TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia




terça-feira, 19 de abril de 2016

CALOR DO INSTANTE



Teus lábios se aproximam como bruma morna,
tocam os meus com a delicadeza de um presságio.
Sou silêncio que se curva ao calor do instante,
boca que se abre em promessa e desejo.

No teu hálito, floresce um segredo antigo,
e minha pele traduz o idioma do arrepio.
Cada gesto teu é rito, chama, viagem.
Em teus olhos, descubro o altar e o abismo.

Não preciso do nome daquilo que arde —
basta o corpo que se oferece sem censura,
o tempo que se dissolve entre suspiros,
e a magia que inventamos no toque mais leve.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O TEMPO SE RENDE



Teu olhar me invade, me faz querer,
No silêncio, desejo te entender.
Lábios que sussurram segredos ao vento,
Cada toque em meu corpo é um tormento.

Em teus braços, o mundo é todo meu,
O prazer, como o mar, flui sem freio.
A cada beijo, o desejo acende,
E em teu abraço, o tempo se rende.

E fico assim, suspensa no instante,
como quem perde o rumo e ainda avança,
um passo em falso que vira horizonte
e um coração que já não se cansa.

Teu nome ecoa em minhas entrelinhas,
feito maré que insiste em retornar,
e tudo em mim se desfaz em linhas
que só o teu toque sabe organizar.

Há um fogo calmo que me percorre,
sem pressa, sem medo, sem direção,
como se o mundo inteiro morresse
para nascer dentro da tua mão.

E se me perco, que seja em teu riso,
nesse abrigo que inventa o infinito,
onde o desejo deixa de ser preciso
e vira apenas o que sinto e repito.





  Cléia Fialho

domingo, 17 de abril de 2016

O ECO DA SAUDADE



Na calma da noite serena,
Sinto o eco da saudade.
De quem está longe, e me acena,
Fazendo-me sonhar de verdade.

Em meu peito, a saudade voa,
Com vontade de tê-lo à toa,
Num abraço quente, sem fim,
Que só existi entre nós, enfim.

E a noite, tão lenta e profunda,
vai costurando o silêncio em mim,
como quem borda lembranças na penumbra
sem saber bem onde começa o fim.

Te procuro no espaço entre os segundos,
nesse intervalo que o peito inventa,
onde os sonhos se fazem mais fundos
e a ausência, de ti, se alimenta.

Se o vento passa, me fala teu nome,
num sopro leve que insiste em ficar,
e a distância, ainda que me consome,
não sabe o jeito de te apagar.

Então sigo — verso aberto, incerto —
feito rio buscando o mar,
com o coração sempre desperto
na esperança de te encontrar.





  Cléia Fialho

sábado, 16 de abril de 2016

CORAÇÕES SELVAGENS



A cada toque, o desejo floresce,
Brilhando nas sombras da nossa paixão,
Corações selvagens, onde o amor aquece,
Dançamos no tempo, sem razão.

Em cada beijo, a chama se eleva,
Sussurros de amor, o corpo a estremecer,
Nos teus braços, o mundo se renova,
Mergulho em teu ser, onde nasce o prazer.

E a noite, cúmplice, se curva em silêncio,
como quem guarda segredos na palma do escuro,
o instante suspenso entre o antes e o depois
arde suave, sem pressa, sem muro.

Teu nome se espalha no ar como brisa acesa,
tocando o invisível entre pele e emoção,
e cada segundo se veste de surpresa
no compasso indeciso do coração.

Há um mundo que nasce onde o gesto se encosta,
onde o olhar se demora mais do que deveria,
e a realidade, por um momento, se aposta
na invenção delicada da nossa sintonia.

Seguimos assim — sem mapa, sem norte, sem fim,
apenas dois rios buscando o mesmo mar,
e o que em nós se revela, tão dentro de mim,
é esse eterno aprender de amar.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 15 de abril de 2016

quinta-feira, 14 de abril de 2016

ENTRE O PENSAMENTO E A PELE



Cada suspiro é um eco de paixão,
Teus lábios são meu refúgio e abrigo,
A cada beijo, renasce a sedução,
No toque suave, encontro o que preciso.

Nosso amor é chama que nunca se apaga,
Brilhando nas noites que nos envolvem,
Sinto em cada gesto o desejo que traga,
E me entrego ao amor que nos dissolve.

No silêncio que entrelaça nossos nomes,
o mundo se desfaz em pura vertigem,
e o tempo, rendido aos nossos contornos,
se curva diante dessa doce origem.

Te encontro no espaço entre pensamento e pele,
onde a alma respira sem pressa de partir,
e cada segundo que em ti se revela
é um universo inteiro a florir.

Há um fogo sereno que nos guia por dentro,
como mar que acaricia a margem do ser,
e tudo o que somos, nesse mesmo momento,
aprende de novo o verbo “viver”.

E quando a noite se derrama em mistério,
teu nome acende estrelas em mim,
e eu me perco nesse amor tão etéreo,
que nunca começa… e nunca tem fim.





  Cléia Fialho