TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

SOMOS MÚSICA SEM PAUTA



Na penumbra que respira silêncio,
a luz se dissolve em sombra,
e teu corpo — pintura viva —
se abre como rio que se curva.

As linhas se encontram,
como águas que se reconhecem,
e o desejo, chama oculta,
cresce sem pedir licença.

Cada gesto é verso,
cada toque, um poema sem rima,
onde o fado nos conduz,
e o amor se escreve em pele.

Assim, entregues ao instante,
somos música sem pauta,
somos chama que não se apaga,
somos eternidade em um só abraço.




  Cléia Fialho

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O ÚNICO POEMA



No silêncio que queima,
a noite se faz pele escura.
Somos nós,
um nó de corpos em dança,
o toque que acende
e a chama que insiste em não dormir.

Fluímos,
desejo em estado bruto,
sem margens,
sem mapas,
guiados apenas pela fome do outro.

Não há verso que nos contenha,
somos a tinta e o papel
nesta cama,
onde a escrita é febre
e o amor, o único poema
que ainda sabemos ler.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

TOQUES GUARDAM SEGREDOS



Sob o luar prateado,
corpos se encontram, se reconhecem.
Mãos ousadas desenham caminhos invisíveis,
a pele se torna tela,
onde toques guardam segredos.

Há fronteiras que se dissolvem,
barreiras que se quebram,
na dança das sensações.
Somos pioneiros,
descobridores de mundos íntimos.

Na fusão dos desejos,
não há metades —
somos inteiros,
somos poesia sem amarras,
somos amantes que se revelam
na verdade do instante.




  Cléia Fialho

domingo, 14 de fevereiro de 2016

POR MIM



No aplauso, nenhum eco.
No meio da praça, vazia.
A alma não pede — grita.
Mas ninguém escuta o que não faz barulho.

Então eu paro.
Não fujo.
Fico.

No quarto, a luz baixa,
o silêncio tem peso de mão no ombro.
E ali, sem plateia,
descubro que não estou só:
estou inteira.

Desço fundo,
onde o som some
e o que sobra é osso, sopro, chão.
E nesse fundo — eu existo.
Não por alguém.
Por mim.




  Cléia Fialho

sábado, 13 de fevereiro de 2016

E QUANDO O DESEJ0 ARDE



No espelho dos teus olhos me vejo inteira,
em cada movimento teu, um universo
que me desaba e me refaz.
Teu beijo não chega, ele acontece
como a luz que não pede licença
para incendiar a manhã.

Meu coração dispara
antes mesmo do toque,
no intervalo entre tua mão e a minha
— onde o mundo suspende
sua pressa vulgar.

No silêncio, apuramos o ouvido
para a música que somos:
um fôlego que se perde
e se reencontra mais fundo,
mais perto do osso,
mais vivo que a vida.

E quando o desejo arde,
não queima:
afina.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O AMOR ME ENRIQUECE



AMOR é a chama que aquece o coração,
No toque suave, o mundo desaparece;
Nos teus olhos, vejo a imensidão,
E em teus braços, o AMOR me enriquece.




  Cléia Fialho

O Experimental Corrente Poética 
é uma criação da Poetisa Zemary

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A GENTE VIRA CANÇÃO



Em teus olhos, o céu não tem fundo,
e eu caio sem medo,
um afogamento doce,
onde o coração aprende a respirar de outro jeito.

Teu olhar acende o mundo,
depois apaga —
e o que sobra é só claridade,
a tua pele dizendo o que a boca ainda não sabe.

Tua presença me desaba e me ergue,
abrigo que não fecha portas,
calor que não queima,
sorriso que desfaz o nó que eu carregava
sem saber.

Em teus braços, eu me perco
como quem se encontra no deslimite,
cada toque é um fio de voz,
cada suspiro, uma palavra que o corpo
inventa agora.

Teus lábios são o lugar onde o tempo
hesita,
e eu descubro que o mundo
não está lá fora —
está em mim,
saindo de mim,
voltando a mim
pelo caminho dos teus dedos.

Teu olhar me veste de luz
sem me despir de mim,
chama que não cansa,
fogo que não pede licença,
só arde,
e no arder,
a gente vira canção.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016