TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

domingo, 1 de fevereiro de 2015

PECADO DESMEDIDO



Deixo-me levar pela tua vontade,
no ímpeto que rasga meu prazer.
Nos meus caminhos estreitos,
teu centro se encaixa,
meu corpo se contorce, se retorce,
escultura moldada em tuas mãos.

Tua sedução me arrasta,
tua mão sobre minha carne
me faz bandida, gulosa, atrevida.
Sou tua fêmea,
mulher libertina,
meu corpo implora teu dedilhar,
minha boca exige teu sabor.

Interrompo teus sonhos,
sou labareda acesa na tua realidade.
Sou tudo que desejas,
sou devassa e pudica,
sou mistério e entrega,
sou prazer e perdição.

Quero ouvir teus segredos,
permitir tua loucura,
sentir tua febre.
Tu desabrochas o leão,
faminto, febril, insaciável,
e dele me alimento sem pudor.

Quero teu pecado sem medida,
molhar teu eixo em gozo,
provocar tuas vontades,
atiçar tua fúria,
oferecer-me inteira.

Quero te ver pecar,
sou tua, crua, sem disfarces.
Toca meus seios,
sou tua verdade,
sou o instante de luxúria,
sou a entrega que não se nega.




  Cléia Fialho

sábado, 31 de janeiro de 2015

A BOCA QUE ME MATA



As costas dela bateram na pedra fria antes que pudesse respirar. As mãos grandes agarraram-lhe os ombros, os dedos calejados cravando-se na carne magra coberta de suor. Ela recuou — instinto, medo, a última centelha de resistência — mas o corpo curvou-se para a frente, os seios roçando o peito dele, a traição muda da carne que já não lhe pertencia.

— Vais ser a mártir dos meus sujos pecados — a voz dele, grave e seca, escorreu-lhe pelo ouvido como aço frio.

A coxa dele forçou-se entre as pernas dela, o tecido da saia esfregando contra a vulva. O roçar áspero arrancou-lhe um gemido que ela tentou engolir. Mordeu o lábio inferior até sentir a pele ceder, o gosto metálico invadindo a boca, quente e salgado.

— Vou fazer-te entrar no inferno dos gozos infinitos.

As correntes que apertava nos dedos — as amarras que a prendiam à repressão, ao silêncio, ao desejo nunca nomeado — tilintaram no chão de pedra quando os dedos se abriram. Ele agarrou-lhe o queixo e obrigou-a a abrir a boca sangrenta.

A língua dele invadiu-lhe a boca como uma lâmina quente. Os dentes cravaram-se no lábio ferido, a dor aguda arrancando-lhe um gemido abafado que se perdeu na garganta dele. O sangue escorreu pelo queixo, gota espessa e morna. As mãos calejadas agarraram a blusa e rasgaram o tecido — o som seco do algodão cedendo ecoou na pedra fria. 

Os seios nus expuseram-se ao ar, os mamilos endurecidos. Os polegares dele beliscaram-nos, torceram-nos, e ela soltou um grito estrangulado. Depois o chão. Os joelhos bateram na pedra. A mão na nuca empurrou-lhe o rosto contra o volume rígido sob as calças dele.

O cheiro do couro das calças dele invadiu-lhe as narinas quando o rosto foi pressionado contra o volume rígido. Os dedos na nuca não deram trégua. Ela abriu a boca, a língua encontrando o tecido áspero, o gosto de sal e suor. Ele soltou o cinto com um puxão seco. O pau saltou livre, grosso e rijo, a glande roxa e brilhante. Não houve comando — a mão na nuca empurrou-a para baixo e o pau forçou a entrada da garganta. 

Ela engasgou, a saliva espessa jorrando e escorrendo pelo queixo, pingando nas pedras frias. Os olhos encheram-se de água. Ele não parou. Estocou fundo, a garganta dela contraindo-se ao redor da carne quente, o som molhado do engasgo ecoando. As unhas dela cravaram-se nas coxas dele, os nós dos dedos brancos. Ele grunhiu, um som grave e satisfeito, e puxou-a pelos cabelos para trás. O pau saiu com um estalo úmido, um fio de saliva ligando a glande aos lábios inchados dela.

Depois o chão de novo. Ele virou-a de bruços, o rosto pressionado contra a pedra fria. Os joelhos dele abriram as pernas dela, as mãos calejadas agarrando as ancas magras. A ponta do pau roçou a entrada da buceta molhada — e entrou de uma vez. Ela gritou. Um som agudo e incontrolável que ricocheteou nas paredes. Ele estocou num ritmo brutal, sem pausa, o som de carne batendo contra carne enchendo o ambiente. A buceta apertava-se ao redor do pau, os líquidos dela escorrendo pelas coxas e pingando na pedra. 

Os dedos dele alcançaram o clitóris e esfregaram com pressão feroz, círculos duros que arrancavam gemidos cada vez mais altos. — Diz — a voz dele era um rosnado contra a orelha dela. — Diz que vives para isto. Ela soluçou, o corpo inteiro a tremer. — Vivo... vivo para os teus gozos. O orgasmo atravessou-a como uma lâmina. A buceta contraiu-se em espasmos ao redor do pau, o grito agudo rasgando-lhe a garganta. Ele grunhiu alto, estocando até o fundo, e gozou dentro dela. O sêmen quente transbordou, escorrendo pelas dobras da vulva até o chão de pedra, onde as correntes quebradas jaziam.

O corpo tremia ainda. Pequenos espasmos percorriam as coxas magras, os músculos exaustos que não respondiam mais a comando algum. A Mártir permanecia de bruços sobre a pedra fria, a respiração um fio irregular que arranhava a garganta. O sêmen escorria de dentro dela — quente no primeiro instante, depois morno, depois apenas úmido enquanto descia pela dobra da vulva e pingava no chão. Sentia-o escorrer e não fazia nada para o conter. As pernas abertas, os joelhos dormentes contra a pedra, a buceta ainda latejando no ritmo das estocadas que já tinham cessado.

O Algoz ajoelhou-se ao lado dela. A respiração dele, ainda audível, recuperava o controle — inspirações longas, expirações medidas. As mãos calejadas tocaram os ombros dela e viraram-na de costas para o chão. Os quadris doeram contra a pedra fria, as omoplatas pressionadas contra a superfície dura. Ela deixou-se virar, os braços moles, as pernas abertas. Os olhos fundos encontraram os dele — aquele olhar fixo que não pestanejava, que a observava como se lesse cada pensamento sujo que ela jamais ousara confessar.

Os dedos dele desceram pelo ventre dela. Recolheram o sêmen que ainda escorria da buceta — a ponta dos dedos roçando os lábios inchados, recolhendo o líquido branco e espesso — e espalharam-no sobre a pele do ventre magro. Círculos lentos. A marca dele sobre ela. O cheiro dos dois corpos misturados subia da pele quente.

A Mártir agarrou o pulso dele. Os dedos magros apertaram com a força que ainda lhe restava, os nós dos dedos brancos contra a pele morena do Algoz. Puxou a mão dele para baixo, contra o ventre, mantendo-a ali. O olhar rendido fixou-se no dele.

— Não quero mais sair daqui — a voz saiu rouca, as palavras entrecortadas pelo cansaço. — Não quero mais sair deste inferno.

Ele não respondeu. Os olhos não pestanejaram. Inclinou-se sobre ela e pousou os lábios na testa suada — um beijo seco, silencioso, definitivo. As correntes quebradas jaziam ao lado deles, e ela sabia que jamais as recolheria do chão.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

VULCÃO DE DESEJO



Nossos encontros reinventam mundos,
explosões de prazer que não se contêm,
tesão que transborda,
delírio que só contigo eu divido.

Teu corpo pulsa em mim,
encaixe perfeito, gritos indecentes,
palavras sujas, gestos ardentes,
num vai e vem profundo,
fazendo-me morder os lábios,
gemendo no ritmo molhado
dos teus espasmos e suores.

Seguimos na dança insana da pele,
carne contra carne,
poesia que não se escreve,
apenas se sente,
tremores múltiplos,
explosões saborosas.

Nossos olhos se fecham,
cúmplices em gemidos e lágrimas,
como fogueira que arde,
brasas vivas buscando ar.

Quero teu beijo que me conquista,
quero teu gemido safado
em cada lambida, em cada penetração.
Quero posições ousadas,
macho e fêmea em cio,
querendo sempre mais,
mesmo que seja pecado,
mesmo que doa um pouco,
até virar prazer absoluto.

Quero o voo mais alto,
a loucura sem freio,
o êxtase que nos consome,
a liberdade que nos une,
a explosão que nos eterniza.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

BOCA QUE TE DEVORA



Entregue, diante de ti,
teu pau rígido, enorme, pronto para mim.
Nossos corpos suados, respingos de desejo,
minha rede escolhida só para esse momento.

Sem hesitar, engoli tua carne até o fundo,
minha garganta se abriu para te receber.
Chupei, lambi, tirei e voltei a sugar,
engolindo cada centímetro,
como se fosse meu único alimento.

Teus olhos em êxtase,
teus suspiros me incendiavam.
Minha boca faminta descia aos teus sacos,
lambendo, sugando,
saboreando cada parte que era só minha.

Horas antes, tu me fodias como fera,
agora eu te devorava inteira,
com meus seios à mostra,
minha calcinha colada à pele,
meu corpo entregue ao teu domínio.

E então, no auge do torpor,
tu jorraste em minha boca,
esperma quente, grosso, abundante,
do jeito que me enlouquece.
Engoli tudo, cada gota,
sem deixar escapar nada,
como tua mulher faminta,
como tua escrava do prazer.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O DIA EM DELÍRIO



O dia desperta em fúria.  
O sol ergue-se duro, ereto, incendiado.  
Tesão queimando no horizonte.  
O mar se abre em cio.  
Ondas lambem a pele da praia.  
A língua líquida devora sem pudor.  
Um azul febril se derrama.  
O sol é testemunha do ritual.  

O tempo corre em vertigem.  
O dia não se sacia.  
Permanece ereto, pulsando, exigindo.  
O prazer se prolonga até o fim.  
A lua nua recebe o gozo ardente.  
Inteira, entregue, possuída.  
Estrela solitária brilha como respingo de êxtase.  
O universo inteiro é orgasmo.  




  Cléia Fialho

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

OS MEUS SEIOS



Os seios são território de partida.  
Dois pontos que clamam por atenção.  
Cada toque desperta vertigem.  
Cada gesto acende o fogo.  

Beije com devoção.  
Lamba com entrega.  
Chupe com lentidão, como quem descobre segredos.  
Passe a língua nos mamilos e sinta a pele reagir.  
Eles endurecem, respondem, imploram por mais.  

Morda de leve, como quem provoca.  
Ou mais forte, se o desejo pedir.  
O corpo dita o ritmo, o prazer guia o caminho.  
Não é apenas ato, é ritual.  
É preciso gostar, é preciso querer.  
É dar prazer e receber prazer.  
É entrega absoluta, sem reservas.  

Os seios não são apenas carne.  
São linguagem, são convite, são vertigem.  
Eles falam sem palavras.  
Eles gritam sem voz.  
E quem os toca, quem os devora,  
descobre que ali começa o infinito do desejo. 




  Cléia Fialho

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O ÚLTIMO DEGRAU



Os degraus de concreto absorviam o som dos passos, mas não o silêncio carregado que se instalou quando ele a viu. Ela estava sentada três degraus acima, o vestido justo subido um palmo além do joelho, o coque ruivo frouxo deixando escapar fios que brilhavam sob a lâmpada fraca. Ele parou. A mão direita tremeu contra a coxa. Ela lambeu o lábio inferior, devagar, e levantou-se. 

Desceu os três degraus sem pressa, os olhos verdes fixos nos dele, e encostou as palmas abertas no peito dele. Empurrou. As costas dele bateram no corrimão de ferro frio — o metal gelado mordeu a pele por baixo da camisa. Ela o prendeu ali, o corpo contra o dele, a coxa pressionando entre as pernas dele por cima da calça, quente e firme. Ele não respirou. Ela agarrou a camisa dele e puxou sua boca para a dela.

A boca dela veio quente e molhada, a língua empurrando os lábios dele sem pedir licença. Invadiu. Os dentes agarraram o lábio inferior dele e morderam — um estalo de dor aguda, o gosto de ferro misturado ao hálito dela. Ele gemeu contra a boca invasora e sentiu o sangue brotar, uma gota que ela lambeu antes de beijá-lo de novo, mais fundo, a língua varrendo o céu da boca dele enquanto a coxa pressionava mais forte entre suas pernas.

As mãos dele subiram. Os dedos trêmulos encontraram a pele quente das coxas dela por baixo do vestido, subindo devagar, sentindo cada centímetro de carne macia até agarrar as nádegas nuas. Apertou. A carne cedeu sob os dedos, firme e cheia, e ele puxou o quadril dela contra o seu, o volume duro da calça pressionando o ventre dela.

Ela soltou o beijo e lambeu o lábio inferior. Os olhos verdes não desviaram dos dele enquanto as mãos desciam até o cós da calça dele. Abriu o botão, baixou o zíper, e empurrou o tecido para baixo — a calça e a cueca deslizaram pelas coxas até os joelhos, o ar frio da escada batendo na pele exposta. O pau dele saltou livre, duro, a glande já brilhando. Ela envolveu os dedos ao redor da base e apertou. 

Depois subiu a mão devagar, a palma quente deslizando pela pele esticada, espalmando o líquido transparente que escorria da ponta por toda a glande. Ele estremeceu. Ela repetiu o movimento, mais lento agora, os olhos presos na expressão dele enquanto a mão trabalhava o comprimento do pau num ritmo que fazia os quadris dele se projetarem para frente.

Então ela empinou os quadris e guiou a cabeça do pau dele até a entrada molhada da sua boceta.

Ele empurrou o pau de um golpe só. A glande abriu a boceta molhada e afundou até o talo, rasgando o aperto quente que engoliu cada centímetro. Ela engasgou um gemido rouco, a cabeça tombando para trás, o coque frouxo desabando sobre os ombros.

As mãos dele cravaram nos quadris dela com força — os dedos afundando na carne, deixando marcas roxas que pulsariam depois. Ele meteu fundo, as estocadas rápidas fazendo o corpo dela bater contra o degrau de concreto. O som seco do impacto ecoou na escada vazia.

Desconhecida agarrou o corrimão frio de ferro com as duas mãos. Os nós dos dedos ficaram brancos. O metal gelado queimava as palmas enquanto ela se segurava, os quadris empinados para trás, recebendo cada estocada com um gemido alto que subia pela caixa da escada.

Os testículos dele batiam contra a bunda dela num ritmo acelerado — plaft, plaft, plaft — o barulho molhado se misturando aos gemidos. Os sucos da boceta dela escorriam pelo pau dele e gotejavam nos degraus de concreto, formando uma poça pequena sob os pés deles.

Ela soltou um gemido agudo e involuntário quando a glande atingiu o fundo do útero. As pernas tremeram. A boceta espremeu o pau dele em espasmos — contraindo, pulsando, molhando a base com mais líquido enquanto ela gozava alto, o som reverberando nos andares vazios.

Ele enterrou até o talo e gozou. Jatos de porra quente encheram a boceta dela por dentro, cada pulsação arrancando um gemido mais baixo da garganta dele. A porra escorreu da boceta dela e gotejou no degrau de concreto.

Ele recuou devagar. O pau escorregadio saiu da boceta dela com um som molhado e obsceno — um plop úmido que ecoou no silêncio da escada. A glande pingava porra no degrau de concreto, grossas gotas brancas que se juntavam à poça já formada sob os pés deles. As pernas dele tremiam. A respiração voltava aos poucos, ofegante e rouca.

Desconhecida soltou o corrimão frio de ferro. As palmas das mãos estavam vermelhas, marcadas pelo metal gelado. Ela se endireitou nos degraus, puxou o vestido justo para baixo — o tecido manchado de suor e porra grudava nas coxas. Os olhos verdes cravaram nos dele. Não disse nada. Lambeu o lábio inferior, devagar.

Um som distante subiu do andar inferior. Passos. Solas de sapato batendo no concreto, ritmados, aproximando-se.

Os dois imobilizaram. A mão direita dele tremia, ainda apoiada no corrimão. Ela prendeu a respiração. Os passos continuaram por mais três segundos — e então uma porta rangeu e bateu no térreo. Silêncio.

Desconhecida sorriu. Ajeitou o coque frouxo com um gesto lento, virou-se e subiu a escada deserta sem olhar para trás.




  Cléia Fialho

domingo, 25 de janeiro de 2015

VERTIGEM DO DESEJO



O corpo pede sem pudor.
O calor cresce, invade, domina.
Cada toque é incêndio.
Cada beijo é vertigem.
O suor escorre, mistura, se funde.
Não há começo, não há fim.
Só o excesso, só o delírio.

A boca devora.
A língua percorre.
Os dedos exploram territórios secretos.
O prazer explode em ondas sem nome.
A respiração é grito contido.
A pele é território em chamas.
O tempo desaparece, só resta o agora.

Lá fora a chuva cai fria, distante.
Aqui dentro o calor é absoluto.
Nada existe além do ardor.
Nada importa além do gozo.
O mundo se dissolve, só nós dois permanecemos.

Tua nudez inteira se oferece.
Cada gesto é palavra sem voz.
Teu corpo fala em silêncio.
Eu escuto com a pele, com o sangue.
Eu respondo com o corpo inteiro.
Somos linguagem sem letras.
Somos verbo sem tradução.

O desejo não termina.
Ele se prolonga, se repete, se reinventa.
Primeiro o tesão, depois o infinito.
E no infinito, nós dois.
Perdidos, entregues, consumidos.
Corpos em vertigem, pele em fogo.
Prazer sem fronteiras, sem limites.
Delírio eterno.




  Cléia Fialho