TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia




domingo, 27 de dezembro de 2015

A ANATOMIA DO AGORA



A luz do quarto
desenha o teu contorno.
decoro cada detalhe
na ponta dos meus dedos.
Teu suspiro mapeia meu peito.
viemos de longe
apenas para colidir aqui,
nestes lençóis que guardam
o calor dos nossos corpos.
DRM

Teus olhos me despem.
não tenho pressa.
o mundo lá fora se desfaz
quando o teu ritmo
encontra o meu.
O que era apenas desejo
agora não tem nome.
toca-me sem receio,
somos parte de nós.
CF

Não preciso de palavras.
teu corpo é linguagem
que aprendo
em cada pulsação,
em cada contração da pele.
Deixa o tempo correr.
aqui, o universo encolheu
na medida do nosso abraço.
DRM

Teu peso sobre mim
é o único que aceito.
Não há certo ou errado
quando nossas mãos se entrelaçam.
O silêncio ganha voz.
somos a intersecção
de dois mundos
que decidiram parar...
— fica —
o agora é a única verdade.




  Cléia Fialho & Don Ruan deMarco

sábado, 26 de dezembro de 2015

TUA PULSAÇÃO EM MEU VENTRE



Deslizo meu corpo ao teu, sentindo o ardor,
Em busca do relevo que me incendeia,
A chama da entrega logo me rodeia,
Num rito de luxúria e de vigor.

Cada movimento é traço de um pintor,
Que em telas de pele a cena delineia,
Tua pulsação em meu ventre se semeia,
Num ritmo de prazer, quase um favor.

Sinto o teu pulso, a fúria que me invade,
Neste encontro de peles e de espanto,
Onde o desejo perde a sua idade.

O tempo para, o ar vira quebranto,
Na entrega plena desta imensidade,
Onde a carne é prece, o gozo é canto.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O CALOR QUE EMANA DE SI MESMA




O toque dela é o prenúncio:
dedos que mapeiam o bronze das trancas,
buscando o calor que emana de si mesma,
uma febre que antecede o encontro.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

TEU CORPO OBEDECE AO MEU QUERER

 



O ritmo do meu peito dita a nossa cadência,
uma batida que ecoa em cada entrega.

Repouso sobre ti, 
desprovida de qualquer véu,
num balanço que imita o tempo,
ida e vinda, 
o pêndulo da nossa urgência.
Um movimento de calma, 
um compasso que desdobra o desejo.

Sorrio ao recordar o primeiro encontro,
o instante em que tudo começou a ganhar forma.
Minha boca traça mapas no teu rosto,
mordendo pedaços do que é só teu,
enquanto o ar escapa, 
revelando o pulsar acelerado
que agora não me pertence mais, 
pois é compartilhado.

Tua voz se eleva, 
mas teu corpo obedece ao meu querer;
suas mãos, 
presas na vontade que eu ditei.
Quando o ápice se aproxima, 
o encaixe se faz inteiro:
o toque da pele, 
a firmeza da entrega,
a sensibilidade que se traduz em calor.

Toco a mim mesma e te busco,
enquanto o meu nome em teus lábios é faísca.
Sinta o perfume, 
a corrente elétrica que me percorre,
a viscosidade que sela a união dos nossos corpos.

Já não há margem para contenção,
o pêndulo quebrou a inércia,
e agora, entregue,
 eu me perco em ti.




  Cléia Fialho

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

— A PELE NA PELE —



O olhar encontra o papel,
e o que era traço vira febre.
Meus dedos, impacientes,
desabotoam o silêncio da roupa
enquanto a mente, em transe,
toca o que a mão ainda não alcança.

Sinto o peso da ausência
entre o meu corpo e o vazio do sofá.
A embriaguez — 
não do álcool, mas do desejo —
me faz fantasiar o encontro:
— a pele na pele —
a curva do rosto onde perco o prumo,
o gosto de ti, que invento no ar.

O lápis escorrega,
o real se mistura ao delírio.
Limão e álcool pairam no ambiente,
trazendo-me de volta ao exercício:
só te possuo na ponta do grafite.

Contorno o papel,
esculpo tua boca em um suspiro,
busco tua forma na tela estática.
Tua pele, que imagino, não tem toque;
teu nome, que sussurro, não tem resposta.
Estou aqui, desenhando um abismo
que meu querer chama de você.




  Cléia Fialho