TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia




quarta-feira, 11 de março de 2015

SEGREDO SUSSURRADO ENTRE OS DEDOS DO TEMPO



Como um segredo sussurrado entre os dedos do tempo quente e lento,
onde os mamilos se erguem tensos, duros, pequenos universos de fome insaciável,
a boca desce faminta, aberta, ofegante e completamente entregue ao prazer,
desvendando cada ponto escuro, cada fibra viva que estremece e grita por mais.

A língua circula lenta, molhada, possessiva e profundamente exigente,
lambe o círculo tenso, morde a carne rosada, ardente e completamente excitada,
saboreia o sal do suor, o gosto do desejo concentrado, puro e intoxicante,
fazendo arquear o corpo inteiro num espasmo longo, avassalador e incontrolável.

Entre os dedos que apertam, puxam e pinçam com força constante e deliciosa,
os mamilos pulsam vida, gritam prazer, abrem portas secretas e proibidas,
cada toque acende fogos profundos, cegos, vorazes e totalmente devoradores,
até que o mundo inteiro desaba num gemido rouco, irreversível e finalmente absoluto.




  Cléia Fialho

terça-feira, 10 de março de 2015

DANÇA SEM FIM



Nossos corpos encaixados, numa dança sem fim,
tu dentro de mim,
eu em volta de ti,
sem palavras,
apenas gemidos que soam como ordens
e sussurros que mando para o teu ouvido
enquanto te puxo mais fundo,
enquanto as minhas unhas cravam tuas costas
e o lençol se torce entre os meus dedos.

O ritmo acelerado dos nossos corações
bate no peito,
bate no ventre,
traduz a intensidade desses momentos impuros
onde eu não sou santa,
sou tua,só tua,
aberta e molhada,
pedindo mais, e mais,
e o fim que nunca chega.

A escuridão do quarto só ouve o som da pele,
o embate das ancas,
o meu nome arrancado da tua boca
quando eu aperto e não solto.

Tuas mãos agarram minha cintura,
me puxam para o teu colapso,
e eu desço e subo
num vaivém que não tem compassos,
só o fogo que nos consome
e nos deixa, ainda assim, famintos.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 9 de março de 2015

AS MARCAS DO TEU CORPO



Tento empurrar o peito dele, mas suas mãos largas fecham meus pulsos e os prendem acima da minha cabeça.
O peso do corpo dele me afunda no colchão.
Ele aperta meus quadris com força, os dedos cravando até a pele arder 
— as primeiras marcas vermelhas já nascem ali.
Minhas costas arqueiam sozinhas, a respiração falha quando ele força minhas coxas para baixo e abre minhas pernas.
Cravo as unhas nos antebraços dele, arranhando a pele num reflexo inútil.
Ele rosna e desce a boca no meu pescoço, mordendo até eu gemer alto.


Ele me solta os pulsos e agarra meus quadris com as duas mãos.
Os dedos cravam na carne, exatamente sobre as marcas vermelhas que já doem.
Puxo o ar entre os dentes, mas não desvio o olhar.
Ele se ajeita entre minhas pernas abertas e empurra o pau duro e grosso na minha buceta molhada com uma estocada única e brutal.
Entra até a base de uma vez, rasgando o caminho, e eu grito.
Minha vagina aperta em volta dele num espasmo involuntário, o líquido quente escorrendo pela fenda e lambendo a pele das coxas.


Ele não espera.
As mãos dele fecham meus quadris com os dez dedos, apertando até a carne ceder, até eu sentir os ossos, até a dor virar uma queimação surda que vai virar roxo.
Ele me puxa contra o próprio corpo a cada estocada, a pelve batendo na minha num ritmo rápido e seco.
O som é de carne contra carne molhada, um estalo úmido que enche o quarto escuro.
Minhas costas arqueiam sozinhas, as pernas tremem, e um gemido agudo escapa da minha garganta 
— um som que não reconheço, arrancado do fundo do ventre.


O gozo vem rasgando.
Não pede licença.
Sobe pelas coxas, contrai a barriga, explode na minha vagina em espasmos que apertam o pau dele sem controle.
Jorro líquido quente que encharca os lençóis e escorre pelas minhas pernas.
Grito de novo, a voz falhando, o corpo inteiro tremendo incontrolavelmente.
Ele rosna e acelera — três estocadas mais rápidas, o pau pulsando dentro de mim, e então goza fundo.
Sinto o esperma quente e espesso encher minha buceta, o líquido dele se misturando ao meu enquanto ele despeja tudo com um rosnado grave.


Ele sai de dentro de mim devagar.
O esperma vaza pela fenda, escorre devagar e pinga no lençol.
Meu corpo despenca moído no colchão, tremendo, com as digitais roxas nos quadris e o esperma escorrendo pela perna.
Meus dedos deslizam devagar sobre as digitais roxas nos quadris.
A carne dói, lateja sob a ponta dos dedos.
Cada marca pulsa como um coração pequeno e machucado.
O esperma dele escapa da minha boceta inchada, um fio espesso que desce pela fenda, morno, até molhar o lençol.


Eu sorrio.
Exausta.
Destruída.
Fui a vítima perfeita.
O sublime veio quando meu corpo deixou de ser meu.
Fecho os olhos com as mãos pousadas sobre as digitais, o corpo marcado e em paz.




  Cléia Fialho

domingo, 8 de março de 2015

CORPO EM FÚRIA



Ela se abre como fera indomável.  
Não há delicadeza, só urgência.  
As roupas são rasgadas, não retiradas.  
A boca encontra a carne com brutalidade.  
O gosto é febre, suor, saliva.  

Ele a domina com força.  
Cada gesto é comando.  
Cada investida é ordem.  
Ela geme, grita, uiva.  
O corpo inteiro vibra em espasmos.  

A língua percorre territórios proibidos.  
Os dentes marcam a pele.  
O gozo é selvagem, sem piedade.  
Ela se vira, se entrega, se perde.  
Ele a possui como quem devora.  

Não há suavidade.  
Há choque, há impacto, há vertigem.  
O prazer é cru, é bruto, é animal.  
Ela explode em orgasmos que rasgam o silêncio.  
Ele se derrama nela como tempestade.  

No fim, só restam corpos exaustos.  
Suor, respingos, respirações ofegantes.  
Um campo de batalha erótico.  
Um grito de carne inteira.  
Um delírio sem retorno. 




  Cléia Fialho

sábado, 7 de março de 2015

CONVITE AO ALÉM NU E DESMEDIDO



A cada respiração ofegante e rouca 
que escapa dos lábios entreabertos,
um convite ao além se forma em gemidos altos e insistentes,
e seremos melodia de corpos batendo, 
pele contra pele, suor escorrendo,
sintonizados em cada onda de prazer que sobe, 
quebra e inunda tudo.

Navegantes de um mar terno que na verdade 
é profundo, escuro e voraz,
onde a língua mergulha e saboreia 
o sal intenso da entrega total,
onde os dedos navegam pelo vale aberto, 
molhado e completamente escancarado,
provocando espasmos que arqueiam a coluna 
e roubam o fôlego num grito só.

Cada toque é uma nota mais alta, mais tensa, 
mais próxima do limite,
cada movimento nos leva mais fundo, 
mais rápido, mais perdidos no delírio,
até que a maré suba avassaladora 
e nos engula inteiros,
nos cuspindo exaustos, vencidos, 
flutuando no vazio doce do depois.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 5 de março de 2015

quarta-feira, 4 de março de 2015

CARTOGRAFIA DA TUA PELE



Meus lábios lentos,
desenham em ti um mapa
que só a minha língua sabe ler.

Provo-te devagar,
demoro-me na curva do teu peito,
desço em espiral pelo teu ventre,
prendo-me no vale morno
onde a tua respiração se acelera.

Cada beijo é um alfinete
que crava o desejo mais fundo,
cada mordida é um sussurro
que a tua pele responde
com um arrepio inteiro.

Percorro-te sem pressa,
saboreando o sal
que teu corpo derrama,
o gosto salgado e obsceno
de quem se rende antes de pedir.

A minha boca é fome antiga,
mel espesso, seda em brasa,
e tu — cordilheira despida —
tremes por dentro
antes mesmo que eu chegue
ao teu centro faminto.

E quando enfim me demoro
no lugar onde a tua sede mora,
gemes rouco, cavalgas o instante,
e eu bebo-te inteiro
como quem descobre
o único oásis
que sabe matar a minha sede.




  Cléia Fialho