TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia




terça-feira, 17 de maio de 2016

DISTANTE DE MIM MESMA



Tranquei meus sentimentos
Já não queria carregar feridas
Bastou cair algumas vezes
pra aprender o gosto do vazio

Tudo parecia perda
e os dias passaram depressa
quando percebi
eu já vivia distante de mim mesma.

Só que algo mudou
quando teus olhos tocaram os meus
pela primeira vez
meu peito desarmou
feito gelo cedendo ao calor
descobri no teu abraço
uma verdade que ninguém conseguiu me dar.

Agora me observam em silêncio
sussurram que enlouqueci
mas pouco importa o julgamento
porque pertenço ao que sinto por ti.

Tentam me arrancar desse caminho
inventam medos
levantam muros
sem saber que minha alma
já traz marcas profundas
cicatrizes que escondi por tanto tempo
e mesmo assim
você chega
me atravessa
e tudo volta a pulsar.

Sigo aberta em emoções
transbordando esse querer
mesmo ferida
mesmo vulnerável
continuo derramando amor.

Finjo não escutar as vozes
mas elas invadem o silêncio
tentando plantar incertezas
como se amar fosse um erro.

Ainda assim
nada supera a paz
que encontro quando me envolves
nesse mundo tão frio
é teu rosto que ilumina meus abismos
embora digam que perdi a razão
talvez tenham razão
porque amar você me transforma inteira.

E eu não temo o que pensam
porque o sentimento é real
mesmo com rachaduras na alma
mesmo remendando dores antigas
você me toca
e meu coração desperta outra vez.

Carrego sinais invisíveis
que muitos não conseguem entender
mas não escondo minhas marcas
elas contam a história
de alguém que sofreu
e ainda assim escolheu amar.

Então deixo acontecer
sem fugir
sem me esconder
porque mesmo entre dores e tempestades
meu peito insiste
em florescer por você.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O QUE BUSCAMOS?



Pelas ruas vazias,
o vento sussurra,
o sol já se esconde,
e a noite caminha.

Os passos apressados
ecoam no silêncio,
olhares se cruzam
sem direção certa.

O que buscamos?
Onde estamos indo?
No fim, a resposta
está no agora.

E o agora escorre lento
entre dedos abertos,
feito água que não volta
ao mesmo leito incerto.

Há um sopro de dúvida
nas esquinas do peito,
um chamado sem nome
ecoando no sujeito.

E cada rua vazia
guarda um pedaço esquecido
do que fomos por dentro
e do sonho perdido.

Mas a noite não cobra,
ela apenas revela:
que até na incerteza
alguma luz se vela.

E seguimos, sem mapa,
sem promessa ou destino…
porque até o silêncio
tem seu próprio caminho.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 12 de maio de 2016

DESLIZA ENTRE OS DEDOS



No silêncio da noite, a lua se espraia,
tecendo seus fios de prata sobre a terra.
E o vento, suave, dança entre os sonhos,
acariciando a pele, como um segredo guardado.

A seda do tempo desliza entre os dedos,
num toque mudo, sem pressa, mas profundo.
Cada suspiro teu é um poema velado,
cada movimento, um eco no infinito.

Na noite serena, tua presença acesa,
ergue o céu como chama dourada.
No calor dos teus braços me perco inteira,
e em teu olhar me faço incendiada.

O toque do teu olhar me encontra em silêncio,
me refaço em centelha, viva e entregue.
E em ti me descubro desejo e essência,
mulher que se acende e jamais se perde.

E quando o toque do vento se faz poesia,
a eternidade se dissolve em cada suspiro,
como se o amor fosse o próprio destino,
envolvendo-nos, leve, no sonho infinito.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 11 de maio de 2016

MEU CORPO TE RESPONDE


Teu toque desliza pela minha pele
como brisa morna em noite sem fim,
e cada movimento teu me compele
a mundos inventados dentro de mim.

Meu corpo te responde em segredo,
num ritmo que escapa da lucidez,
e no teu abraço largo e sem medo
se dissolve toda a minha altivez.

Fico suspensa entre o sonho e o encanto,
onde o desejo vibra sem direção,
e tudo em mim floresce em leve pranto
no compasso ardente da tua paixão.





  Cléia Fialho

terça-feira, 10 de maio de 2016

domingo, 8 de maio de 2016

ACENDENDO BRASAS EM SILÊNCIO


Quero tocar tua pele devagar,
como quem reverencia um desejo antigo.

Com minhas mãos,
seguir teus contornos,
acendendo brasas em silêncio.

Quero sentir teu perfume,
respirar tua essência,
e perder-me no calor do teu corpo.

Cobrir-te de beijos lentos,
sorver teus arrepios,
teu suor febril.

Depois, bem junto de ti,
deixar nossos corpos dançarem
ao som dos suspiros
e da paixão que nos consome.





  Cléia Fialho