e em tua boca os segredos se incorrem. 

O instante é fogo, ardente e tão desperto 
que nos envolve, nos prende e nos comove 
num sopro eterno, intenso e sempre certo. 




  Cléia Fialho

domingo, 11 de outubro de 2015

TEUS DEDOS TRAÇAM ROTAS



O ar condensa ao peso do desejo,
Teus dedos traçam rotas na penumbra,
A chama que o silêncio nos vislumbra
Encontra em cada vulto o seu lampejo.

A pele em brasa busca o teu ensejo,
A pulsação do tempo nos deslumbra,
Enquanto a noite em nós se desmorona,
No vão do afeto onde me entrevejo.

O toque é verbo, a entrega é o movimento,
O corpo é verso livre e divagante,
No gozo que se faz puro aquecimento.

Revela-se a vontade, o instante,
Perdidos nesse fogo que é sustento,
Do amor que queima, mudo e delirante.




  Cléia Fialho

sábado, 10 de outubro de 2015

NO CETIM DO TEU LEITO



Teu corpo é mar em noite de verão, 
onde naufraga a fome do meu peito; 
desliza a mão no cetim do teu leito, 
e acende em brasa a minha escuridão. 

Provo o teu lábio em lenta perdição, 
teu seio em flor, teu ventre em doce jeito; 
és o pecado exato, o verso feito 
de carne, sal, suspiro e confissão. 

Percorro-te devagar, sem pressa alguma, 
colhendo em ti o mel que a pele exuma, 
enquanto a lua espia e se consome. 

Envolves-me nas coxas como espuma, 
e em meio ao fogo que nos dois resume, 
grito o silêncio bruto do meu nome. 




  Cléia Fialho

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

TEU OLHAR ME DESNUDA



Na penumbra em que o tempo se desfaz, 
teu olhar me desnuda sem tocar-me; 
basta um sopro teu para incendiar-me, 
basta um gesto e o desejo se refaz. 

Tua boca é o segredo que me traz 
o sabor proibido de entregar-me; 
teu quadril é maré que sabe amar-me 
em ondas que não cessam nunca mais. 

Mordes-me o pescoço em brasa lenta, 
e a pele, arrepiada, se apresenta 
qual mapa aberto à tua exploração. 

Somos dois corpos que a noite alimenta, 
dois versos que uma sílaba ausenta, 
unidos no compasso da paixão. 




  Cléia Fialho

domingo, 4 de outubro de 2015

SE MINHA BOCA SE APROXIMASSE DA TUA — [ VERSÃO — IV ]



Se em segredo, minha mão encontrasse a tua,  
teu corpo inteiro perceberia antes da mente.  
Haveria um calor lento se espalhando pela pele,  
um desejo manso, quase urgente,  
fazendo a respiração mudar de ritmo.  

Meu toque chegaria como convite,  
deslizando devagar, com intimidade,  
como quem conhece o caminho  
até os lugares onde o corpo guarda silêncio.  
E teu peito aprenderia a linguagem do meu gesto,  
cedendo à maciez desse instante.  

Se minha boca se aproximasse da tua,  
o ar ficaria mais quente, mais denso, mais vivo.  
Um beijo roubado acenderia o que estava adormecido,  
e tudo ao redor perderia importância.  
Restariam apenas a tensão, a entrega  
e esse desejo bonito que cresce sem pressa,  
tomando espaço entre nós.  

No contato, nasceriam tremores discretos,  
na espera, uma fome delicada,  
e no encontro dos corpos,  
a promessa de um êxtase contido  
que se prolonga justamente 
por não se revelar por inteiro.




  Cléia Fialho

sábado, 3 de outubro de 2015

SE MINHA BOCA ENCONTRASSE A TUA — [ VERSÃO — III ]



Algo em mim se abriria como manhã antiga 
se em segredo, minha mão encostasse na tua. 
Haveria ternura no gesto,  
e um silêncio inteiro aprenderia a falar.  

Teu pensamento descansaria no meu toque,  
como quem encontra abrigo sem procurar.  
Dentro das palavras, nasceria um jardim,  
e no peito, um abraço feito de permanência.  

Se num instante leve, 
minha boca encontrasse a tua,  
o ar mudaria de forma.  
Tudo ao redor se tornaria delicado e suspenso,  
como se a noite acendesse asas invisíveis.  

Nos olhos, um calor novo despertaria,  
lento, profundo, incontido.  
E entre nós cresceria uma presença intensa,  
dessas que transformam o instante  
em memória viva.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

SE MEUS LÁBIOS FURTASSEM UM BEIJO TEU — [ VERSÃO — II ]



Se silêncio e sem aviso, 
meus dedos roçassem os teus...  
Versos incendiariam o peito.  
Perceberias o ninho onde acalento teu devaneio.  
Brotariam construções feitas de vazios sonoros.  
Desabrochariam pétalas no âmago das letras.  
E no torso, um enlace que prende!  

Se leve e de repente, 
meus lábios furtassem um beijo teu...  
Soltar-se-iam asas pelo vento.  
Sentirias a brasa que esquenta meu íntimo.  
Floresceriam impulsos ardentes 
em miradas demoradas.  
E nos corpos, 
a fusão de um capricho que se entrega!




  Cléia Fialho

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

SE MEUS LÁBIOS ALCANÇASSEM OS TEUS — [ VERSÃO — I ]



Se em segredo, meus dedos encontrassem os teus,
um clarão despertaria dentro de nós.
Perceberias o carinho
que acolhe teus sonhos
com infinita ternura.

Versos brotariam
na quietude dos instantes.
Jardins floresceriam
entre cada expressão,
e o peito conheceria
o aconchego da entrega.

Se, de repente,
meus lábios alcançassem os teus,
o horizonte se encheria de asas.
Descobririas o calor
que ilumina meu íntimo
sem pedir licença.

As emoções transbordariam
em demoradas contemplações.
Cada aproximação revelaria
uma vontade antiga,
e nossos corações
se perderiam
na doçura de um querer sem fim.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O TEMPO É NOVELO



Um relógio derrete sobre a mesa de veludo
enquanto o peixe canta para as nuvens de papel
o tempo é um novelo que se perde no escuro
e a lua nasce verde no fundo do chapéu.

As janelas respiram um pó de estrelas vivas
o vento carrega cadeiras que desejam voar
nossas mãos colhem ecos em colheitas furtivas
e o silêncio aprende a forma exata de caminhar.

O mapa do sonho não possui fronteiras
quem olha o espelho vê o avesso do mar
deixamos chaves guardadas em antigas peneiras
pois o destino é apenas um modo de despertar.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

ECO DAS PALAVRAS QUE NÃO VOLTARAM



O sol se esconde na curva da tarde
e deixa um rastro de luz fria sobre a mesa
onde guardo apenas o silêncio que você deixou.

Olho para a cadeira vazia no canto da sala
buscando o eco das palavras que não voltaram
sentindo o peso da ausência que molda o espaço.

A memória insiste em redesenhar seu rosto
nos traços das sombras que a noite desenha
transformando a falta em uma companhia mansa.

Não busco alívio para esta estranha marca
apenas aceito que o tempo é um rio lento
que carrega a saudade como quem leva um barco.




  Cléia Fialho