TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

terça-feira, 26 de maio de 2015

NOITE ABERTA



O desejo desperta no silêncio do quarto  
Como uma chama que busca o seu lugar,  
Sinto a brisa que vem do teu olhar  
E o meu peito se torna um campo aberto.

A escuridão nos veste de mistério,  
Tua voz é um rio que atravessa a noite,  
A pele arde em antecipação,  
Cada poro suspira pelo teu toque.

Tuas mãos são pétalas que descem devagar,  
Mapeando curvas, caminhos sem fim,  
O ar entre nós vibra como um acorde  
Que nenhuma partitura jamais definiu.

Nossos suspiros se misturam ao escuro,  
A boca encontra a boca em território proibido,  
O tempo para, o mundo some,  
E o quarto se torna um universo particular.

A lua espreita pela janela,  
Inveja da dança que inventamos agora,  
Corpos entrelaçados em fogo e em ritmo,  
E o desejo — que não pede licença — nos devora.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 25 de maio de 2015

QUERENDO TE AMAR



Q  uando no silêncio, só penso em te encontrar.
U  nindo sonhos e desejos a se entrelaçar,
E  rgo meus sentimentos, sem medo de errar.
R  umo ao horizonte onde o amor vai reinar,
E  no teu abraço, meu coração quer se ancorar.
N  as estrelas, escrevo nosso nome a brilhar,
D  esejos intensos, no peito, a incendiar,
O  querer mais profundo, sem hesitar,

T  udo que almejo é contigo, a me guiar,
E  a cada passo, o amor só faz aumentar,

A  mar-te é o destino que não canso de buscar,
M  ergulhar contigo no mar do amor, me entregar,
A  mar-te é meu desejo, sem nada mais desejar.
R  eclamo tua presença, alma inquieta a vibrar,





  Cléia Fialho

sábado, 23 de maio de 2015

O QUE AS SOMBRAS SABEM



As sombras dançam, sussurram segredos
no tecido do tempo, o instante se esvai —
teu retrato gravado em desejos quedos
e a ausência é presença, nunca um "não vai".

Mas eu quero o vai,
quero o vai-e-vem,
quero a tua língua escrevendo o meu nome
em córregos pelo pescoço abaixo.

As sombras não sussurram mais,
gritam.
Grudam-se na pele como suor,
como os dedos que se perdem
por baixo da cintura,
forçando o corpo a ceder.

O tempo não se esvai —
ele transborda,
pinga lento entre as coxas,
uma escuridão úmida
que só a tua boca ilumina.

Teu retrato não está mais na parede,
está sobre mim,
quadril contra quadril,
a arquear do meu corpo
encontrando a tua ferocidade em ternura.

Ausência?
Que palavra é essa?
Aqui só cabe o cheiro,
o sal do encontro,
o não-dizer que se desfaz
em gemido.

Aqui o nunca
vira agora,
e o agora
nunca acaba.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 22 de maio de 2015

RITUAL DE LUXÚRIA



Entro no quarto ainda molhada da chuva.
O casaco cobre meu corpo, mas teus olhos já despem.
Queres ver o que escondo, mas me detenho.
O brilho em teu olhar denuncia o desejo.
Por que não me desarmas?
Assim poderás tocar, sentir, possuir.

O cinto se afrouxa, os botões cedem.
O decote revela a promessa dos meus seios.
A diversão começa no instante em que me desnudo.
Mais um gesto e meus mamilos se erguem,
enquanto tua excitação cresce sob o tecido.

Cada abertura revela mais.
Deixo o casaco cair ao chão.
Nua, como ao nascer, caminho até ti.
Meus quadris desenham o ritmo.
Viro-me, ergo minha carne diante do teu rosto.

Te inclinas, tua língua explora.
Espalhas minhas nádegas, lambes meu segredo.
Abres meus lábios, mergulhas em minha gruta.
Se tudo fluir, tua dureza substituirá tua boca.

O prazer me domina, teu cunilíngua me enlouquece.
Molhada, sento em teu rosto,
enquanto minhas mãos libertam tua ereção.
Minha boca te envolve, encaixe perfeito.
Estamos em sessenta e nove,
tua língua em minha boceta, minha boca em teu falo.

O ritmo acelera, gemidos se cruzam.
Explosões de gozo nos atravessam.
Meu néctar escorre, tua porra pulsa.
Degustamos o excesso, bebemos o pecado.

Agora me tomas no sofá.
Teu pau invade minha fenda,
minha bunda repousa em teus quadris.
O calor nos envolve, o êxtase nos consome.
Ondulo, cavalgo, mudo posições.
Sou cachorrinha, sou motorista, sou selvagem.

Meus seios balançam livres,
tuas estocadas me fazem vibrar.
Viramos, nos dobramos, nos erguemos.
Cara a cara, tua rola saboreia minha boceta.
O ritmo cresce, a pressão explode.
Gozamos juntos, em transe, em delírio.

Teu corpo se rende, teu pau amolece.
Minha lascívia se aquieta.
Mas o fogo permanece aceso,
pronto para nos consumir outra vez.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O GEMIDO ROUCO



Paixão que arde, forte e intensa,
Que nos embriaga em doce tormenta,
Nos lábios, um beijo, a alma imensa,
Paixão que arde, nossa eterna essência.

Em cada toque, um fogo que queima,
No olhar profundo, a vida se enleia,
São promessas, murmúrios, a mesma cena,
Paixão que arde, sempre a nos rodear.

Meus seios reclamam a tua boca cheia,
Tuas mãos afundam-se em minha maré,
Onde a renda cede e a pele semeia
O gemido rouco que só o desejo é.

E quando o gozo desaba, tempestade contida,
Ficamos assim, tremendo em silêncio pleno —
Paixão que arde, chama tantas vezes acendida,
Que só se apaga para reacender no meu seio.

1 — sensual e lírica:

Deitas-me devagar sobre o lençol amarrotado,
Onde o mundo se cala e o tempo se despede,
Entras em mim como quem chega ao teu fado,
E o meu corpo sussurra: fica, mata a minha sede.

2 — mais ousada e possessiva:

Deitas-me devagar sobre o lençol amarrotado,
Onde o mundo se cala e o tempo se rende,
Entras em mim como quem chega ao teu fado,
E o meu corpo sussurra: sou tua, o que em mim arde acende.

3 — entrega total:

Deitas-me devagar sobre o lençol amarrotado,
Onde o mundo se cala e o tempo se demora,
Entras em mim como quem chega ao teu fado,
E o meu corpo sussurra: fica, sou tua agora.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 20 de maio de 2015

SELVAGERIA DO DESEJO



Éramos jovens, famintos de prazer. Tua boca mergulhava em minha carne, tua cabeça repousava em minha pélvis, meus segredos ardendo em calor.

Eu não acreditava na sorte: apaixonados, entregues, devorados. Teu falo endurecia só de estar comigo.

Meu corpo era território aberto, cada curva explorada por tuas mãos. Do banco de trás à areia da praia, onde o mar nos assistia em silêncio. Eu trabalhava tua ereção com tesão intenso, sempre fui abrigo quente, sempre fui convite sem pudor.

Tu eras amante voraz, eu mais que desejo, eu febre. Sempre buscávamos saciar um ao outro, jogo de corpos sem hesitação. Nunca duvidamos da entrega, nunca faltou fogo em nossas tentativas.

Às vezes, o início era lento, minhas mãos brincavam com tua rigidez, meus dentes mordiscavam teus seios, minha boca sugava meu próprio prazer. Línguas se chocavam, dedos se afundavam, até que o gozo nos inundava em excesso.

Então vinha a viagem selvagem: por trás, de lado, de frente. Cada posição era fantasia, cada ritmo, uma explosão. Tu me fodia sem trégua, eu te dominava centímetro a centímetro.

Minha gruta te apertava com força, meus quadris dançavam em crime delicioso. Tu controlavas as estocadas, eu me abria em calor líquido. Não havia dúvida: gozávamos juntos, sempre, em mais uma festa de luxúria.





  Cléia Fialho

terça-feira, 19 de maio de 2015

PALAVRAS QUE QUEIMAM NA BOCA


As palavras não ditas, na bruma escondidas,
transformam-se em versos que anseiam voar —
mas eu não quero que voem.
Quero que caiam sobre mim
como roupa molhada,
que me tapem a respiração
e me deixem nua no próprio desejo.

No labirinto da mente,
o pensamento de ti é um dedo
que desce sem pressa,
que sabe onde a pele esquece
quem era antes
e só responde em arquejo.

Não é mais silêncio.
É o som do corpo aprendendo a falar
em língua que não tem tradução —
só a língua da boca no pescoço,
só o arranhar das unhas
nas costas que se curvam
como ponte para o teu prazer.

No eco do silêncio,
estou pronta a amar —
não, estou pronta a ser tomada,
a abrir as fronteiras da pele
e deixar que tu explores
com mãos, com olhar, com fome,
cada centímetro que se contrai
esperando o teu avanço.

Que os versos não voe.
Que fiquem aqui,
presos entre os meus lábios,
roçando a tua orelha
enquanto tu entras
e eu esqueço
até de respirar.

A bruma não esconde mais nada.
Eu sou toda exposta,
um grito que não quer fim,
só quer repetição.




  Cléia Fialho