TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





terça-feira, 14 de julho de 2015

SOMOS CARNE QUE SE DEVORA




O prazer é chama que nos consome,  
arde na pele, invade o íntimo,  
um canto secreto que se abre em vertigem.  

segunda-feira, 13 de julho de 2015

ALFABETO DO DESEJO



Quero tua boca faminta, 
cavando o abismo dos meus segredos mais proibidos,
degustando a intimidade que pulsa apenas para te receber.

Deixa que este fogo nos devore sem clemência,
numa cadência de atrito e suor, 
um ritmo lento que incendeia a pele,
e nos mergulha na selvageria pura da carne.

Cada estremecer que me arranca o fôlego é um verso gravado em espasmos,
uma métrica de prazer que se escreve na tua posse.

Cada onda líquida que sobe, 
que inunda, que transborda,
é a nossa linguagem absoluta, 
o idioma profano e urgente do gozo,
que dispensa o verbo e se faz sentir 
em cada milímetro do nosso delírio.




  Cléia Fialho

sábado, 11 de julho de 2015

TEU CORPO NA MINHA BOCA



O prazer é carne acesa,
é a nossa ode mais estreita aquela que cabe apenas
no vão entre o teu quadril e o meu grito.
Não se declama – geme-se,
não se escreve – escorre-se,
não se guarda – devora-se.

Para me sentires úmida,
me toques com a ponta dos dedos.
Morde-me, prende-me o olhar,
enrola a minha língua na tua até o ar faltar e o chão sumir.
Molha-te em mim como quem bebe de uma fruta que não seca,

Como quem afunda a cara na minha entreperna e lá fica,
até os teus lábios saberem escorrer ao teu tremor.
Entrega-te ao desejo como quem entrega a própria vida
 – ao ápice do gozo.
Quebra o ritmo, 
atropela a calma,
entra em mim com a fome de quem não come há dias
com o suor que te pinga do peito,
com os dedos que me abrem e me reconhecem às escuras.

E juntos, alcançaremos o êxtase – nós o faremos acontecer,
como quem provoca um incêndio.
Será o nosso corpo a arder
Será o teu corpo trêmulo – no meio do meu arfar.
Será a minha perna treme – contra a tua coxa molhada.

Será o instante em que o prazer nos deixa mudos,
mas os nossos quadris continuam – a falar a língua obscena
– a da carne que se oferece,
a do gemido que não pede licença,
 – a do leite que escorre
e não tem pressa de secar.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 10 de julho de 2015

MAPA DE DESEJOS CONTIDOS



Pele em brasa sob a lua mansa
Um sussurro teu que me acende a alma
O toque leve um arrepio que sobe
Olhares fundos onde se perdem os medos.

O corpo ancioso buscando um encontro
O ritmo lento da respiração a pulsar
Palavras não ditas que se fazem em carícia
A pele um mapa de desejos contidos.

O silêncio ecoa uma promessa guardada
No abraço a certeza de um sentir profundo
A noite se estende em volúpcias suaves.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 6 de julho de 2015

BRILHO TÃO SINGULAR



Mas que dor carrega o amor sincero,  
Quando a saudade, 
qual sombra, 
 — insiste,  

Na ausência da luz que antes iluminava,  
E as memórias se fazem tortuosas,  
Vão e voltam, 
 — entre as folhas caídas,  
Num ciclo eterno de um reverenciar.  

Desejos a flor da pele tão vivos,  
Como as ondas em busca da areia,  
Por mais que o tempo contraia e expanda,  
Nada apaga o brilho tão singular,  
Um eco profundo que eternamente,  
Fica a ressoar nas veias do amar.  

E assim, em cada dia que amanhece,  
Eu guardo os desejos a flor da pele,  
Pois em cada batedeira do peito,  
Renasce a essência de quem eu sou,  
E mesmo entre risos e as dores,  
Serei sempre luz a navegar.




  Cléia Fialho

sábado, 4 de julho de 2015

TUA PRESENÇA É PERFUME



No sussurro do vento,  
as memórias dançam,  
 — teus olhos, 
 — dois oceanos,  
onde a luz serve de guia.  

Tua presença é perfume  
flutuando entre as sombras,  
um toque na pele  
que fala em silêncio.  

Os gestos são versos,  
um poema falado,  
 — e a brisa, 
 — cúmplice,  
carrega um segredo.  

As palavras se entrelaçam,  
como dedos entrelaçados,  
corações que pulsam  
num ritmo compassado.  

E no crepúsculo,  
com a luz a se apagar,  
canto a essência do calor  
que se revela em cada olhar.




  Cléia Fialho