TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sábado, 30 de abril de 2016

SENTINDO A FORÇA VIVA


Parece que já nos pertencemos há muito tempo,
como se a vida tivesse ensaiado esse encontro.
Quem diria que seria a primeira vez
que dois rios se cruzam assim,
e ainda assim se reconhecem sem hesitar?

A paixão nos guia sem medo,
sem máscaras, sem defesa.
Só entrega.
Uma chama cresce em silêncio
e nos liberta por inteiro,
como se o mundo deixasse de existir.
Duas almas em instinto,
tocando o céu e a própria essência.

Meu corpo responde ao teu,
em ondas que não se explicam.
Em ti também há esse transbordar.
Como fogo que encontra outro fogo.
O tempo para, sem aviso.
E eu me perco no teu abraço,
sentindo a força viva
do teu coração junto ao meu.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 29 de abril de 2016

ENTREGA PROFUNDA E SERENA



Entre nós
não existem muros,
nem palavras escondidas
atrás do silêncio.

Tudo se revela
no calor do instante,
na verdade das mãos
que se procuram sem medo.

Teu toque encontra o meu
como se já soubesse o caminho,
e nossos corpos se reconhecem
numa entrega profunda e serena.

Não há regras
quando a alma se despe
e o amor dissolve distâncias
que o mundo insiste em criar.

Existe apenas esse momento —
intenso, absoluto,
onde somos abrigo um do outro,
pele, desejo e sentimento
fundidos na mesma chama.

E nesse encontro tão inteiro,
criamos um elo invisível,
forte como o tempo,
delicado como um suspiro,
eterno dentro de nós.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A TERRA CHEIRA A MATE QUENTE



Nos campos do Sul,
o horizonte não tem fim.
A terra cheira mate quente.
O vento corre solto.
Pampa aberto, alma leve.

As moças caminham serenas.

Passos firmes, chão antigo.
Olhar calmo, fundo, silencioso.
Como água escondida no cerro.

Vestem cores que dançam ao sol.

Flores presas no tecido leve.
O tempo ali anda devagar.
E a natureza dita o ritmo.

Fumaça sobe do galpão distante.

Cheiro de lenha no ar.
Elas passam.
E o campo muda de humor.

Não há pressa nos gestos.

Só presença.
São terra, vento e raiz.
São liberdade sem explicação.

Entre bois e quero-quero,
seguem inteiras.
Gaúchas do pampa.
Paisagem que respira.




  Cléia Fialho

terça-feira, 26 de abril de 2016

SINTO O PULSO DO TEU CIO



Desejo em tua morada,
quente boca, madrugada,
me penetra com fervor
como um hino feito em flor.
Sinto o pulso do teu cio,
num delírio, num arrepio.
Entre o sacro e o profano,
sou prazer, corpo e humano.

Nessa chama que me acende,
teu mistério me surpreende.
Fecho os olhos, sou oferenda,
nua prece que se estenda.
Sussurrando em doce alarde,
teu amor em mim se arde.
Sou pecado e devoção,
sou tua em consumação.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 25 de abril de 2016

AS MOÇAS DO PAMPA



Nos campos abertos do Sul,
o vento corre pelas coxilhas.
É um sopro antigo.
Toca a pele.
Toca a memória.

As moças do pampa caminham calmas.

Mas há dança em cada passo.
O olhar delas guarda fogo.
Um brilho que quebra o silêncio.

Entre o mate e o laço na cintura,

a vida segue firme.
O corpo acompanha o sol.
E o tempo vai devagar.

Os vestidos se movem com a brisa.

Como se conversassem com o vento.
Na sombra das figueiras,
sorrisos nascem sem aviso.

Cabelos soltos.

Como potros livres.
O ar traz cheiro de terra molhada.
E perfume de pele viva.

A tarde desenha silhuetas na luz.

Tudo parece mais intenso.
São filhas do campo.
Mas também são mistério.

Há paixão tranquila em seus gestos.

Uma beleza que não corre.
E quando dançam,
o chão muda de ritmo.
O vanerão vira encanto.
E o mundo apenas observa.





  Cléia Fialho

domingo, 24 de abril de 2016

TEU NOME SOPRA NO VENTO



Num caminho tão sereno
vai meu verso a caminhar,
ouve o chão e o céu pequeno,
vem nos olhos se deitar.

A paixão que se derrama
feito orvalho na manhã,
vem na pele acende a chama,
feito sol sobre a maçã.

A noite vem, mansa e lenta,
cobrindo o campo de véu,
e a saudade se apresenta
feito estrela no céu.

Teu nome sopra no vento,
me procura sem ter fim,
vira doce sentimento
que se aninha dentro em mim.

E o destino, em leve dança,
vai traçando o nosso ser,
entre a dor e a esperança
de um amor a florescer.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 22 de abril de 2016

NO COMPASSO DO CORAÇÃO



Na calmaria do campo
vai meu verso de bombacha,
o silêncio é meu acampo
e o amor a minha cancha.

Na pele brota saudade,
feito flor de primavera,
e o beijo tem a verdade
que só o tempo espera.

O vento assovia baixinho
pelas curvas do rincão,
e me guia devagarinho
no compasso do coração.

O mate passa de mão em mão,
no ritual de se querer,
e floresce a devoção
no simples jeito de ser.

No horizonte a luz se espraia,
tinge o céu de inspiração,
e o amor, que nunca se esvaia,
vira eterna canção.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A NOITE GEME EM TEU CIO



Lábios em brasa,
a noite geme em teu cio —
gozo se eleva.

O amor no campo se espraia,
feito flor que quer crescer,
beijo brando, doce saia,
vento a vida a envolver.

Brisa leve em tua trilha,
pele é mapa a seduzir,
e a paixão em forma de ilha
vem no toque a conduzir.

O silêncio se inclina,
como quem sabe escutar,
e a vontade cristalina
se deita no teu olhar.

Entre o sonho e a alvorada,
há um suspiro a pulsar,
uma chama delicada
que insiste em nos chamar.

E o tempo, lento e profundo,
se desfaz sem perceber,
quando dois se fazem mundo
no desejo de se ter.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 20 de abril de 2016

RITO DE GOZO



Sinto teus lábios como brasa viva,
me penetram sem pressa, em devoção.
A volúpia, febril, me torna cativa,
sou templo onde pulsa a tentação.

A cada gesto, um rito se inicia,
numa dança de lume e prazer.
Teu toque é salmo em melodia fria,
me conduz ao limiar do renascer.

Latejas em mim, chama sagrada,
mistura de desejo e oração.
Teu gozo se espalha na alvorada,
como hóstia de luz na imersão.

Sacro e profano em mim se entrelaçam —
somos pecado que os deuses abraçam.




  Cléia Fialho

terça-feira, 19 de abril de 2016

CALOR DO INSTANTE



Teus lábios se aproximam como bruma morna,
tocam os meus com a delicadeza de um presságio.
Sou silêncio que se curva ao calor do instante,
boca que se abre em promessa e desejo.

No teu hálito, floresce um segredo antigo,
e minha pele traduz o idioma do arrepio.
Cada gesto teu é rito, chama, viagem.
Em teus olhos, descubro o altar e o abismo.

Não preciso do nome daquilo que arde —
basta o corpo que se oferece sem censura,
o tempo que se dissolve entre suspiros,
e a magia que inventamos no toque mais leve.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O TEMPO SE RENDE



Teu olhar me invade, me faz querer,
No silêncio, desejo te entender.
Lábios que sussurram segredos ao vento,
Cada toque em meu corpo é um tormento.

Em teus braços, o mundo é todo meu,
O prazer, como o mar, flui sem freio.
A cada beijo, o desejo acende,
E em teu abraço, o tempo se rende.

E fico assim, suspensa no instante,
como quem perde o rumo e ainda avança,
um passo em falso que vira horizonte
e um coração que já não se cansa.

Teu nome ecoa em minhas entrelinhas,
feito maré que insiste em retornar,
e tudo em mim se desfaz em linhas
que só o teu toque sabe organizar.

Há um fogo calmo que me percorre,
sem pressa, sem medo, sem direção,
como se o mundo inteiro morresse
para nascer dentro da tua mão.

E se me perco, que seja em teu riso,
nesse abrigo que inventa o infinito,
onde o desejo deixa de ser preciso
e vira apenas o que sinto e repito.





  Cléia Fialho

domingo, 17 de abril de 2016

O ECO DA SAUDADE



Na calma da noite serena,
Sinto o eco da saudade.
De quem está longe, e me acena,
Fazendo-me sonhar de verdade.

Em meu peito, a saudade voa,
Com vontade de tê-lo à toa,
Num abraço quente, sem fim,
Que só existi entre nós, enfim.

E a noite, tão lenta e profunda,
vai costurando o silêncio em mim,
como quem borda lembranças na penumbra
sem saber bem onde começa o fim.

Te procuro no espaço entre os segundos,
nesse intervalo que o peito inventa,
onde os sonhos se fazem mais fundos
e a ausência, de ti, se alimenta.

Se o vento passa, me fala teu nome,
num sopro leve que insiste em ficar,
e a distância, ainda que me consome,
não sabe o jeito de te apagar.

Então sigo — verso aberto, incerto —
feito rio buscando o mar,
com o coração sempre desperto
na esperança de te encontrar.





  Cléia Fialho

sábado, 16 de abril de 2016

CORAÇÕES SELVAGENS



A cada toque, o desejo floresce,
Brilhando nas sombras da nossa paixão,
Corações selvagens, onde o amor aquece,
Dançamos no tempo, sem razão.

Em cada beijo, a chama se eleva,
Sussurros de amor, o corpo a estremecer,
Nos teus braços, o mundo se renova,
Mergulho em teu ser, onde nasce o prazer.

E a noite, cúmplice, se curva em silêncio,
como quem guarda segredos na palma do escuro,
o instante suspenso entre o antes e o depois
arde suave, sem pressa, sem muro.

Teu nome se espalha no ar como brisa acesa,
tocando o invisível entre pele e emoção,
e cada segundo se veste de surpresa
no compasso indeciso do coração.

Há um mundo que nasce onde o gesto se encosta,
onde o olhar se demora mais do que deveria,
e a realidade, por um momento, se aposta
na invenção delicada da nossa sintonia.

Seguimos assim — sem mapa, sem norte, sem fim,
apenas dois rios buscando o mesmo mar,
e o que em nós se revela, tão dentro de mim,
é esse eterno aprender de amar.





  Cléia Fialho