Cravo garras no teu corpo dobrado,
faço meus os teus suspiros ofegantes,
transformo cada gemido teu em bandeira branca
hasteada sobre os lençóis do nosso motim.
Nos golpes ritmados de dois ventres em súplica,
que agonizam por rebentar em jorros,
avanço fundo, retorno molhada, retomo o compasso,
sinto-te tremer no compasso maldito da minha fome.
Fazes-me delirar. Fazes-me obscena. Fazes-me tua.
Escorro por ti como maré espessa,
num apoderar-se salgado, faminto, urgente,
consentido pelas nossas peles esfoladas,
condenado pelos manuais do decoro,
mas obscenamente, deliciosamente nosso.
Deslizo por ti em cio absoluto,
abro-te o rasgo por onde te habito,
enrosco-me em cada nervo do teu corpo
até me tornar febre por dentro dos teus ossos.
Absorve-me sem contenção nenhuma,
bebe-me até à última gota,
guarda-me na tua carne para sempre —
tatuagem viva, cicatriz que pulsa,
poema visceral gravado a dente e unha
na pele mais funda da tua alma.
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