TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

domingo, 5 de julho de 2026

O CHEIRO DO MATE QUENTE



Nos campos abertos do Sul,
onde o horizonte se estende sem pressa,
eu respiro junto da terra
o cheiro do mate quente
enquanto o vento brinca
nos meus cabelos de mulher do pampa.

Carrego em mim
o mistério das tardes douradas,
o passo firme
de quem cresceu entre bois, guitarras
e silêncios compridos de estrada.

Meu olhar aprende
a profundidade dos lagos escondidos
entre os cerros,
e meu coração conhece
a calma antiga da natureza.

Visto cores que dançam com o sol,
flores bordadas em tecidos leves,
e caminho devagar,
como quem entende
que o tempo não precisa correr
para ser bonito.

Ao longe, vejo o galpão soltando fumaça,
e o cheiro da lenha queimando
mistura-se à relva molhada
que cobre os campos depois da chuva.

Quando passo pelos caminhos do interior,
parece que o próprio campo sorri para mim.
Os pássaros cantam mais livres,
o vento sopra mais manso,
e a tarde inteira ganha outro brilho.

Não existe pressa nos meus gestos,
nem medo na minha liberdade.
Sou filha da terra,
sou vento que atravessa coxilhas,
raiz que resiste ao tempo,
flor que nasce no silêncio
e fogueira acesa nas noites frias do Sul.

Entre o mugir dos bois
e o canto do quero-quero,
sigo firme,
guardando na alma
o sabor simples da vida campeira
e levando no corpo
as marcas vivas da paisagem
que me criou.





  Cléia Fialho

sábado, 4 de julho de 2026

ÁGUAS ADORMECIDAS



A luz da lua
toca o mar
com dedos de prata silenciosa,
espalhando reflexos
sobre as águas adormecidas
da noite.

Nada se move
ao redor do horizonte.
Nem a brisa desperta
as folhas cansadas,
nem o céu parece respirar.
Existe apenas esse instante
parado entre nós.

O tempo
não passa como antes.
Ele se arrasta devagar,
como se cada segundo
carregasse o peso
da tua ausência.

Eu fico
na margem das lembranças,
guardando tuas palavras
como quem protege
uma chama acesa
contra o frio da madrugada.

Você vai
silenciosamente,
levando contigo
o calor dos encontros,
o brilho dos olhos
e os sonhos que inventamos
em noites antigas.

A saudade
nos separa
em distâncias que não se medem
por caminhos ou mapas,
mas por silêncios longos
que doem dentro do peito.

Os ventos
já não se ouvem
cantando entre as árvores.
Até eles parecem perdidos,
como se também procurassem
o eco da tua voz
na imensidão da noite.

E a lua continua ali,
tocando o mar
com sua luz tranquila,
enquanto eu permaneço
entre lembranças e espera,
ouvindo o coração
chamar baixinho por você.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 3 de julho de 2026

COMO NÉVOA SOBRE RIOS



Nas noites em que o luar
despeja prata sobre a pele do mundo,
há um fogo silencioso
percorrendo os corpos
como um segredo antigo.

Teus olhos encontram os meus
e, nesse instante suspenso,
o tempo se desfaz
como névoa sobre rios
que correm para o mesmo destino.

Há desejo nas entrelinhas do toque,
na demora breve dos dedos,
na respiração que vacila
ao sentir a proximidade
de um beijo ainda não dado.

O vento passa devagar,
acariciando nossos silêncios,
enquanto a noite nos envolve
em sua dança morna
de sombras e arrepios.

Cada suspiro acende
uma chama delicada,
e a paixão, viva e inquieta,
floresce sob o luar ardente
como estrela incendiando o céu.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 2 de julho de 2026

quarta-feira, 1 de julho de 2026

ENTRE PELE E SILÊNCIO


Permite-me entrar na tua pele em calma,
Como quem segue um rio sem direção,
Devagar, onde o silêncio ganha alma
E o tempo se desfaz na sensação.

Quero colher de ti toda a presença,
Até que o mundo perca o seu rigor,
E reste apenas luz na transparência
De um gesto que se torna puro amor.

Deixa que eu te percorra em sutileza,
Como brisa a aprender teu contorno,
Despertando em teu corpo a leveza.

E que teus olhos brilhem, sem temor,
Na entrega onde se apaga toda incerteza,
Dois seres se encontram no mesmo ardor.





  Cléia Fialho

terça-feira, 30 de junho de 2026

DANÇA DAS PALAVRAS



As palavras se procuram
na penumbra dos sentimentos,
como mãos que se encontram
sem precisar de explicação.

Há poesia no toque invisível
que nasce entre um verso e outro,
um calor suave percorrendo
a pele delicada da imaginação.

Os corpos não se dizem —
apenas se pressentem
na dança lenta das emoções,
onde o desejo respira
em silêncio ardente.

Cada estrofe acende
uma chama diferente,
e os poetas se abandonam
à vertigem doce
de sentir demais.

A poesia então gira,
livre, viva, inquieta,
misturando suspiros,
memórias e paixão
numa melodia sem fim.

E nesse encontro de almas e palavras,
o amor renasce outra vez,
reinventando-se em cada olhar,
em cada pausa,
em cada verso
que permanece vibrando
mesmo depois do silêncio.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 29 de junho de 2026

PERFUME DE PAIXÃO



A noite se derrama lenta
sobre nossos corpos silenciosos,
e o luar repousa em tua pele
como um segredo feito de fogo e ternura.

Dançamos sem música,
guiados apenas pelo rumor dos desejos,
pela linguagem muda das mãos
que descobrem caminhos invisíveis.

Teu olhar me atravessa
como chama suave,
dessas que queimam devagar
e permanecem acesas na memória.

Há um perfume de paixão
pairando no ar,
misturado aos suspiros
e às palavras que não ousamos dizer.

Cada toque aproxima universos,
cada instante desfaz distâncias,
até que reste apenas
o calor de dois corações
perdidos um no outro.

A madrugada nos envolve
em seu manto de estrelas,
e o amor segue pulsando,
livre e intenso,
como maré que nunca cessa.

Então me deixo ficar
nesse abrigo feito de pele e poesia,
onde o desejo não grita —
apenas floresce
na delicadeza ardente
de te sentir tão perto.




  Cléia Fialho

domingo, 28 de junho de 2026

TEU AMOR


Teu amor parece água
Correndo manso na estrada
Deslizando entre meus sonhos
Com sabor de despedida anunciada.

Como chuva sobre a terra
Vai molhando meu viver
Transbordando em correntezas
Que me levam até você.

Teu amor se faz em fogo
Chama acesa no ar
Consumindo os meus sentidos
Sem deixar nada escapar.

Atiçando a brasa viva
Mais ardente que o verão
Quero o fogo desse amor
Incendiando o coração.

Teu amor se torna vento
Feito forte vendaval
Vem trazendo nos teus braços
Uma paz tão especial.

Tem a força das tormentas
Que ninguém pode conter
Esse amor gira meu mundo
Faz minh’alma renascer.

Teu amor parece terra
Onde a vida brota em flor
Cria raízes no peito
E faz nascer mais amor.

Vou semeando dia a dia
Esse sonho entre nós dois
Quero ver crescer bem perto
O que o tempo constrói depois.

Teu amor me faz tão bem
Não me deixe na solidão
Sou inteira em teus abraços
Te guardando no coração.

Teu amor me faz viver
Não se afaste nunca mais
Teu olhar encontra o meu
E a paixão encontra paz.





  Cléia Fialho