TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quinta-feira, 29 de maio de 2014

A PULSAÇÃO DAQUELE ORGASMO



Ele entrou no apartamento e ela já estava de joelhos.

Não fora combinado. Não era necessário. Era o lugar dela. O lugar que ela escolhia sempre que a fome apertava e a noite permitia. A saia preta subira até à anca. Os seios escapavam do sutiã. O cabelo caía sobre o rosto, mas não escondia os olhos. Os olhos estavam fixos naquele membro que ele ainda não desembainhara, mas que já adivinhava — duro, cheio, pronto.

Ele não falou. Não precisava. Fechou a porta, despiu o casaco, despiu a camisa. Depois parou diante dela, com a mão no cinto, a olhá-la como se medisse a profundidade do seu desejo.

— Abre a boca — ordenou. A voz arrastava-se, áspera e lenta.

Ela obedeceu. Os lábios entreabriram-se, a língua apareceu, húmida e exposta. Ele libertou o sexo da roupa e guiou-o até àquele espaço quente, sem pressa, fazendo-a sentir o peso antes do sabor. Ela enrolou a língua à volta da glande e ele fechou os olhos por um segundo — só um segundo. O suficiente para ela perceber que ele já não controlava tudo.

A boca dela deslizou sobre ele com uma cadência perfeita, sugando, apertando, alisando. As mãos dela subiram pelas coxas dele, os dedos a arranharem a pele enquanto a cabeça se movia para trás e para diante. Ele segurou o cabelo dela, guiando o ritmo, e sentiu o calor molhado a envolvê-lo por inteiro.

— Enfia — disse ele, com a respiração a falhar.

Ela obedeceu. A garganta abriu-se, os músculos relaxaram, e ela levou-o até ao fundo, até onde a saliva escorria e o ar faltava. Ficou ali, imóvel, a sentir a pulsação dele contra o fundo da garganta. Um momento de posse absoluta. Depois recuou, ofegante, o batom borrado, os olhos cheios de um brilho intenso e nítido.

— Não chegou — murmurou ela, e a voz estava rouca, trémula.

Ele riu baixinho, um riso que era também uma promessa.

— Eu sei.

Puxou-a pelo braço e atirou-a para a cama. Ela aterrou de bruços, os joelhos contraídos, a bunda erguida como uma oferenda. Ele ficou atrás dela, os dedos a deslizarem pela prega que separava as nádegas, a descerem até à entrada que ainda não fora tocada. Ela arrepiava-se toda quando ele tocava ali.

— Isto também — disse ele, e não era uma pergunta.

— Tudo — respondeu ela, a face enterrada no colchão.

Ele mergulhou os dedos no líquido que escorria da fenda dianteira, abundante e quente, e levou-o até ao cuzinho. A lubrificação natural escorreu pelos dedos, e ele pressionou com a ponta de um, sentindo a resistência ceder devagar, como uma fruta que se abre à pressão certa. Ela contraiu-se e relaxou, contraiu-se e relaxou, até que o dedo inteiro deslizou para dentro.

Ela gemeu contra o colchão. Não de dor — de espera. Sabia o que vinha.

Ele retirou o dedo e alinhou-se. O sexo erecto e duro pressionou a entrada apertada, e ele empurrou. Lentamente. Com a firmeza de quem não tem pressa mas não vai desistir. Ela arqueou as costas, arranhou os lençóis, e sentiu-o entrar — centímetro a centímetro, como se ele estivesse a desbravar um território que só ele conhecia.

Quando ele esteve completamente dentro, parou. Ela sentiu a plenitude, a pressão, a distensão que a enchia de um modo que nenhum outro toque conseguia. Ele esperou, deu-lhe tempo para se adaptar, para sentir o peso do corpo dele sobre o dela, a respiração quente na sua nuca.

— Anda — pediu ela, a voz abafada e gulosa.

Ele começou a mover-se. No início, os movimentos eram curtos e fundos, como quem explora cada centímetro. Mas rapidamente o ritmo ganhou velocidade, uma cadência brutal e precisa que fazia a cama gemer e os lençóis se desfazerem. Ela apertava os olhos e mordia o braço, mas os sons escapavam-lhe — gemidos roucos e prolongados que se misturavam com o som húmido da penetração.

Ele segurou os cabelos dela e puxou para trás, forçando-a a arquear ainda mais, a oferecer-se por inteiro. A outra mão desceu à frente, encontrando o ponto onde o clitóris pulsava, molhado e inchado, e começou a acariciá-lo com uma precisão que a fez estremecer.

— Não pares — sussurrou ela — não pares, não pares, não...

E ele não parou. Aumentou o ritmo, os quadris batendo contra as nádegas, a mão ainda a tocar-lhe a parte da frente, a respiração ofegante, o corpo todo concentrado naquela entrega dupla.

O gozo chegou como uma onda que não avisa. Primeiro, um tremor na barriga dela; depois, um arrepio que subiu da nuca até à ponta dos pés; depois, o grito — abafado, profundo, incontrolável. O corpo dela contraiu-se violentamente à volta dele, apertando-o como se quisesse prendê-lo para sempre.

Ele sentiu a pulsação daquele orgasmo e perdeu-se. Os movimentos tornaram-se desordenados, os músculos do abdómen contraíram-se, e o líquido quente jorrou dentro do cuzinho dela, preenchendo-a, escorrendo pelos bordos, a respiração dele a falhar. O corpo dele tombou sobre o dela e o silêncio encheu o quarto.

O silêncio, porém, não era vazio. Era cheio de suor, de peles coladas, de respirações a retomarem o fôlego. Ela sentiu o peso dele e não se importou. Queria aquela moleza, aquele cansaço que só o sexo violento trazia.

Quando ele finalmente se afastou, o movimento foi lento, quase relutante. Ela virou-se e viu-o deitado ao lado dela, olhando o tecto com uma expressão que ela conhecia bem — a expressão de quem fora arrebatado e não sabia como o admitir.

— Gostaste? — perguntou ele, a voz ainda rouca.

Ela riu baixinho, com um som grave que podia ser gozo ou cinismo.

— A pergunta certa é: vais repetir?

Ele virou a cabeça e olhou-a. Os olhos encontraram-se no escuro e, durante um longo segundo, ninguém respondeu.

Depois ele disse:

— Ainda não saí da cama.

Ela sorriu e abriu as pernas outra vez.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O DOMÍNIO DO CORPO



Ela estava deitada de bruços quando ele entrou no quarto. Não se mexeu. Queria que ele a visse assim — espalmada, entregue, as pernas ligeiramente separadas, a pele ainda quente do banho que tomara enquanto o esperava. A toalha caíra para o lado, deixando as curvas expostas, as marcas da água a escorrerem pelas costas. Não era uma pose. Era uma declaração.

Ele parou na porta. Os olhos percorreram-na devagar, como um ladrão que examina uma joalharia antes do assalto. Cada centímetro daquela pele era uma promessa. Cada sombra entre as coxas era um convite. Ele tirou a camisa sem pressa, os dedos a desabotoarem um a um. Depois a calça. Depois a cueca. Depois tudo.

— Fica assim — ordenou. A voz saiu-lhe baixa e metálica, como aço enrolado em seda.

Ela obedeceu. Não havia alternativa. Aquele tom não admitia hesitação.

Ele montou-a por trás, o corpo a cobrir o dela como uma segunda pele. As mãos escorregaram pelos ombros, pelas costas, até se fixarem nos quadris. Os dedos pressionaram a carne, abrindo caminho para o centro húmido que já pulsava, à espera. Ela não se conteve. Empinou o rabo contra a mão dele, oferecendo-se, pedindo silenciosamente.

— Assim? — perguntou ele, a ponta do sexo a roçar-lhe a entrada.

— Assim — respondeu ela, a voz presa na garganta.

Ele entrou devagar, uma polegada de cada vez, como quem saboreia um prato que esperou a noite inteira. Ela sentiu a cabeça a abrir-lhe as paredes internas, a deslizar entre o líquido quente que já escorria, a preenchê-la até ao limite. Quando ele chegou ao fundo, parou. Ficou imóvel. Apenas a respiração quente na nuca dela, os dedos a apertarem-lhe os quadris.

— Mexe-te — sussurrou ela, a impaciência a vibrar nas cordas vocais.

Ele sorriu. E começou a mover-se. Não como um amante — como um animal que finalmente encontrou a presa. O ritmo era brutal, as estocadas fundas e curtas, a pele a bater na pele com um som húmido que preenchia o quarto. Ela enterrava a cara no travesseiro, os dentes a morderem o tecido, os gemidos a escaparem-lhe em ondas.

De repente, ele parou. Saiu dela por completo. Ouviu-se o som molhado da separação, e ela quase gemeu de frustração. Mas não teve tempo de reclamar. Ele virou-a como se ela fosse uma boneca de pano, deitando-a de costas, e sentou-se no peito dela. O sexo erecto, brilhante e húmido, oscilava diante dos olhos dela, a poucos centímetros da sua boca.

— Abre — disse ele.

Ela abriu a boca. A língua deslizou para fora, húmida e pronta, e ele enfiou-lhe o membro inteiro, sem aviso, sem piedade, até sentir a garganta a contrair-se à volta da glande. Ela não resistiu. A mão direita subiu, agarrou-lhe as nádegas, e puxou-o para dentro, pedindo mais profundidade, mais entrega, mais sufoco.

Ele começou a bombar-lhe a boca com a mesma violência com que a penetrara. Os dedos enroscaram-se no cabelo dela, guiando o movimento, forçando o ritmo. Ela não hesitou. A língua dançava à volta da haste, os lábios apertavam a pele, os olhos fixos nos dele, molhados e desafiantes.

— Chupa — rosnou ele — chupa até não restar nada.

Ela chupou. Cada centímetro foi percorrido pela língua, cada veia foi sentida, cada pulsação foi saboreada. O gosto salgado e doce misturava-se com a saliva, e ela sentia o corpo dele tenso, a respiração a acelerar, os quadris a perderem o ritmo. Sabia que ele estava perto. E isso excitava-a ainda mais.

Mas ele recuou antes de chegar. A respiração ofegante, os olhos semicerrados. Ela lambeu os lábios, o batom desaparecido, os cantos da boca brilhantes. Não disse nada. Apenas abriu as pernas e levou a mão ao centro, os dedos a deslizarem sobre o clitóris inchado e molhado.

— Olha — disse ela, com a voz rouca — olha como eu me toco enquanto penso em ti.

Os dedos deslizaram em círculos lentos, depois rápidos, depois profundos. Ela enfiou dois dedos dentro de si, arqueou as costas, e deixou que ele visse cada movimento, cada contração, cada gota de prazer que escorria pelos seus dedos. Ele ficou imóvel, a assistir, o sexo duro e trémulo entre as pernas.

— Queres ver-me gozar? — perguntou ela, sem parar o movimento.

Ele não respondeu. Apenas se aproximou, ajoelhou-se entre as pernas dela, e afastou-lhe a mão. Substituiu os dedos dela pelos seus, entrou com dois, curvou-os para cima, encontrou o ponto que a fez gritar. O polegar pressionou o clitóris, e a outra mão apertou-lhe a coxa, abrindo-a ainda mais.

Ela começou a tremer. Os olhos reviraram, o peito arfou, as unhas cravaram-se no braço dele. O prazer subiu como uma maré que não pode ser contida, e ela deixou-se levar — o grito escapou-lhe rouco e longo, o corpo contraiu-se violentamente, os dedos dele continuaram a mexer-se durante todo o orgasmo, prolongando cada onda, cada espasmo, cada segundo de êxtase.

Quando ela finalmente acalmou, a respiração descontrolada, o suor a escorrer pela testa, ele retirou os dedos lentamente e levou-os à boca. Lambeu-os, sem pressa, os olhos fixos nos dela.

— Agora a minha vez — disse ele, e puxou-a para a borda da cama, deitando-a de lado, e entrou-lhe por trás com uma estocada única, seca, funda, que a fez arquejar.

Desta vez, não houve pausa. Não houve piedade. A fera tinha sido despertada e não ia parar até se saciar. Ele segurou o pescoço dela com uma mão, a outra apertou-lhe a anca, e o ritmo era tão veloz que a cama rangeu e a cabeceira bateu na parede.

Ela não se conteve. Os gemidos eram gritos abafados, o nome dele escapava-lhe em fragmentos, as mãos arranhavam os lençóis à procura de uma âncora que não existia. Ele sentiu o corpo dela contrair-se outra vez, outro gozo a aproximar-se, e acelerou ainda mais, querendo chegar ao mesmo tempo que ela.

— Vem — sussurrou ele, a voz partida — vem comigo.

Ela veio. E ele veio. Os corpos colidiram num último movimento desesperado, o líquido quente a jorrar dentro dela, os músculos a contraírem-se ao mesmo tempo, a respiração a falhar, a pele a arder. O silêncio depois foi total — apenas o som das respirações a acalmarem-se, das peles a separarem-se lentamente.

Ele deitou-se ao lado dela, ofegante, os olhos fixos no tecto. Ela virou-se para ele, a mão a descansar no peito dele, a sentir o coração a bater como um tambor.

— Ainda não acabou — disse ela, com um sorriso lento.

Ele olhou-a de lado e viu o brilho nos olhos dela. E soube que a noite ainda tinha muitas horas.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 23 de maio de 2014

terça-feira, 20 de maio de 2014

ELA DOMINA E ELE OBEDECE



A SENHORA

Ele entrou de joelhos. Não fora obrigado, não fora pedido. Foi instinto. Ao vê-la sentada na poltrona, a perna cruzada sobre a outra, a saia preta subida até ao meio da coxa, o batom vermelho como uma ferida aberta, ele soube que o lugar dele era ali — no chão, aos pés dela, à espera.

Ela nem olhou para ele de imediato. Os dedos dela percorriam a borda de um copo de vinho, lentamente, como quem acaricia uma pele que conhece de cor. O silêncio era tão pesado que ele ouvia a própria respiração a tremer. Ela bebeu um gole, colocou o copo sobre a mesa, e só então desceu o olhar até ele.

— Aproxima-te — disse ela, a voz baixa e firme.

Ele rastejou até ela. As mãos apoiadas no chão, os olhos fixos nos dela. Quando chegou perto, ela inclinou-se para a frente e segurou-lhe o queixo com dois dedos. A unha vermelha roçou-lhe o lábio inferior.

— Abre a boca.

Ele obedeceu. A língua dele apareceu, húmida e exposta, como um animal que se oferece ao dono. Ela cuspiu-lhe na boca. Lentamente. A saliva escorreu-lhe pelo queixo e ele engoliu, os olhos ainda presos nos dela.

— Bom rapaz — sussurrou ela, com um sorriso que era também um chicote.

Ela levantou-se, e ele continuou de joelhos. Caminhou até à cama, sentou-se na borda e abriu as pernas. A saia subiu, a lingerie apareceu, húmida e translúcida.

— Vem cá — chamou ela, com a voz a arrastar-se.

Ele rastejou até à cama, ainda de joelhos. A boca dele encontrou a coxa dela, os lábios a beijarem a pele, a língua a deslizar até ao centro húmido. Ela não o tocou. Não lhe segurou os cabelos, não lhe guiou o movimento. Queria que ele se entregasse por vontade própria. E ele entregou-se. Cada lambida era um pedido de perdão. Cada sucção era uma promessa de submissão.

Ela deitou-se de costas, abriu as pernas e apontou para o centro.

— Quero ver-te gozar assim — disse ela — com a boca em mim.

Ele obedeceu. A língua mergulhou fundo, os dedos apertaram-lhe as nádegas, o ritmo era desesperado. Ela não gemiu. Não se mexeu. Apenas observou, os olhos semicerrados, o corpo imóvel, enquanto ele a devorava como quem morre de fome.

Quando ela finalmente chegou, o gozo foi silencioso — uma contracção profunda, um arquejar contido, uma mão que se fechou nos cabelos dele e o prendeu ali, até a última onda passar.

Ele ficou deitado no chão, a respiração ofegante, a testa encostada à cama. Ela levantou-se, ajustou a saia, pegou no copo de vinho.

— Estás despedido — disse ela, com um sorriso.

Ele olhou para ela, sem compreender.

Ela aproximou-se, inclinou-se e sussurrou-lhe ao ouvido:

— Vais ter de implorar para ficares.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A COREOGRAFIA DA BOCA



A  boca dela encontrou-lhe o pescoço e ele deixou de respirar. A língua arrastou-se da clavícula até à orelha, lenta, deixando um rasto de saliva que arrefeceu na pele antes que ela soprasse por cima. Ele estremeceu. As mãos fecharam-se em punhos contra o colchão.

— Saboreia-me — sussurrou ele, a voz já entrecortada. — A noite toda. Venda-me.

Ela lambeu os lábios. Os dedos deslizaram pela testa dele e pousaram a venda escura sobre os olhos. O mundo apagou-se. Cada som ampliou-se — a respiração dela, o roçar do tecido, o latejar do próprio sangue nos ouvidos.

Os quadris dela rodaram contra a ereção dele, a vulva molhada esfregando-se pelas calças num ritmo preguiçoso. Ele arqueou-se, contorceu-se, a tesão a latejar contra o peso dela.

— Toma-me — implorou.

As mãos dela empurraram-lhe os ombros contra a cama. A boca desceu pelo peito, lambendo, mordendo, parando. Ele gemia, cego, os quadris a subir à procura dela.

Ela afastou os quadris e sussurrou "ainda não" contra a pele encharcada de suor dele.

As mãos dela agarraram-lhe as coxas e abriram-nas com força, os joelhos a pressionarem contra o colchão, expondo-o completamente. Ele sentiu o ar frio na pele molhada de suor, os testículos encolhidos, o pénis duro a pulsar contra o ventre. A venda escura mantinha-o cego, cada nervo concentrado no que viria a seguir.

Ela posicionou-se sobre ele. A ponta da vulva molhada roçou a glande e ele gemeu, os quadris a subir involuntariamente. Ela desceu. Devagar. A vagina quente engoliu-lhe o pénis centímetro a centímetro, uma estocada mansa que parecia durar uma eternidade. Três segundos. Quatro. Cinco. Até à base. Ele sentiu os lábios dela contra os testículos, o calor húmido a envolvê-lo por completo.

— Assim — murmurou ele, a voz rouca. — Assim, devagar.

Ela obedeceu. Os quadris subiram, o pénis a deslizar para fora, a glande quase a sair antes de descer outra vez. Lento. Profundo. Cada estocada durava três segundos, a fricção a arrancar-lhe gemidos que já não controlava. A vagina apertava-o na subida, soltava-o na descida, um ritmo que o fazia delirar.

— Fode-me — implorou ele, a vergonha dissolvida na escuridão da venda. — Fode-me como quiseres.

As mãos dela agarraram-lhe os pulsos e cravaram-nos contra o colchão. As unhas entraram-lhe na pele. Os quadris dela começaram a bater contra ele, estocadas rápidas, o pénis a entrar até ao fundo, os testículos a baterem contra a vulva molhada com um som húmido que enchia o quarto. O ritmo tornou-se furioso. Ela cavalgava-o com uma fome que o desfez, cada batida a arrancar-lhe um gemido mais alto, mais rouco, mais desesperado.

A boca dela caiu sobre a dele. A língua invadiu-o, quente e molhada, a saliva a misturar-se enquanto os gemidos de ambos se abafavam mutuamente. Ele chupou-lhe a língua, mordeu-lhe o lábio, os quadris a subirem para a encontrar a meio caminho. A vagina apertou-se em espasmos à volta do pénis, o líquido vaginal a escorrer pelos testículos, pelo lençol, quente e abundante.

— Vou-me vir — gemeu ele, o corpo a arquear-se.

O orgasmo rebentou. O sémen espesso jorrou em jatos dentro da vagina, um, dois, três espasmos que lhe roubaram o ar. O gemido escapou-se-lhe rouco pela garganta, o corpo a tremer, os pulsos ainda presos nas mãos dela. Ela apertou-se à volta dele, os espasmos da vagina a ordenharem-lhe o pénis, a espalmar o prazer no sexo dele enquanto gemia contra a boca dele.

— És meu — sussurrou ela, a voz trémula.

Os corpos ainda tremiam. Ela mordeu-lhe o ombro e sussurrou "meu" enquanto o último espasmo do orgasmo esvaziava o corpo dele.

A venda escura escorregou devagar dos olhos dele, o tecido húmido de suor a deslizar pela testa até cair na almofada. A luz pálida das persianas revelou o rosto dela pousado sobre o peito dele, os lábios carnudos entreabertos num sorriso satisfeito, os olhos ainda devoradores mas agora saciados. Ela respirou fundo, o hálito quente a espalhar-se pela pele molhada dele.

Os corpos ainda tremiam. Os espasmos pequenos percorriam as coxas dele, o ventre dela, os músculos que se recusavam a aquietar. O sémen e os líquidos vaginais misturavam-se num fio leitoso que escorria entre as coxas dela, quente e espesso. 

Ela moveu os quadris devagar, um último roçar antes de erguer o corpo o suficiente para o pénis mole escorregar para fora da vagina. O som foi húmido, um pequeno estalar molhado que ecoou no quarto escuro. O sémen escorreu imediatamente da entrada, um fio branco que pingou no lençol já manchado.

Ela não se afastou. As mãos subiram pelo abdómen dele, as pontas dos dedos a traçar as linhas dos músculos ainda tensos, as palmas a espalmarem-se sobre o peito suado. As unhas arrastaram-se devagar pelos mamilos sensíveis, arrancando-lhe um arrepio que lhe percorreu a espinha. Ele gemeu baixinho, um som frágil e entregue.

— Sou teu — murmurou ele, a voz rouca e sem resquício de vergonha. As palavras saíram como uma verdade simples, um facto consumado que já não precisava de defesa.

Ela sorriu. Um sorriso lento, os lábios a curvarem-se enquanto os olhos o fitavam. Não respondeu com palavras. Apenas deixou que o sorriso dissesse tudo.

Os dedos dela entrelaçaram-se nos dele e ele fechou os olhos, finalmente possuído.




  Cléia Fialho

domingo, 11 de maio de 2014

A MULHER QUE TREME



As mãos dela tremiam. Anne sentia os dedos contra o próprio ventre, incapaz de aquietá-los, enquanto Edu se aproximava na penumbra do quarto. A respiração falhou quando os dedos dele roçaram seus ombros por cima do tecido fino da blusa — um toque lento, provocante, que deslizou pela curva dos braços e voltou a subir. Ela estremeceu.

O roçar do corpo dele contra o seu despertou algo fundo. A pele quente de Edu encontrou a dela e o medo que a prendia começou a se desfazer, migalha por migalha, sob a pressão daquele atrito mínimo. Anne fechou os olhos e deixou a cabeça cair para trás.

Ela enterrou o rosto no pescoço dele e inalou. O cheiro de pele quente, de suor ainda fresco, saturou-lhe os sentidos. Era denso, masculino, e tomou conta do quarto escuro como se fosse a única coisa que importasse. Os corpos se pressionaram de pé — os peitos dela esmagados contra o peito firme de Edu, o suor já se formando entre eles. Anne arfou contra a garganta dele.

— Sou faminta de ti — sussurrou, e puxou a camisa dele para baixo.

As mãos dele encontraram a barra da blusa e puxaram para cima. O tecido roçou os mamilos eretos de Anne antes de cair no chão. Ela arquejou quando os seios nus se esmagaram contra o peito pelado de Edu — o calor da pele dele queimando a sua, os batimentos cardíacos trovejando em uníssono. 

A boca de Anne encontrou a dele em um beijo faminto, desesperado, dentes batendo, línguas se enrolando. Edu a puxou para mais perto e desceu a boca pelo pescoço dela, sugando a pele com força. A saliva escorreu enquanto ele deixava uma marca escura na curva entre o ombro e a garganta. 

Anne gemeu e empurrou Edu contra a parede. As pernas dela subiram e envolveram a cintura dele, e a buceta molhada roçou o pau duro por cima da calcinha fina. Edu apertou os quadris dela com os dedos cravados na carne e a puxou contra si em um ritmo urgente. Anne gemeu alto quando ele rasgou a calcinha e a empurrou contra a parede.

Com uma estocada bruta, Edu empurrou o pau duro e grosso dentro da buceta encharcada de Anne. Ela gritou contra a parede, as unhas cravadas nos ombros dele, as pernas apertando a cintura com força. O cheiro de pele quente e suor saturou o ar enquanto Edu a fodia de pé, ritmo profundo e implacável, o pau entrando até o fundo a cada investida. Os fluidos de Anne escorriam pelo pau dele, brilhando na penumbra, o som molhado da carne se chocando enchendo o quarto.

Anne arqueou as costas e soltou um gemido involuntário e alto, as paredes da buceta apertando o pau de Edu em espasmos. — Mais... — ofegou ela, a voz estrangulada. — Sempre mais...

Edu a jogou na cama de costas, o colchão afundando sob o peso. Ele levantou as pernas dela nos ombros e a penetrou novamente com estocadas violentas, os testículos batendo contra o cu de Anne em um ritmo furioso. Ela mordeu o ombro dele e arranhou as costas com as unhas, a buceta engolindo o pau inteiro, o som de carne molhada ecoando. Edu abaixou a cabeça e lambeu o mamilo duro de Anne, saliva escorrendo pelo bico do peito enquanto a fodia cada vez mais rápido.

Anne o empurrou de costas na cama e montou no pau dele, os quadris rodando, a buceta engolindo o pau até a base. O líquido dela pingava nos testículos de Edu, quente e viscoso. Edu agarrou os quadris dela e a empurrou para baixo com força, ritmo furioso, o pau entrando até o fundo. Anne gozou com a buceta contraindo em espasmos ao redor do pau dele, um gemido estrangulado escapando dos lábios, o gozo escorrendo pelo pau de .

Edu gozou dentro da buceta de Anne com um rosnado grave, o esperma quente enchendo-a e transbordando pela entrada, escorrendo pelos testículos dele. O cheiro de sexo e suor impregnava o ar. O esperma de Edu escorre da buceta de Anne enquanto ela ainda treme sobre ele.

Ela desmoronou sobre o peito dele, o corpo ainda percorrido por tremores que vinham em ondas cada vez mais espaçadas. O coração de Edu batia forte sob a orelha dela, um tambor abafado que parecia ocupar o quarto inteiro. Anne fechou os olhos e deixou-se ficar ali, o peso do corpo dele sob o dela, o esperma ainda escorrendo lentamente de sua buceta e umedecendo a pele das coxas. 

Os corpos estavam grudados pelo suor, o peito dele colado ao dela, e cada respiração fazia o roçar do corpo reacender uma centelha mínima de atrito — pele quente contra pele quente, já sem urgência, apenas presença.

O cheiro de sexo e suor saturava os lençóis, denso e morno, e Anne inalou profundamente. O odor de Edu estava em tudo — na almofada, na própria pele dela, no ar parado da madrugada. Ela reconhecia aquele cheiro como uma âncora, a prova física de que ele ainda estava ali, de que ela ainda estava ali, inteira.

— Sou eu — sussurrou, os lábios roçando o peito dele. — Em um todo para Edu.

Edu não respondeu com palavras. As mãos grandes percorreram as costas dela em movimentos lentos, as pontas dos dedos seguindo o desenho da coluna, a pele úmida respondendo a cada toque. Ele a apertou contra si, um gesto que era posse e entrega ao mesmo tempo, e Anne sentiu o braço dele envolvê-la como se a selasse naquele lugar.

Ela fechou os olhos sorrindo enquanto Edu puxava o lençol e cobria os dois.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 8 de maio de 2014

AMARRAR-ME A TI



Os lençóis revolvidos enrolavam-se-lhe entre os dedos, o tecido húmido do suor que lhe escorria pelas costas magras. Torcia o algodão com força, a respiração falhada, o peito a arder. A fúria do corpo represada latejava-lhe nas coxas, na garganta seca, na ganância de ter o sexo do outro cravado em si — o peso, o cheiro, o sabor do fluido que ainda não provara. 

A luz de rua na parede cortava o quarto em lâminas pálidas, vazias. Ele não sabia se o amante estava perto ou longe, se já o tivera sem saber ou se ainda viria. Agarrou o próprio pulso com força, os olhos escuros fixos no teto. "Diz-me quem sou para ti. Diz-me o que queres de mim." A voz saiu rouca, súplice e exigente. Depois ouviu passos no corredor e a maçaneta a ceder.

A porta abriu-se sem pressa, e a luz de rua na parede desenhou-lhe os ombros largos, a mandíbula endurecida, o olhar pesado que não pedia licença. Ele entrou e fechou a porta atrás de si, o silêncio a engrossar entre os dois.

O peito magro arfava, os dedos ainda torciam os lençóis. Depois largou tudo e atirou-se para a frente, as mãos a agarrar a camisa do Amante com a força de quem se afoga.

— Não me deixes ir.

A voz saiu rouca, falhada, os olhos escuros cravados nos dele.

— Não me deixes ir.

O Amante não respondeu. Empurrou-o de costas sobre os lençóis revolvidos, a mão espalmada no peito nu, o peso do corpo a prendê-lo contra o colchão. A boca desceu dura sobre a dele, a língua a forçar entrada, o beijo molhado e urgente, sem pausa para respirar. Os dedos do peito magro cravaram-se-lhe nos ombros, as unhas a marcar a camisa, a puxá-lo para mais perto, para dentro, para onde não houvesse fuga possível.

O Amante afastou-se o suficiente para lhe ver os lábios húmidos e os olhos a arder. Endireitou o tronco, puxou a camisa sobre a cabeça e desabotoou as calças sem desviar o olhar.

As calças caíram no chão e o Amante ficou nu da cintura para baixo, o pau já duro e grosso, a luz de rua a desenhar-lhe o contorno. Inclinou-se sobre o corpo magro, os dedos a puxar o resto da roupa que ainda cobria o protagonista, a despachá-la com gestos curtos e brutos. 

Depois os joelhos forçaram as coxas a abrir, a separá-las sobre os lençóis revolvidos, o peso a prender as pernas contra o colchão. O protagonista gemeu, o peito a arfar, as mãos a agarrar os lençóis como se fossem a única âncora.

— Mete-o. A voz saiu esganiçada, os olhos escuros fixos no pau que pulsava entre as pernas abertas. — Mete-o agora.

O Amante não se apressou. A mão direita envolveu o pau do protagonista, uma punheta seca e firme, o polegar a passar sobre a glande já húmida. O corpo magro estremeceu, as ancas a subir contra a palma, um gemido a rasgar-lhe a garganta. O Amante olhou-o de cima, a mandíbula dura, os olhos a escurecer enquanto o masturbava com força, o som da pele seca a encher o quarto.

— Assim não — o protagonista puxou-lhe o braço, os dedos a cravar-se na pele. — Quero provar-te.

O Amante largou-o e endireitou o tronco, os joelhos ainda a manter as coxas abertas. O protagonista ergueu-se sobre os cotovelos, a boca a procurar o pau, a língua a passar pelo sulco da glande, a lamber o fluido que já escorria da ponta. O sabor salgado encheu-lhe a boca, a saliva a misturar-se com o pré-leite enquanto chupava com fome, a cabeça a mover-se para a frente e para trás, os lábios a apertar a pele quente. 

O Amante gemeu baixo, a mão a agarrar-lhe o cabelo revolto, a puxar-lhe a cabeça para mais fundo. A saliva escorria pelo queixo do protagonista, os olhos a lacrimejar, mas não parou — chupou até sentir o pau pulsar contra a língua, até o Amante o puxar para trás com força.

— Chega.

Empurrou-o de costas outra vez, os joelhos a abrir-lhe as coxas com mais força, a posicionar-se entre elas. O protagonista sentiu a glande a pressionar a entrada, o calor do pau contra o cu, e arquejou. O Amante cuspiu na mão, espalhou a saliva sobre o próprio pau e empurrou. Um thrust único, duro, até ao fundo. O gemido que saiu da garganta do protagonista foi involuntário, um som rouco e quebrado, as costas a arquear, as unhas a cravar-se nos lençóis.

— Assim — gemeu, a voz a falhar. — Assim.

O Amante começou a mover-se, as estocadas longas e lentas, o pau a sair quase todo antes de empurrar de novo até ao fundo. O cu apertava-o a cada thrust, lubrificado pelo fluido que o protagonista espalhara com a boca, pelo pré-leite que escorria do próprio pau. 

O ritmo subiu — de lento a duro, de duro a brutal. As ancas do Amante batiam contra as nádegas com um som molhado, a mão a agarrar o quadril magro, os dedos a marcar a pele, a puxar o corpo contra cada estocada. O protagonista agarrou-lhe as costas, as unhas a riscar a pele suada, as pernas a enrolarem-se-lhe na cintura.

— Mais — implorou, a voz a quebrar-se. — Mais fundo.

O Amante obedeceu. O pau enterrou-se até às bolas, os thrusts a acelerarem, o som da carne a bater na carne a encher o quarto escuro. O protagonista sentiu o próprio pau a esfregar-se contra o ventre duro do Amante, o atrito a empurrá-lo para o limite, o corpo a espasmar. 

O Amante gemeu grave, os dentes cerrados, e veio-se — o leite a jorrar dentro do cu, quente e espesso, enterrado até ao fundo. O protagonista gritou, o corpo a arquear, e o próprio leite jorrou sobre o ventre e os lençóis revolvidos, os espasmos a sacudi-lo enquanto o Amante ainda pulsava dentro dele.

O Amante desabou sobre o corpo magro, ainda dentro dele, o leite a escorrer entre os dois corpos suados.

O Amante não se afastou. Ficou ali, o peito colado ao dele, o pau a amolecer devagar dentro do cu ainda a pulsar. As pernas magras cruzaram-se-lhe nas costas, os calcanhares a pressionarem a base da espinha, recusando soltar. O leite quente escorreu do cu, a descer entre as coxas, a colar-se aos lençóis revolvidos. 

A luz de rua na parede iluminava os dois corpos entrelaçados, suados e imóveis. O silêncio agora era de presença. A mão do Amante pousou no peito magro, os dedos abertos sobre o coração a abrandar. Ele suspirou e fechou os olhos.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O DEDO QUE A FAZ CONTORCER



A  multidão apertava-a contra ele, corpos anónimos a comprimirem-se na penumbra abafada. Sentia-lhe o peito duro contra as costas, a respiração quente no pescoço. A mão dele subiu-lhe pela cintura, lenta, os dedos a agarrarem-lhe o seio por cima do tecido fino da blusa. Mordeu o lábio inferior, um gemido preso na garganta. 

Ele apertou, o polegar a encontrar o mamilo, desenhando círculos lentos que lhe arrancavam pequenos espasmos. Depois a mão deslizou para dentro da roupa, pele contra pele, e o mamilo endureceu-lhe entre os dedos.

Apertou-se mais contra ele, as nádegas contra a virilha, e sentiu-o hirto. A mão dele desceu-lhe pela barriga, os dedos a insinuarem-se por baixo do cós da saia, a encontrarem o algodão húmido da roupa interior. Tocou-a ali, a ponta do dedo a pressionar o clitóris por cima do tecido, esfregando em movimentos curtos que a fizeram contorcer-se, as pernas a fraquejarem. A vulva humedecia-se, o líquido a escorrer, a ensopar o tecido, os dedos dele a sentirem-na cada vez mais molhada. Suspirou contra o peito dele, o corpo inteiro a tremer, desejando ter espaço para o devorar.

Virou-se no espaço apertado, o corpo a contorcer-se entre corpos suados. A mão dela deslizou-lhe pela barriga, os dedos a encontrarem o cós das calças dele. Abriu o botão, baixou o fecho, enfiou a mão por dentro da roupa interior. Os dedos fecharam-se-lhe à volta do pénis hirto, apertando a base, a pele quente e esticada a pulsar-lhe na palma.

Ele gemeu, a respiração estilhaçada contra o cabelo dela. Movia a mão devagar, para cima e para baixo, o polegar a pressionar a veia grossa que lhe percorria o comprimento. Sentiu-o escorrer — líquido pre-seminal a descer-lhe pela glande, a molhar-lhe os dedos, quente e viscoso. Passou a ponta do polegar pela abertura, espalhando a humidade, e ele estremeceu, as coxas tensas contra as dela.

Levou os dedos à boca, lambeu-os devagar, a língua a recolher cada vestígio do tesão dele. Gemeu alto, o sabor salgado a encher-lhe a boca, os olhos fechados. Queria montá-lo ali, queria a boca no mastro dele, mas o espaço não deixava.

Encostou os lábios aos dele e sussurrou, a voz trémula de fome contida: faltou o remate final.

Agarrou-lhe os ombros e empurrou-o contra a parede, o impacto abafado pelo calor dos corpos à volta. As mãos dela desceram-lhe pelas calças, puxando-as para baixo, libertando o pénis hirto que lhe saltou contra a barriga. Ajoelhou-se no espaço mínimo, as coxas a roçarem pernas alheias, e levou a boca ao mastro dele. A língua tocou-lhe a base, lambeu devagar, percorrendo cada centímetro de pele quente e esticada. 

Sentiu o sabor salgado do líquido pre-seminal a escorrer-lhe pela glande, e recolheu-o com a ponta da língua, demorando-se na abertura, sugando-a de leve. Ele gemeu, as mãos a enterrarem-se-lhe no cabelo, os dedos a apertarem-lhe o couro cabeludo. Lambeu-o todo, da base à glande, a língua a desenhar a veia grossa que lhe pulsava, o ritmo lento e luxuriante, a baba a misturar-se com o tesão dele. Depois ergueu-se, as pernas a tremerem, e montou-o.

Sentou-se no pênis dele, a glande a abrir-lhe a entrada devagar, a pressionar, a forçar a passagem. Gemeu alto quando ele a penetrou, o canal vaginal a ceder, a alargar-se, a recebê-lo centímetro a centímetro. Desceu até ao fundo, o pénis todo enfiado dentro dela, a glande a roçar-lhe o cérvix, e o corpo dela contorceu-se, um gemido agudo e incontrolável a escapar-se-lhe da garganta. 

Começou a mover-se, a subir e a descer, o sexo a sugar e a contrair-se ao redor do pénis dele, a apertá-lo, a espremê-lo. O ritmo tornou-se rápido, brutal, as estocadas fundas e consecutivas, os testículos dele a baterem-lhe contra a vulva com um som molhado. O líquido vaginal dela escorria, ensopava-lhe o pénis, descia-lhe pelos testículos, a pele de ambos brilhante e viscosa. 

Ele estocava-a sem parar, a respiração estilhaçada, e ela sentiu-o pulsar lá dentro, os jatos de sémen quente a encherem-lhe o canal vaginal, a espalharem-se, a inundarem-na. O sexo dela espremeu-se num espasmo orgásmico, as paredes a contraírem-se, a expelirem o sémen misturado com o líquido dela pelas bordas, a escorrer-lhe pelas coxas. Levou os dedos à boca, lambeu-os, o sabor dos dois corpos a rebentarem juntos. Encostou os lábios aos dele e sussurrou, a voz trémula e rouca: sou tua.

O corpo dela ainda tremia, pequenos espasmos a percorrerem-lhe as coxas, a barriga, o ventre. Deixou-se cair sobre ele, o peito contra o peito, a respiração ofegante a abrandar aos poucos. Sentia o pénis dele a amolecer dentro de si, a deslizar lentamente para fora, a glande a abandonar o canal vaginal com uma última fricção húmida. O sémen quente escorreu-lhe pela vulva, um fio espesso a descer-lhe entre as nádegas, a colar-se às coxas trémulas. Ficou ali, imóvel, a sentir o líquido morno a espalhar-se pela pele, a prova física do que tinham feito.

Lambeu os lábios devagar, a ponta da língua a percorrer o contorno da boca. O gosto dele ainda estava ali, salgado e acre, misturado com o seu próprio sabor. Sorriu, um sorriso lento de posse absoluta, os dentes a morderem o lábio inferior. Os dedos dela encontraram o sémen que escorria pela coxa, recolheram-no, e ela levou-os à boca, chupou-os um a um, a língua a enrolar-se nas pontas dos dedos, a saborear a mistura dos dois corpos.

Encostou os lábios ao pescoço dele, a voz reduzida a um murmúrio rouco e exausto. "Sou tua", sussurrou, e fechou os olhos contra o peito dele.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A ESSÊNCIA DO OUTRO



Os lábios dele roçaram a orelha dela, secos e quentes, e o sussurro veio como um sopro quebrado. «Não faz sentido esta vontade.» Ela estremeceu, o corpo inteiro a responder antes da razão, e mordeu o lábio inferior com força. 

Ele mordeu-lhe de leve o lóbulo, provocando um arrepio que lhe percorreu a espinha. Depois pressionou a coxa rija contra o sexo dela por cima do tecido, e sentiu o calor húmido a infiltrar-se, quente e proibido. Ela soltou um gemido abafado e as suas mãos agarraram as costas dele.

Os dentes dele fecharam-se no lóbulo da orelha dela com uma avidez que não admitia recusa. Ela gemeu agudo, o som a rasgar o silêncio do quarto escuro, e as suas mãos voaram para a nuca dele. Ele mordiscou a pele macia, descendo para o pescoço, enquanto os dedos encontravam o primeiro botão da blusa. 

Um estalido seco. Depois outro. O tecido cedeu e ele puxou-o para os lados, libertando os seios nus que brilhavam pálidos sob a luz prateada da lua.

As mãos dele fecharam-se sobre eles, apertando com uma pressão que arrancou outro gemido da garganta dela. Os polegares encontraram os mamilos endurecidos e beliscaram-nos, rolando a carne rija entre os dedos. Ela arqueou as costas, o corpo a oferecer-se, e ele sentiu o tremor que lhe percorria o ventre.

A mão direita deslizou pela pele quente, descendo até ao ventre macio, e depois mais abaixo, onde o calor se transformava em humidade. Os dedos afastaram os grandes lábios e encontraram a fenda molhada, quente e viscosa. Ela enterrou as unhas nos ombros dele e ofegou, o corpo a arquear-se outra vez.

Ele curvou-se e sussurrou-lhe ao ouvido, a voz rouca e febril. «Já não há razão.» Ela repetiu as palavras como uma rendição, e a mão dele afundou-se no sexo encharcado, sentindo o jorrar do tesão a escorrer entre os dedos.

Os dedos ainda escorregavam na humidade dela quando ele se ergueu sobre o corpo arqueado. A luz da lua cortava-lhe o rosto magro, os olhos fundos cravados nos dela. Ela mordia o lábio inferior, o peito a subir e a descer em arrancos. Ele baixou as calças com um movimento brusco e o pau saltou livre, rijo e latejante, a glande já brilhante de líquido seminal. 

Sem hesitar, posicionou-se entre as coxas abertas dela e empurrou. A cona encharcada engoliu-o numa estocada profunda, até à raiz, e o grito dela ficou abafado contra o ombro dele. Ele ficou ali um segundo, enterrado até ao fundo, sentindo as paredes quentes a apertarem-no, a pulsarem em espasmos involuntários. Depois começou a bombear.

O ritmo foi brutal desde o início. As estocadas rápidas e furiosas faziam as bolas baterem contra a carne húmida dela com um som molhado e repetido. Ele agarrou-lhe as ancas e puxou-a contra si, afundando o pau cada vez mais fundo. 

Ela cravou as unhas nas costas dele, arranhando a pele, e arqueou a espinha num gemido estrangulado que lhe saiu da garganta sem controlo. «Assim», ofegou ela, e ele obedeceu. O mel escorria da cona dela, descendo pelo pau e pingando sobre os lençóis, misturando os fluidos num brilho prateado.

Ele curvou-se e encostou os lábios ao ouvido dela. «Não há loucura», sussurrou, a voz rouca e febril. «Só tesão.» As palavras mágicas entraram-lhe no corpo como outra estocada. Ela gemeu alto, o ventre a contrair-se. Ele alternou o ritmo — estocadas fundas e lentas que a faziam sentir cada centímetro, depois bombeadas rápidas que lhe roubavam o ar. 

A cona apertava-o, os espasmos cada vez mais intensos, e ele sentiu o jorrar do tesão dela antes mesmo de ela gritar. O mel jorrou em jatos quentes sobre a base do pau dele, encharcando-o, enquanto ela se desfazia em tremores e gemidos altos, o corpo a arquear-se e a cair de novo contra os lençóis.

O orgasmo dela apertou-o com uma força que lhe sugou a razão. Ele enterrou o pau até ao fundo e deixou-se ir. O esperma quente jorrou em jatos espessos contra o colo do útero dela, enchendo-a, enquanto um gemido rouco lhe saía da garganta. Os corpos colapsaram suados e ofegantes, e o esperma dele já escorria da cona dela, lento e morno, sobre os lençóis manchados de luar.

Os corpos jaziam entrelaçados na penumbra, a luz da lua a desenhar linhas prateadas sobre a pele suada. A respiração de ambos ainda vinha em arquejos lentos, o peito dele a subir e descer sob o peso leve da cabeça dela. O ar cheirava a sexo e a suor, denso e morno, e o silêncio que se instalara era diferente do que havia antes — não era tensão, era rendição.

Ele levantou a mão trémula e tocou-lhe o rosto com as pontas dos dedos. A pele dela estava quente e húmida, e quando os dedos deslizaram pela face encontraram o rasto molhado das lágrimas — lágrimas de alívio, não de dor. 

Ele acariciou-lhe a maçã do rosto em movimentos circulares, lentos, como se apagasse com o polegar a última sombra de resistência que ali habitara. Ela fechou os olhos sob o toque e uma paz desconhecida instalou-se-lhe no peito, substituindo a febre que os consumira.

Ela aninhou a cabeça no peito dele, o ouvido colado ao coração que ainda batia descompassado. Entre as pernas, sentia o esperma a escorrer — morno, espesso, a descer pela coxa num fio lento que lhe lembrava o jorrar do tesão que os arrastara até ali. Não havia vergonha naquela humidade. Havia verdade.

«Já não sou rebelde para te desejar», sussurrou ela, a voz ainda ofegante, os lábios a roçar-lhe a pele do peito.

Ele não respondeu com palavras. Apenas a apertou mais contra si, os dedos a perderem-se no cabelo dela, e soube que a vontade entre eles nunca precisara de fazer sentido. Ela fechou os olhos e sussurrou que a loucura agora era a única razão que precisava.




  Cléia Fialho