TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

REFLEXO DO FOGO



Seus olhos são o reflexo do fogo
que queima dentro de mim, incandescente.
Mas o fogo não fica só no olhar,
desce, espalha-se, concentra-se
entre as minhas coxas,
onde eu pulso e abro
sem pedir, só exigindo
que tu venhas,
que tu entres,
que tu me comas com a mesma fome
que arde no teu olhar.

Seu toque é como uma corrente elétrica
que percorre cada fibra do meu ser, incessante.
Não é fibra que sinto,
é o dedo que entra,
é o membro que me rasga em plenitude,
é o estalido da pele
quando tu me possuis
de costas, de frente, de lado,
e eu deixo de ser eu
para ser o teu gemido,
a tua incessância,
o teu vazio e o teu encher.

Não queima só dentro,
queima por fora,
queima em nós,
em dobro,
em triplo,
até que o lençol fume
e o quarto se torne
cinza do nosso arder
e nós dois, cinza e fogo,
renascidos no suor,
voltemos a começar.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

DESÇES E NÃO PARAS



Desces pela curva
do meu pescoço tenso
mordendo cada centímetro
que pulsa e chama
não com a boca de quem beija,
com a boca de quem devora
e deixa marcas
para lembrar depois.

Tuas mãos traçam fronteiras
que se perdem na minha pele,
não são fronteiras,
são aberturas,
são dedos que deslizam
pelo meu peito abaixo
e encontram o centro
onde a minha respiração falha
e teu membro se ergue
implorando ser tocado.

Enquanto o lençol enrola
e sufoca nossos gritos roucos,
eu sufoco de outro jeito,
sentando devagar,
sentando depressa,
fazendo o colchão gemer
mais alto que a minha boca.

O meu pescoço arqueia,
tuas unhas cravam,
o lençol se torce
e nós dois,
enrolados na escuridão,
só existimos na fricção,
na entrada,
no bater de pele
que não quer ser brando,
que quer ser ferimento
de prazer,
que quer ser o instante
em que tu me enches
e eu me esvazio
e me encho de novo.

A tua língua que desceu do meu pescoço
agora lambe o suor
entre os meus seios,
agora circunda
o meu umbigo,
agora não para,
agora me toma pela cintura
e me puxa mais para dentro,
até que não haja mais onde ir,
só o ir repetido,
só o fogo.




  Cléia Fialho

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

ARCO QUE SOLTA



Tua cintura arqueia-se como um arco pronto para soltar
e eu solto o verbo em gemidos que não traduzem nada
senão o fogo que sobe e consome o ar que ainda sobra
entre a minha boca e a tua pele.

Seu corpo é gozo e devastação simultânea
onde eu me ajoelho e te devoro como fome final,
lambuzo-me em ti e volto a começar do princípio do delírio.

Não há fim que feche isto.
A minha língua desce pelo eixo da tua barriga
e encontra o epicentro onde tu tremes,
onde o teu membro pulsa contra a minha boca
e eu não respiro, só trago,
só engulo,
só abro a garganta para que entres
e me uses como a única forma que sabes.

Tu me puxas pelo cabelo
e eu ergo os olhos molhados
a ver-te perdido no vício de mim.

A cintura arqueia outra vez,
as tuas ancas batem no meu rosto,
e o delírio não tem princípio nem fim,
só o vai-e-vem,
só o suor a escorrer pelas tuas coxas,
só o teu sabor preso na minha língua
quando finalmente soltas
o arco,
a flecha,
e o gemido rouco
que me inunda
e me deixa de joelhos
a lambuzar-me outra vez
no princípio sem fim.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

CHAMA E DESEJO



Cada toque teu incendeia minha pele,
percorre meus contornos como brasa viva,
desenha mapas ardentes onde antes havia gelo,
e me despe camada por camada, lenta, faminta.

Tuas mãos são línguas de fogo sobre meus quadris,
descem pelo meu ventre como rio de mel escaldante,
e eu me curvo, arqueio, gemido rouco no silêncio,
carne trêmula pedindo mais, sempre mais, sem trégua.

Teus lábios dançantes prometem tempestades,
mordem meu pescoço com fome antiga,
sussurram versos molhados dentro do meu ouvido,
e o vento leva embora toda vergonha, toda pressa.

Os corpos suados se entrelaçam como raízes profundas,
sonhos vibrantes explodem em espasmos de luz,
teu peito contra o meu, coração cravado no coração,
e neste doce momento eterno, gozamos o mundo inteiro.




  Cléia Fialho

domingo, 22 de fevereiro de 2015

CADA MORDIDA UM MAPA



Cada mordida um mapa, cada toque um grito abafado
na minha boca que te engole, nos teus dedos que me abrem.
Não há mundo diferente senão esse quarto escuro e úmido
onde o tempo desacelera e o suor escreve o destino
em traços salgados pelo teu peito, pelo meu ventre,
pela curva das minhas coxas que se afastam sem vergonha.

Onde o tempo desacelera e o suor escreve o destino,
eu escrevo com a língua o caminho que leva à tua cintura,
e tu escreves com o membro que me encontra,
que me invade,
que faz do meu corpo o único livro que queres ler.

Nossas línguas dançam e tateiam o limite da lucidez,
mas a lucidez já foi embora.
Perdendo a forma, encontrando a fome,
eu sou só boca, só sexo, só abertura.
Tu és só empurrão, só embate, só suor.

A noite é longa e o pecado é feito para ser repetido,
então repete,
me fode de novo,
me deixa sem ar outra vez.
Até que a carne não saiba mais 
onde ela termina e onde eu começo,
até que eu não seja mais eu,
até que eu seja só o espasmo,
só o nome arrancado da tua boca,
só o nós que derrete no lençol.




  Cléia Fialho

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A LÍNGUA DESLIZA



A língua desliza, tímida no primeiro toque,
depois voraz, faminta, 
devorando cada milímetro de pele.
Explora o mapa do desejo sem pressa,
mergulha nas dobras secretas,
onde o suor encontra o gemido.

Cada curva é um altar profanado com reverência.
Cada sombra escondida é um convite
para a dança lenta e selvagem da sedução.
Não há hesitação, só o impulso carnal
de conhecer o outro até o último suspiro.

É sussurro que se torna grito abafado,
é entrega que escorre pelas coxas,
é canto gutural que nasce do ventre
e rasga o silêncio da noite.

Os sentidos ardem, dilatados, ávidos.
A boca se move em ritmo de posse,
chupando, mordendo, adorando.
O corpo inteiro treme sob o domínio
daquela língua que, agora, sabe exatamente
onde o fogo mora.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O JARDIM DAS PROMESSAS



O cheiro de terra úmida e jasmim a envolveu assim que atravessou a última folhagem. Ele estava lá, encostado no banco de pedra, os ombros largos recortados contra o luar fraco. Não disse nada — só a olhou com aquela firmeza calma que fazia o ar faltar.

Ela deu dois passos e Ele se moveu. Em silêncio, a encurralou contra a pedra fria. Os quadris dele pressionaram seu ventre, o tecido áspero da calça esfregando na pele nua das coxas por baixo do vestido. A mão calejada deslizou pela lateral da coxa dela, apertando devagar, ainda por cima da roupa.

Ela mordeu o lábio inferior, a voz baixa e ofegante: — A gente não devia estar aqui.

Ele roçou os lábios na orelha dela, a respiração quente. — Mas você veio.

A mão subiu até o rosto dela, o polegar firme no queixo. — Agora você é minha.

A mão calejada ainda segurava o queixo dela quando Ele inclinou o rosto e tomou sua boca. Não foi um beijo de pedido — foi invasão. A língua empurrou entre os lábios dela, molhada, urgente, preenchendo cada canto. Ela gemeu contra a boca dele, os dedos se fechando no tecido da camisa.

Puxou para cima. Ele ergueu os braços e ela arrancou a camisa, deixando cair no chão de terra. O peito dele subia e descia rápido, os ombros largos banhados pelo luar.

Ele não esperou. As mãos desceram pelo corpo dela e agarraram a barra do vestido, subindo o tecido até a cintura. Os dedos encontraram o elástico da calcinha e puxaram para baixo, devagar, até os joelhos. O ar frio da noite tocou a pele exposta.

Ela levou as mãos ao cós da calça dele. Desabotoou. O zíper cedeu com um ruído seco. Quando enfiou a mão por dentro da cueca e envolveu os dedos ao redor do pau, sentiu o calor pulsando contra a palma — duro, rígido, vivo.

Ele soltou um som grave, a boca descendo para o pescoço dela. Chupou a pele, a língua pressionando, os dentes roçando até deixar uma marca escura. Ela apertou o pau com mais força, sentindo cada batida.

Ele a empurrou para trás. O pau pulsou na mão dela enquanto as costas nuas tocavam a pedra fria.

As costas dela bateram na pedra fria. Ele não deu tempo para o choque — os joelhos dele abriram as coxas dela, forçando as pernas para os lados até a pele esticar. O vestido amassado na cintura. A calcinha ainda pendurada num tornozelo. O pau duro apontava para o ventre dela, a glande molhada de pré-gozo brilhando sob o luar.

Ele desceu. A boca encontrou a buceta antes que ela pudesse respirar.

A língua larga lambeu do clitóris até a entrada, abrindo os lábios molhados, recolhendo o mel que já escorria. Ela arqueou as costas, a nuca raspando na pedra. Ele gemeu contra a carne, a saliva misturada ao gosto dela escorrendo pelo queixo. Os dedos entraram — dois de uma vez, empurrando fundo enquanto a boca chupava o clitóris com força. O som molhado ecoou entre as folhas. Obsceno. Alto. Ela soltou um gemido involuntário, as unhas cravando nas costas largas, o quadril empurrando contra o rosto dele.

— Não para — a voz saiu ofegante, quebrada.

Ele não parou. Lambeu, chupou, enfiou os dedos mais fundo, a palma batendo no monte de vênus a cada estocada. Ela sentiu o orgasmo subir, as coxas tremendo, mas ele tirou a boca antes do clímax. Levantou-se. O pau pulsava, a glande roxa e inchada. Posicionou na entrada, o mel dela lambuzando a cabeça.

Uma estocada seca. Até o fundo.

Ela gritou. O pau a preencheu inteira, a base batendo no clitóris, o mel espirrando. Ele não esperou — as estocadas vieram rápidas, duras, os quadris batendo nas nádegas dela com som de carne chacoalhando. O banco de pedra rangeu sob o peso dos dois corpos suados. Ela agarrou os ombros dele, as pernas enroscadas na cintura, a buceta apertando o pau a cada investida.

— Vou gozar — ela gemeu, a voz estrangulada. — Vou gozar, vou...

O orgasmo explodiu. O corpo espasmou, a buceta contraiu em ondas ao redor do pau, o líquido quente escorrendo pela fenda e ensopando a pedra. Ela gritou o nome dele, as unhas rasgando a pele das costas.

Ele empurrou fundo uma última vez. Gemeu grave, os dentes cerrados, e gozou. A porra quente jorrou dentro, enchendo o útero, pulsando em jatos que ela sentiu até o fundo do ventre. Ele ficou enterrado, o peito subindo e descendo, o pau ainda duro latejando dentro dela.

A porra dele vazou pela buceta e gotejou no banco de pedra frio.

Ela deixou a cabeça pousar no peito dele, o coração ainda martelando sob a pele quente e suada. Os dedos dela deslizaram devagar pelo esterno, contornando os músculos tensos que aos poucos relaxavam. Ele beijou a testa dela, os lábios demorando na pele úmida, e puxou-a mais para perto com o braço firme na cintura. As pontas dos dedos dele percorreram as costas nuas dela em carícias lentas, quase distraídas, desenhando círculos na pele arrepiada. 

— Não vou mais fugir disso — ela sussurrou, a voz ainda trêmula. Ele não respondeu com palavras, só apertou o abraço. A respiração dos dois foi acalmando, os peitos subindo e descendo juntos. Ela fechou os olhos no peito dele, o banco de pedra frio sob eles, o jardim escondido guardando o que enfim pertence a ambos.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

PINCELADAS DE FOGO E SÚPLICAS



Teus dedos, 
como pincéis vorazes em minha pele,
Reescrevem 
a cartografia do meu desejo proibido.
Cada toque, 
uma nota que vibra no âmago,
Desenhando, 
na tela do meu corpo, 
o mapa do prazer.

Não são cores apenas, 
é fogo que se espalha,
Uma febre que transborda, 
pintando as horas com fricção e sede.
Sinto o rastro da tua língua, 
o desenho do teu fôlego,
Enquanto a paixão se expande, 
indomável, invasiva.

Somos tinta e tela, 
somos o traço e o delírio,
Explodindo em matizes profundas 
de um gozo que não pede licença,
Mas exige cada milímetro do meu ser.
A intensidade é nossa única lei,
Um turbilhão de carne e respiração,
Onde a nudez se faz arte,
E o tempo para, 
rendido sob a maestria 
de tuas mãos que me possuem.




  Cléia Fialho