TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

terça-feira, 13 de outubro de 2015

LÁBIOS DE FOGO — [ VERSÃO — I ]



Um sopro arcano — centelha roubada do éter...
velado roubada do véu astral 
Mãos que se tornam ventos, 
runas vivas —
pensamentos dissolvidos em névoa ancestral.
          em círculos de fumaça.   
                 
Corpo errante, 
navegando por constelações ocultas, 
perdido no labirinto da eternidade.  
viajando por portais invisíveis,
templos secretos revelados, 

Lábios de fogo —
montanhas sagradas reveladas, 
espíritos que se entregam ao invisível.  
Estrelas mordidas, 
chuvas de astros, 
segredos libertos no obscuro da noite.  
névoas sagradas, 
libertas no cântico das estrelas.  

Desejo tornado ritual, 
tornado invocação —
gelo transmutado em rio de alquimia.  
transmutado em água alquímica. 
Fome de cosmos, 
Fome de eternidade, 
olhar que devora como fera celeste.  
consome como fera ancestral.  

Labaredas se erguem em danças de oráculos, 
carícias se tornam rios de luz, de energia, 
corpos mergulham em abismos de chama divina.  
 abismos de luz oculta.  
Nos trovões da alma, 
desejos rugem como profecias...  
rugem como encantamentos...  




  Cléia Fialho

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O DESEJO SE EXPANDE



Teu toque acende em mim chama secreta 
no silêncio da pele, ardor se inflama 
e cada gesto teu, suave, reclama 
a entrega inteira que o corpo interpreta.

No abraço firme, a ternura completa
desenha em nós a dança que se trama 
e o desejo se expande, já proclama 
a força viva que em nós se projeta. 

Na penumbra, teus olhos me percorrem 
como rios que buscam mar aberto 
e em tua boca os segredos se incorrem. 

O instante é fogo, ardente e tão desperto 
que nos envolve, nos prende e nos comove 
num sopro eterno, intenso e sempre certo. 




  Cléia Fialho

domingo, 11 de outubro de 2015

TEUS DEDOS TRAÇAM ROTAS



O ar condensa ao peso do desejo,
Teus dedos traçam rotas na penumbra,
A chama que o silêncio nos vislumbra
Encontra em cada vulto o seu lampejo.

A pele em brasa busca o teu ensejo,
A pulsação do tempo nos deslumbra,
Enquanto a noite em nós se desmorona,
No vão do afeto onde me entrevejo.

O toque é verbo, a entrega é o movimento,
O corpo é verso livre e divagante,
No gozo que se faz puro aquecimento.

Revela-se a vontade, o instante,
Perdidos nesse fogo que é sustento,
Do amor que queima, mudo e delirante.




  Cléia Fialho

sábado, 10 de outubro de 2015

NO CETIM DO TEU LEITO



Teu corpo é mar em noite de verão, 
onde naufraga a fome do meu peito; 
desliza a mão no cetim do teu leito, 
e acende em brasa a minha escuridão. 

Provo o teu lábio em lenta perdição, 
teu seio em flor, teu ventre em doce jeito; 
és o pecado exato, o verso feito 
de carne, sal, suspiro e confissão. 

Percorro-te devagar, sem pressa alguma, 
colhendo em ti o mel que a pele exuma, 
enquanto a lua espia e se consome. 

Envolves-me nas coxas como espuma, 
e em meio ao fogo que nos dois resume, 
grito o silêncio bruto do meu nome. 




  Cléia Fialho

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

TEU OLHAR ME DESNUDA



Na penumbra em que o tempo se desfaz, 
teu olhar me desnuda sem tocar-me; 
basta um sopro teu para incendiar-me, 
basta um gesto e o desejo se refaz. 

Tua boca é o segredo que me traz 
o sabor proibido de entregar-me; 
teu quadril é maré que sabe amar-me 
em ondas que não cessam nunca mais. 

Mordes-me o pescoço em brasa lenta, 
e a pele, arrepiada, se apresenta 
qual mapa aberto à tua exploração. 

Somos dois corpos que a noite alimenta, 
dois versos que uma sílaba ausenta, 
unidos no compasso da paixão. 




  Cléia Fialho

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

NOS LAÇOS DO AMOR



No silêncio da noite que se avizinha,  
Um desejo suave percorre a pele,  
Como brisa que ao luar se revele,  
Sussurros de paixão que a alma adivinha.  

Teus olhos, estrelas em minha linha,  
Encantam-me com um brilho que repele  
Toda a escuridão que em volta se vele,  
E em teu abraço, meu corpo se aninha.  

Nos lábios teus, encontro o doce mel,  
A ânsia do beijo que nunca se solta,  
Sabor de sonhos, promessa fiel.  

E na dança dos corpos, a volta  
Do tempo desaparece, e ao bel-prazer,  
Nos laços do amor, a vida se exalta.  




  Cléia Fialho

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

TEU CORPO É CHAMA



O brilho do teu olhar me traz abrigo,
Teu corpo é chama que me faz sonhar,
No compasso do peito ao te abraçar,
Eu sinto a paz que encontro em ti comigo.

Teus lábios doces me trazem a luz,
Que faz a alma inteira despertar,
No movimento lento do luar,
Teu toque abranda o fogo que seduz.

Na seda dos teus braços me perdi,
Deixando o tempo enfim se dissipar,
Pois só no teu abraço me senti.

O mundo todo para ao te encontrar,
E neste instante tudo o que eu vivi,
Se faz silêncio apenas para te amar.




  Cléia Fialho