TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia




sexta-feira, 8 de abril de 2016

A VIDA SEGUE IGUAL


Eu jamais pensei
que te perder seria assim.
Mas tudo insiste
em te trazer pra mim.

Eu conto os dias
na vontade de te ver de novo.
Num reencontro frágil,
cheio de saudade, pouco a pouco.
Teu sorriso ainda fica
preso dentro de mim.

A vida segue igual.
Tudo continua normal.
Mas em mim só fica
um choro silencioso, fatal.

É como um vinho forte
que invade o pensamento.
Algo que ocupa tudo
em todo instante, em todo momento.

Eu era inteira em alegria.
Sem perceber, só amava,
Agora entendo tarde
o quanto fui descuidada.

Nada dói mais
do que viver sem teu calor.
Só sobrevivo esperando
o retorno desse amor.

Meu corpo sente frio.
Ainda te chama sem saber.
Sem rumo, sem destino,
sem saber o que fazer.

Se tu não tivesses ido.
Se ainda estivesse aqui.
Eu seria completa…
Mas... nunca compreendi.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 7 de abril de 2016

NOS PAMPAS DO DESEJO


Nos pampas largos do sul,
onde o vento assovia segredos
e o céu se deita inteiro no campo,
te vi, entre os cavalos e a bruma,
com o lenço rubro solto no peito
e o olhar mais quente que a tarde de verão.

Tinhas a alma de relâmpago,
as mãos talhadas pra domar
não só potros bravos —
mas também meus silêncios.

Chegaste sem pressa,
com passos de quem conhece a terra e o corpo,
e entre um mate e outro,
teus olhos me despiam devagar,
como quem sabe que desejo também se cultiva.

O cheiro do suor se misturava
ao cheiro de couro e de cio,
e a bombacha justa te moldava
feito a própria intenção do pecado.

Na calmaria do galpão,
onde o luar se intromete entre as ripas,
teu toque firme me achou inteira
como se decifrasse os mapas do meu pampa.

E quando o silêncio nos cobriu,
com cheiro de mato molhado,
fizemos amor com gosto de tradição
e gemidos que ecoaram
mais longe que o grito de um tropeiro.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 6 de abril de 2016

QUERO SEMPRE ESTAR



Nos teus olhos, vejo o céu se abrir,
Cada gesto teu, me faz sorrir.
Teu toque suave, como a brisa ao vento,
Me leva a lugares de doce encantamento.

Com ternura, teus braços me envolvem,
E no silêncio, nossos corações se resolvem.
O mundo ao redor parece se aquietar,
E em teus braços, quero sempre estar.

Cada beijo teu, é um doce abrigo,
Onde me encontro, e sinto o que é comigo.
Nos teus braços, encontro paz e alegria,
E em teu amor, vivo a minha poesia.




  Cléia Fialho

terça-feira, 5 de abril de 2016

ELA CARREGA NA PELE



No pampa aberto, ela é fogo solto,
pele que arde, desejo sem medo,
corpo que fala em línguas sem palavras,
e dança a noite inteira, sem regra, sem freio.

Mulher gaúcha, bicho livre, selvagem,
que leva no olhar a promessa da entrega,
na boca o convite que queima e molha,
nas mãos o toque que desata, enlouquece.

A tradição? Ela carrega na pele,
mas também carrega a sede do instante,
onde tudo é suor, gemido e abraço,
onde o tempo some e só fica o fogo.

Ela é punho forte, é sombra quente,
é flor aberta na madrugada,
é rosa que queima e ao mesmo tempo seduz,
é tudo isso junto — e muito mais.

No campo vasto, o vento leva seu cheiro,
sussurros, suspiros, loucura fina.
Ela é poema que não se prende,
é festa, é fogo, é pura liberdade.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O AMOR É O ABRIGO



Em teus braços, encontro o meu lugar,
Sinto teus toques a me despertar.
Teus movimentos, suaves a invadir,
Cuidam de mim, me fazem sorrir.

Meu corpo se entrega em doce pedido,
Nos teus olhos, o amor é o abrigo.
Teus gestos me envolvem em doce emoção,
Em cada suspiro, há pura devoção.

Com delicadeza, movemos em sintonia,
Nosso amor se tece com magia.
A cada beijo, sinto a chama acender,
Nos teus braços, só sei te entender.

É um abraço que aquece, que ampara,
Em teu carinho, me perco e me preparo.
Teu amor me guia, em plena entrega,
Em cada toque, o coração se entrega.

Nosso amor, fluindo como a brisa serena,
É um laço profundo, uma chama amena.
E assim, em silêncio, nos encontramos,
Na dança do amor, sempre nos amamos.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 31 de março de 2016

NO SUSSURO DO VENTO



Nas campinas vastas do pampa ardente,
ela surge, fogo vivo, pele quente.
Traços de história moldam seu corpo,
onde tradição e desejo são um só sopro.

Mulher gaúcha, força que incendeia,
alma selvagem, olhar que clareia.
Guardiã das raízes, porém tão faceira,
com lábios que convidam à entrega inteira.

No sussurro do vento, seu segredo dança,
entrelaça paixão, coragem e esperança.
A pele que conta histórias de bravura,
também revela o toque da mais doce loucura.

Que ressoe o canto das prendas ardentes,
fortalecendo desejos, encantos latentes.
No abraço do pampa, onde o amor é rosa,
ela é fogo, é flor — pura chama formosa.




  Cléia Fialho