TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sexta-feira, 22 de maio de 2015

RITUAL DE LUXÚRIA



Entro no quarto ainda molhada da chuva.
O casaco cobre meu corpo, mas teus olhos já despem.
Queres ver o que escondo, mas me detenho.
O brilho em teu olhar denuncia o desejo.
Por que não me desarmas?
Assim poderás tocar, sentir, possuir.

O cinto se afrouxa, os botões cedem.
O decote revela a promessa dos meus seios.
A diversão começa no instante em que me desnudo.
Mais um gesto e meus mamilos se erguem,
enquanto tua excitação cresce sob o tecido.

Cada abertura revela mais.
Deixo o casaco cair ao chão.
Nua, como ao nascer, caminho até ti.
Meus quadris desenham o ritmo.
Viro-me, ergo minha carne diante do teu rosto.

Te inclinas, tua língua explora.
Espalhas minhas nádegas, lambes meu segredo.
Abres meus lábios, mergulhas em minha gruta.
Se tudo fluir, tua dureza substituirá tua boca.

O prazer me domina, teu cunilíngua me enlouquece.
Molhada, sento em teu rosto,
enquanto minhas mãos libertam tua ereção.
Minha boca te envolve, encaixe perfeito.
Estamos em sessenta e nove,
tua língua em minha boceta, minha boca em teu falo.

O ritmo acelera, gemidos se cruzam.
Explosões de gozo nos atravessam.
Meu néctar escorre, tua porra pulsa.
Degustamos o excesso, bebemos o pecado.

Agora me tomas no sofá.
Teu pau invade minha fenda,
minha bunda repousa em teus quadris.
O calor nos envolve, o êxtase nos consome.
Ondulo, cavalgo, mudo posições.
Sou cachorrinha, sou motorista, sou selvagem.

Meus seios balançam livres,
tuas estocadas me fazem vibrar.
Viramos, nos dobramos, nos erguemos.
Cara a cara, tua rola saboreia minha boceta.
O ritmo cresce, a pressão explode.
Gozamos juntos, em transe, em delírio.

Teu corpo se rende, teu pau amolece.
Minha lascívia se aquieta.
Mas o fogo permanece aceso,
pronto para nos consumir outra vez.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O GEMIDO ROUCO



Paixão que arde, forte e intensa,
Que nos embriaga em doce tormenta,
Nos lábios, um beijo, a alma imensa,
Paixão que arde, nossa eterna essência.

Em cada toque, um fogo que queima,
No olhar profundo, a vida se enleia,
São promessas, murmúrios, a mesma cena,
Paixão que arde, sempre a nos rodear.

Meus seios reclamam a tua boca cheia,
Tuas mãos afundam-se em minha maré,
Onde a renda cede e a pele semeia
O gemido rouco que só o desejo é.

E quando o gozo desaba, tempestade contida,
Ficamos assim, tremendo em silêncio pleno —
Paixão que arde, chama tantas vezes acendida,
Que só se apaga para reacender no meu seio.

1 — sensual e lírica:

Deitas-me devagar sobre o lençol amarrotado,
Onde o mundo se cala e o tempo se despede,
Entras em mim como quem chega ao teu fado,
E o meu corpo sussurra: fica, mata a minha sede.

2 — mais ousada e possessiva:

Deitas-me devagar sobre o lençol amarrotado,
Onde o mundo se cala e o tempo se rende,
Entras em mim como quem chega ao teu fado,
E o meu corpo sussurra: sou tua, o que em mim arde acende.

3 — entrega total:

Deitas-me devagar sobre o lençol amarrotado,
Onde o mundo se cala e o tempo se demora,
Entras em mim como quem chega ao teu fado,
E o meu corpo sussurra: fica, sou tua agora.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 20 de maio de 2015

SELVAGERIA DO DESEJO



Éramos jovens, famintos de prazer. Tua boca mergulhava em minha carne, tua cabeça repousava em minha pélvis, meus segredos ardendo em calor.

Eu não acreditava na sorte: apaixonados, entregues, devorados. Teu falo endurecia só de estar comigo.

Meu corpo era território aberto, cada curva explorada por tuas mãos. Do banco de trás à areia da praia, onde o mar nos assistia em silêncio. Eu trabalhava tua ereção com tesão intenso, sempre fui abrigo quente, sempre fui convite sem pudor.

Tu eras amante voraz, eu mais que desejo, eu febre. Sempre buscávamos saciar um ao outro, jogo de corpos sem hesitação. Nunca duvidamos da entrega, nunca faltou fogo em nossas tentativas.

Às vezes, o início era lento, minhas mãos brincavam com tua rigidez, meus dentes mordiscavam teus seios, minha boca sugava meu próprio prazer. Línguas se chocavam, dedos se afundavam, até que o gozo nos inundava em excesso.

Então vinha a viagem selvagem: por trás, de lado, de frente. Cada posição era fantasia, cada ritmo, uma explosão. Tu me fodia sem trégua, eu te dominava centímetro a centímetro.

Minha gruta te apertava com força, meus quadris dançavam em crime delicioso. Tu controlavas as estocadas, eu me abria em calor líquido. Não havia dúvida: gozávamos juntos, sempre, em mais uma festa de luxúria.





  Cléia Fialho

terça-feira, 19 de maio de 2015

PALAVRAS QUE QUEIMAM NA BOCA


As palavras não ditas, na bruma escondidas,
transformam-se em versos que anseiam voar —
mas eu não quero que voem.
Quero que caiam sobre mim
como roupa molhada,
que me tapem a respiração
e me deixem nua no próprio desejo.

No labirinto da mente,
o pensamento de ti é um dedo
que desce sem pressa,
que sabe onde a pele esquece
quem era antes
e só responde em arquejo.

Não é mais silêncio.
É o som do corpo aprendendo a falar
em língua que não tem tradução —
só a língua da boca no pescoço,
só o arranhar das unhas
nas costas que se curvam
como ponte para o teu prazer.

No eco do silêncio,
estou pronta a amar —
não, estou pronta a ser tomada,
a abrir as fronteiras da pele
e deixar que tu explores
com mãos, com olhar, com fome,
cada centímetro que se contrai
esperando o teu avanço.

Que os versos não voe.
Que fiquem aqui,
presos entre os meus lábios,
roçando a tua orelha
enquanto tu entras
e eu esqueço
até de respirar.

A bruma não esconde mais nada.
Eu sou toda exposta,
um grito que não quer fim,
só quer repetição.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 18 de maio de 2015

domingo, 17 de maio de 2015

AQUI MORA O DEVORAR



O sussurro do vento não é doce,
é o teu hálito quente no meu pescoço,
a língua deslizando onde a pele se eriça,
transporta anseios que a carne engrandece,
— a alma é coisa que se perde
quando os dedos apertam e o ventre se abre.

Na tormenta é que o amor se tece,
no bater desenfreado,
no embate que soa como trovão baixo,
na cama que range e não se queixa.

A suavidade fiel de um toque implorado
Não imploro — Exijo.
Puxo o teu cabelo para mais perto,
guio a tua boca para o centro da tempestade,
e o toque deixa de ser suave
para ser possessão.

Em cada silêncio — o eco
é o gemido preso na garganta,
é o som úmido da língua,
é o estalo da pele que cede
e celebra a ferida do prazer.

Por entre as paredes,
o prazer faz morada.
O que habita aqui é o fogo,
é o corpo debruçado,
é o travesseiro mordido,
é o suor escorrendo
nas costas arqueadas,
é o cheiro de nós dois
impregnado no ar
e em cada fenda.

Aqui mora o devorar.




  Cléia Fialho

sábado, 16 de maio de 2015

PERFUME DO TROVÃO



Tua presença é um perfume que me guia
pelas sombras que a noite desenhou
não com traços leves,
mas com mãos que puxam cabelos,
com unhas que arranham o tempo
até ele parar.

A noite nos engoliu,
Fomos nós que a desenhamos
com pernas entrelaçadas,
com bocas que inventam
línguas novas.

Cada gesto teu é a luz que me encontrou
nua no próprio desejo,
aberta como a noite é aberta
para o que arde e não pede licença.
Tu achas-me em cada curva,
em cada dobra onde a respiração falha,
onde o ventre se ergue implorando.

Teu cheiro impregna os lençóis
e eu enrolo-me no que resta de nós,
no suor, no rastro,
na marca que a tua língua deixou
onde eu mais me arqueio.

Aqui não há guia.
Aqui há só a voragem
do corpo que me busca
e me acha
e não solta.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 15 de maio de 2015

ABISMO DE CARNE E FOGO



Meus poros exalam o suor de uma entrega sem freios,
Sacrifício profano aos deuses do prazer febril.
Quando teus lábios tocam a minha pele em chamas,
O ar se torna denso, consumindo toda a razão.

Não há astros na penumbra que nos abriga,
Apenas a gravidade do teu corpo contra o meu.
Um compasso frenético de arquejos e atrito,
Onde a carne dita o ritmo da nossa rendição.

Cada toque é uma escrita profunda e visceral,
Cicatriz de volúpia que marca a alma nua.
O universo se encolhe no espaço das respirações,
Entre o contato insaciável e o desejo sem fim.

Sou maré alta, desastre iminente e desejo,
Entregue à tua posse enquanto a noite implora,
Por mais um gole de insanidade, pele e brasas,
Neste delírio ardente onde nos fazemos um.





  Cléia Fialho