quarta-feira, 20 de abril de 2016
RITO DE GOZO
terça-feira, 19 de abril de 2016
CALOR DO INSTANTE
segunda-feira, 18 de abril de 2016
O TEMPO SE RENDE
E fico assim, suspensa no instante,
como quem perde o rumo e ainda avança,
um passo em falso que vira horizonte
e um coração que já não se cansa.
Teu nome ecoa em minhas entrelinhas,
feito maré que insiste em retornar,
e tudo em mim se desfaz em linhas
que só o teu toque sabe organizar.
Há um fogo calmo que me percorre,
sem pressa, sem medo, sem direção,
como se o mundo inteiro morresse
para nascer dentro da tua mão.
E se me perco, que seja em teu riso,
nesse abrigo que inventa o infinito,
onde o desejo deixa de ser preciso
e vira apenas o que sinto e repito.
domingo, 17 de abril de 2016
O ECO DA SAUDADE
E a noite, tão lenta e profunda,
vai costurando o silêncio em mim,
como quem borda lembranças na penumbra
sem saber bem onde começa o fim.
Te procuro no espaço entre os segundos,
nesse intervalo que o peito inventa,
onde os sonhos se fazem mais fundos
e a ausência, de ti, se alimenta.
Se o vento passa, me fala teu nome,
num sopro leve que insiste em ficar,
e a distância, ainda que me consome,
não sabe o jeito de te apagar.
Então sigo — verso aberto, incerto —
feito rio buscando o mar,
com o coração sempre desperto
na esperança de te encontrar.
sábado, 16 de abril de 2016
CORAÇÕES SELVAGENS
E a noite, cúmplice, se curva em silêncio,
como quem guarda segredos na palma do escuro,
o instante suspenso entre o antes e o depois
arde suave, sem pressa, sem muro.
Teu nome se espalha no ar como brisa acesa,
tocando o invisível entre pele e emoção,
e cada segundo se veste de surpresa
no compasso indeciso do coração.
Há um mundo que nasce onde o gesto se encosta,
onde o olhar se demora mais do que deveria,
e a realidade, por um momento, se aposta
na invenção delicada da nossa sintonia.
Seguimos assim — sem mapa, sem norte, sem fim,
apenas dois rios buscando o mesmo mar,
e o que em nós se revela, tão dentro de mim,
é esse eterno aprender de amar.
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