TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A FOME DO MEL



As mãos dele encontraram a nuca dela antes de qualquer palavra. Agarraram o cabelo escuro e revolto, os dedos enroscando-se nas raízes, e puxaram. A boca dele colidiu com a dela num impacto duro, sem hesitação, como se a pausa dos segundos anteriores tivesse sido uma traição à fome que o consumia. 

Os lábios dele abriram-se sobre os dela e a língua invadiu-lhe a boca de imediato, quente e molhada, empurrando-se para dentro com uma urgência que não pedia licença.

Ela gemeu contra ele, o som abafado a vibrar-lhe na garganta enquanto os lábios inchados se entregavam. A língua dela deslizou sobre a dele, lenta e espessa, e o gosto que lhe encheu a boca era doce — denso, quente, um mel que parecia escorrer da própria saliva dela e que lhe acordou uma sede mais funda do que qualquer água podia matar. 
Ele chupou-lhe a língua com força, sugando-a para dentro da sua boca, e o gemido dela subiu de volume, alto e desprotegido contra os lábios dele.

Os seios nus dela prensaram-se contra o peito magro dele, os mamilos duros a roçar-lhe a pele tensa, e o corpo dela arqueou-se por instinto, os quadris a procurá-lo. A saliva quente escorreu entre os lábios de ambos, misturando o mel doce com o sal da fome. 

Ele sugou mais fundo, a língua a puxar a dela num ritmo faminto e implacável, os dentes a roçar-lhe o lábio inferior inchado. Depois a boca dele deslizou, largando o beijo, e desceu pelo queixo dela.

A boca dele desceu pelo queixo dela e continuou a descer, os lábios a arrastarem-se pela garganta, pela clavícula, pelo esterno. A língua quente traçou um caminho húmido entre os seios dela, lambendo o sal da pele, e ela arqueou as costas, os mamilos duros a apontarem para o teto escuro. 
Ele mordeu-lhe a curva de uma costela, os dentes a marcarem a pele antes de a língua passar por cima da marca, e continuou a descer.

O ventre dela contraiu-se quando a boca dele lhe tocou o umbigo. A língua mergulhou na cova rasa, molhada e quente, e depois deslizou mais para baixo, seguindo a linha fina de pelos escuros que apontava para a raiz da pinda. 
Ele lambeu o ventre macio com lentidão predatória, a saliva a brilhar na pele sob a luz fraca do candeeiro, e ela gemeu, um som agudo e trémulo que encheu o quarto. As mãos dele agarraram-lhe as ancas, os dedos a cravaram-se na carne, e ele mordeu o osso da bacia, os dentes a roçarem a pele esticada.

Ela empinou os quadris. A pinda dura roçou-lhe o queixo, a glande quente a deslizar pela mandíbula dele, e um fio de líquido pré-seminal brilhou na ponta, espesso e transparente. 
Ele sentiu o gosto doce do mel na memória da língua, a fome a apertar-lhe o estômago, e o gemido dela subiu de volume, agudo e desprotegido, um pedido sem palavras.

Ele envolveu a base da pinda com a mão. Os dedos apertaram-se à volta do eixo quente e puxaram para cima, o punho a bombear com um ritmo firme e médio, e ela soltou um soluço, os quadris a espasmarem contra a mão dele. 
Ele baixou a cabeça e passou a língua plana sobre a glande, lambendo o líquido pré-seminal que escorria, o gosto salgado e espesso a encher-lhe a boca. A saliva misturou-se com o pré-seminal enquanto a língua desenhava círculos lentos à volta da ponta inchada, e ela gritou, as coxas a tremerem.

A outra mão dele subiu pela coxa interna dela. Os dedos apertaram a carne macia, a pele quente e húmida de suor, e ele largou a glande da boca, a respiração ofegante contra a virilha dela. Baixou a cabeça e cravou os dentes na coxa interna. 

Mordeu com força cruel, os maxilares a fecharem-se até a pele ceder, e o gosto metálico do sangue subiu-lhe à língua. Ela gritou, um som estrangulado que se partiu num gemido, o corpo inteiro a estremecer enquanto a pinda pulsava no punho dele. Mais líquido pré-seminal escorreu sobre os dedos dele, quente e viscoso, e a respiração dela saiu em soluços.

A marca de dente vermelha e profunda na coxa dela pulsava ao ritmo da respiração ofegante de ambos.

Ele deixou cair a cabeça sobre a coxa dela, o rosto virado para a marca de dente que latejava na pele morena. A respiração ainda saía pesada, o peito a subir e descer contra o colchão. Os olhos escuros, semicerrados, não se desviavam daquela mancha vermelha e inchada que pulsava ao ritmo do coração dela. A luz alaranjada do candeeiro de rua atravessava a janela e desenhava sombras nas pregas dos lençóis revoltos. O suor arrefecia na pele de ambos.

Ela passou os dedos lentamente sobre a marca. A ponta do indicador roçou a pele ferida, o contorno dos dentes ainda visível, e um arrepio subiu-lhe pela espinha. A dor latejante misturava-se com o prazer residual que ainda lhe contraía os músculos da barriga. 

Os dedos deslizaram outra vez, mais devagar, como se lesse braille na própria carne, e ela fechou os olhos. O quarto mergulhou num silêncio denso, quebrado apenas pela respiração de ambos a acalmar. Ele não se mexeu. O peso da cabeça dele na coxa dela era uma âncora.

Os dedos dela pararam sobre a marca. A respiração suspendeu-se por um instante. Depois, num sussurro rouco que atravessou o silêncio como uma brasa, ela disse:

— A fome ainda não acabou.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

terça-feira, 23 de setembro de 2014

PREENCHIDA ATÉ O LIMITE




As costas dela afundaram nos lençóis amarrotados quando o peso dele a cobriu. As mãos firmes do homem fecharam-se nos pulsos dela e prensaram-nos contra o colchão, os dedos calejados a cravar-se na pele clara. Imobilizada, sentiu o joelho dele forçar-lhe as coxas até se abrirem, o tecido áspero da calça dele a roçar-lhe a pele nua. A respiração dela falhou.

Ele deslizou o polegar pelo ventre macio dela, uma pressão lenta e deliberada. O olhar escuro e pesado percorreu-lhe o corpo como se lesse uma página em branco.

— Vou escrever em ti — murmurou, a voz grave e imperiosa. O polegar traçou uma linha do umbigo ao osso púbico, e o pulso maior do coração dele bateu contra a coxa dela. — Cada palavra vai ficar dentro de ti.

O Homem posicionou o corpo sobre ela, olhando-a de cima.

Ele a penetrou de uma vez, o pau duro a rasgar-lhe a buceta numa estocada funda que arrancou um gemido involuntário dos lábios dela. A Mulher sentiu-se preenchida até ao limite, as paredes internas a cederem ao comprimento dele. O Homem não esperou — começou a foder com estocadas violentas, o pulso maior a martelar-lhe o ventre por dentro, cada batida um compasso de posse.

Ela arqueou as costas, os lençóis amarrotados a enrolarem-se nos punhos que ele ainda prendia. Os sons úmidos e obscenos preenchiam o quarto — o vaivém molhado do pau a entrar e sair, as bolas dele a baterem na carne macia das nádegas dela com um estalo repetido. A buceta da Mulher engolia-o até à raiz e pingava melada no lençol, uma mancha escura a espalhar-se no tecido.

O Homem agarrou-lhe os quadris com força bruta e puxou-a contra si, os dedos calejados a cravar marcas na pele clara. Depois, virou-a de bruços e levantou-a pela cintura.

De bruços, a Mulher sentiu o colchão ceder sob os joelhos. O Homem agarrou-a pela cintura e puxou-a contra si, o pau duro a procurar a entrada molhada. Encontrou-a sem hesitar e enterrou-se até à raiz numa só estocada. A buceta dela apertou-o, as paredes internas a contraírem-se em volta do comprimento dele. 

Ele não deu trégua — começou a foder por trás com estocadas brutais, o quadril a bater nas nádegas dela com estalos secos que se misturavam com o som úmido do vaivém. A cama rangeu, os lençóis amarrotados a desfazerem-se sob o peso dos dois corpos. O pulso maior do coração dele martelava contra as costas dela a cada investida, um tambor surdo que lhe ritmava a respiração ofegante.

O Homem enterrou os dedos na cintura da Mulher com força bruta, as pontas calejadas a cravar marcas vermelhas na pele clara. Puxou-a contra o pau com o pulso maior, obrigando-a a receber cada centímetro. Ela gemeu, o rosto afundado no travesseiro, a boca aberta num grito mudo. As estocadas eram fundas e obscenas, o pau a rasgar-lhe a buceta num ângulo que lhe tocava o fundo do ventre. A melada escorria pelas coxas dela, grossa e quente, a pingar nos lençóis já manchados.

O orgasmo chegou sem aviso — a buceta da Mulher espremeu o pau em espasmos violentos, as paredes internas a pulsarem em volta dele. Ela gritou, um som rouco e partido, o corpo a desmoronar sob o peso do Homem. Os músculos cederam, a respiração falhou, e ela mordeu o lábio até sentir o gosto do sangue. Ele não parou — continuou a bombear dentro dela, as estocadas agora mais curtas e rápidas, o pulso maior a acelerar.

O Homem urrou. Um som grave e imperioso que encheu o quarto. O pau inchou dentro da buceta da Mulher e ele gozou, despejando jatos quentes e espessos de tinta branca no fundo do ventre dela. Cada pulsação selava-a, enchia-a, marcava-a. Ela sentiu o líquido a espalhar-se lá dentro, quente e viscoso, a escorrer pelas paredes internas. O Homem ficou uns segundos imóvel, o pau ainda enterrado, as mãos a apertarem-lhe a cintura com força desmedida.

Depois, retirou o pau devagar. O sêmen escorreu atrás, espesso e branco, a pingar da buceta aberta para o ventre macio dela. O Homem esfregou o pau semi-duro, sujo de porra e melada, pela pele clara do ventre da Mulher. Selou-a com o líquido branco, espalhando-o em círculos lentos. Depois, retirou o pau e observou a tinta espessa e branca a escorrer pelo ventre dela.

O Homem recuou até ao pé da cama. Ficou ali, de pé, o peito a arfar, o olhar escuro e pesado a percorrer o corpo da Mulher como quem lê uma página acabada de escrever. Ela não se moveu. Permanecia deitada de costas, as pernas abertas, os lençóis amarrotados a emoldurar-lhe o corpo. O sêmen escorria lentamente do ventre para as coxas, um fio grosso e branco a serpentear pela pele clara até se perder no tecido. 

Ele inclinou-se e passou o polegar pelo ventre dela, espalhando a tinta branca em círculos lentos. A pele cedeu sob a pressão, macia e quente. Ela ficou imóvel, fixada no lençol como uma obra, os olhos abertos mas vazios, a respiração ainda em fragmentos. O Homem endireitou-se e recuou mais um passo, os olhos presos à figura que deixara na cama. A porra começava a secar, a puxar-lhe a pele do ventre num repuxar leve e constante. Ela fechou os olhos.




  Cléia Fialho

sábado, 20 de setembro de 2014

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A ÚLTIMA VEZ QUE ELA DISSE NÃO



O quarto era escuro, mas não vazio. A luz do poste lá fora entrava pelas frestas da persiana, desenhando listras de sombra e claridade no corpo nu que se movia sobre o colchão. Ela estava de bruços, os braços estendidos, os dedos a arranharem o lençol como se tentasse agarrar-se a algo que já não existia.

Ele estava atrás dela. Não sabia o nome dele. Não queria saber. Os nomes eram desnecessários naquele jogo. O que importava era o peso do corpo dele sobre o dela, a respiração quente na sua nuca, a mão que apertava o seu pescoço com a força exata — suficiente para a imobilizar, insuficiente para a sufocar.

— Cala-te — disse ele, a voz rouca e baixa — não quero ouvir a tua voz.

Ela obedeceu. A boca permaneceu fechada, mas os olhos estavam abertos, fixos na parede à sua frente, onde as sombras dançavam como espectros. A mão livre dele desceu pela sua coluna, as unhas a riscarem-lhe a pele, desenhando caminhos vermelhos que ardem como fósforos acesos. Ela contraiu os músculos, mas não fez som. Não fez movimento.

A mão chegou ao seu centro, escorregou pela humidade que já escorria, e os dedos entraram sem aviso, sem lubrificação além do próprio desejo. Dois dedos, fundos, curvados para cima, a pressionarem a parede interna com uma precisão que a fez prender a respiração.

— Sentes? — perguntou ele, a boca colada ao ouvido dela.

Ela não respondeu. Não podia. A mão dele ainda apertava o seu pescoço, e qualquer palavra seria um gemido disfarçado.

Ele retirou os dedos devagar, e ela sentiu o vazio frio invadir-lhe o corpo. Mas não durou muito. Segundos depois, a ponta do membro roçou a sua entrada, e ele entrou com uma estocada seca, única, funda. O som que escapou dela não foi um gemido, foi um soluço rouco.

Ele começou a mover-se sem ritmo, sem cadência, como um animal que não conhece a música — apenas a fome. Cada estocada era um golpe. Cada movimento era uma tomada de posse. Ela sentia o colchão a tremer, a cabeceira a bater na parede, os próprios ossos a vibrarem com a força daquela penetração.

A mão que apertava o pescoço dela desceu até à sua boca e tapou-lha com violência. Os dedos entraram-lhe entre os lábios, forçando-a a senti-los, a lambê-los, a saber-lhes o sal.

— Chupa — ordenou ele — chupa os meus dedos enquanto te fodo.

Ela obedeceu. A língua enrolou-se à volta dos dedos, os lábios apertaram-nos, os olhos semicerrados. Ele sentiu a sucção e acelerou o ritmo, as estocadas mais curtas e brutais, o corpo dele a colidir com o dela como uma maré contra os rochedos.

Ela sentiu o gozo a subir, mas não o queria. Não naqueles termos. Não como uma rendição. Queria dominar aquela onda, fazer com que ele pedisse antes de a libertar. Por isso, contraiu os músculos internos, apertando-o, prendendo-o, controlando a profundidade de cada estocada.

Ele sentiu a pressão e parou.

— O que fizeste? — perguntou ele, a voz cortante.

Ela não respondeu. Apenas se virou debaixo dele, com um movimento rápido, e ficou de frente para ele. As pernas abraçaram-lhe a cintura e puxaram-no para dentro novamente, num movimento que o fez perder o equilíbrio.

Agora era ela quem estava por cima.

— Não sabes — sussurrou ela, a voz finalmente livre — que uma fera nunca se deixa montar sem morder?

Ela começou a mexer-se, o ritmo lento, profundo, os olhos fixos nos dele. Ele tentou segurar-lhe os quadris, mas ela afastou-lhe as mãos e prendeu os pulsos contra o colchão.

— A minha vez — disse ela.

Ela movia-se sobre ele como quem dança sobre um abismo. Cada subida era uma promessa, cada descida uma entrega. Ele gemia debaixo dela, os olhos revirados, a respiração descontrolada. Não era mais o predador — era a presa.

Ela inclinou-se para a frente e mordeu-lhe o lábio inferior com força suficiente para ele sentir o sangue. O sabor metálico misturou-se com a saliva, com o suor, com os gemidos que ambos já não conseguiam conter.

— Goza — ordenou ela, com a voz firme e gelada — goza, que eu quero ver-te desfazer.

Ele tentou resistir, mas não conseguiu. O corpo contraiu-se, os dedos cravados nas coxas dela, o líquido quente a jorrar dentro dela enquanto os músculos dele se desfaziam em ondas descontroladas. Ela não parou. Continuou a mexer-se, prolongando cada espasmo, cada tremor, até ele ficar imóvel e vazio.

Ela levantou-se devagar, o corpo ainda húmido, a respiração regular. Olhou para ele, deitado, ofegante, os olhos abertos para o tecto.

— Nunca mais me toques sem pedir — disse ela, e a voz não tinha raiva — tinha apenas verdade.

Vestiu a camisa, pegou na bolsa e caminhou até à porta. Antes de sair, virou-se e olhou-o pela última vez.

— E avisa os teus amigos. A próxima vez, trago um chicote.

A porta fechou-se atrás dela. O silêncio no quarto era absoluto. E ele ficou ali, nu, ofegante, vazio, a pensar como é que uma mulher tão pequena podia ter um domínio tão grande.



  Cléia Fialho

domingo, 14 de setembro de 2014

A VOLTA DOS LOBOS



A DONA DA CAÇA

Ela levantou-se da cama devagar.

Os três homens ainda ofegavam, espalhados pelo colchão como animais saciados mas ainda desconfiados. O esperma escorria-lhe pela barriga, pelos seios, pelas coxas. O suor brilhava na sua pele como uma armadura líquida. Mas os olhos dela não estavam cansados. Estavam vivos. E famintos.

— Acham que acabou? — perguntou ela, a voz rouca mas firme.

Os homens entreolharam-se. O primeiro, o de barba, levantou-se apoiado nos cotovelos. O segundo, o magro, franziu o sobrolho. O terceiro, o mais jovem, sentou-se na cama e inclinou a cabeça.

— O que queres dizer com isso? — perguntou ele.

Ela sorriu. E foi esse sorriso que os fez calar — um sorriso que não pedia, que não implorava, que apenas anunciava.

— Levantem-se — ordenou ela. A voz não era alta, mas tinha uma densidade que não admitia hesitação.

Os três homens levantaram-se, lentamente, nus, expostos. Ela caminhou à volta deles, os dedos a tocarem-lhes as costas, os ombros, os peitos, como uma escultora que avalia a matéria-prima antes de começar a esculpir.

— Querem saber o que acontece a três machos que pensam que podem comer uma fêmea e depois deitam-se para dormir? — perguntou ela, sem esperar resposta.

Aproximou-se do primeiro homem, o de barba, e segurou-o pelo queixo.

— Ajoelha-te.

Ele hesitou um segundo. Apenas um segundo. Depois ajoelhou-se, os olhos fixos nos dela, o membro ainda semi-erecto entre as pernas.

— Tu — disse ela, apontando para o segundo — vem cá e deita-te de costas.

Ele obedeceu, estendendo-se no chão, o corpo nu exposto como uma tela em branco.

— E tu — disse ela ao terceiro, o mais jovem — fica de pé e não te mexas.

O silêncio no quarto era absoluto. Ela aproximou-se do primeiro homem, ainda de joelhos, e segurou-lhe o cabelo com força. Puxou-lhe a cabeça para trás, expondo o pescoço, e inclinou-se para lhe morder o ombro. A marca ficou vermelha, inchada, viva.

— Quero sentir-vos a tremer — disse ela — quero que cada um de vós me prove que merece estar aqui.

Montou o segundo homem, o que estava deitado no chão, e sentou-se sobre o seu membro com um movimento seco que o fez ofegar. A mão dela apertou-lhe o peito, as unhas a cravarem-se na pele, enquanto os quadris se moviam num ritmo lento e controlado.

O primeiro homem, de joelhos, foi puxado pelo cabelo até à boca dela. Ela guiou o seu sexo até aos lábios e começou a chupá-lo, os olhos fixos no terceiro homem, o que estava de pé, que assistia a tudo sem se mexer.

— Não te mexas — repetiu ela, a boca cheia — não te mexas, seu puto.

O ritmo dela sobre o segundo homem acelerou, os quadris a baterem contra os dele, os gemidos a escaparem-lhe pela garganta enquanto a boca continuava a sugar o primeiro. O segundo homem começou a tremer, os dedos a apertarem as coxas dela, o corpo a contrair-se.

— Já? — perguntou ela, com um sorriso cruel — ainda nem comecei.

Parou. Levantou-se do segundo homem, deixando-o ofegante e vazio, e foi até ao terceiro. O mais jovem, o mais tenso, o que ainda não fora tocado.

— Queres a tua vez? — perguntou ela, as mãos a deslizarem pelo peito dele.

Ele não respondeu, apenas engoliu em seco. Ela desceu devagar, ajoelhando-se diante dele, os dedos a percorrerem as suas pernas até ao sexo erecto. Os lábios tocaram-lhe a ponta, e ele ofegou.

— Olha para mim — ordenou ela — olha enquanto te chupo.

Ele obedeceu. Os olhos dele encontraram os dela, e ela mergulhou a boca nele com uma fome que era ao mesmo tempo devoração e oferenda. A língua enrolou-se, os lábios apertaram, a garganta abriu-se para o receber por inteiro, enquanto ele gemia e os dedos se enterravam no cabelo dela.

Então, de repente, ela parou. Levantou-se, ofegante, e olhou os três homens.

— Deitados — disse ela — todos deitados. De barriga para cima. Mãos atrás da cabeça.

Eles obedecem, como soldados a cumprir uma ordem. Ela caminhou lentamente entre eles, os dedos a tocarem cada membro erecto, cada barriga tensa.

— Agora — disse ela, sentando-se na borda da cama — vão gozar. Todos ao mesmo tempo.

Os homens começaram a tocar-se. As mãos deslizaram sobre os próprios corpos, os ritmos descoordenados, os olhos fixos nela. Ela assistiu, imóvel, como uma rainha que observa um espectáculo feito para seu prazer.

— Não pares — sussurrou ela — quero ver-vos desfazer-vos.

Os gemidos começaram a sobrepor-se. O primeiro homem, o de barba, arqueou as costas e jorrou sobre a própria barriga, o líquido quente a escorrer-lhe pelos dedos. O segundo homem seguiu-o, com um gemido rouco e prolongado. O terceiro, o mais jovem, foi o último, os olhos fechados, o corpo a tremer inteiro.

Ela levantou-se, caminhou até ao primeiro homem, e mergulhou os dedos no esperma que escorria da barriga dele. Levou os dedos à boca e lambeu-os lentamente, os olhos fixos nele.

— Não está mau — disse ela — mas vocês têm muito que aprender.

Voltou para a cama, deitou-se de costas e abriu os braços.

— Venham — disse ela — vamos recomeçar do zero. Mas desta vez, obedecem a cada palavra minha.

Os três homens entreolharam-se. O medo e o desejo misturavam-se nos seus olhos. Mas, lentamente, aproximaram-se da cama, prontos para a próxima ronda.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A PRESA E OS LOBOS



Ela sabia que eles viriam. Não fora combinado, não fora marcado — era um entendimento silencioso, um acordo de pele e saliva que se renovava sempre que a lua se escondia atrás das nuvens. O corpo dela já estava molhado antes de ouvir os passos no corredor.

Três homens. Cada um com uma energia diferente, cada um com uma fome distinta.

O primeiro entrou com a calma de um predador que sabe que a presa não vai fugir. Era alto, ombros largos, barba cerrada. Não fechou a porta atrás de si. Queria que os outros vissem.

O segundo era mais magro, olhos escuros e mãos rápidas. Entrou sem fazer barulho, como uma sombra que se cola à parede.

O terceiro era o mais jovem, mas os olhos dele tinham a idade do desejo mais antigo. Fechou a porta devagar e trancou-a.

Ela estava deitada na cama, nua, as pernas ligeiramente abertas, os braços estendidos como quem se oferece a um altar. Não havia vergonha no seu corpo. Havia apenas entrega.

— Sabes por que estamos aqui? — perguntou o primeiro, a voz grave e lenta.

— Sei — respondeu ela, a língua a molhar os lábios secos.

O segundo aproximou-se da cama e sentou-se na borda. Os dedos dele percorreram a perna dela, desde o tornozelo até à virilha, com uma lentidão que fazia a pele arder. Ela fechou os olhos e sentiu o toque como uma promessa.

O terceiro ficou de pé, ao lado da cama, a olhar para ela como quem estuda um mapa antes de uma viagem.

— Abre a boca — disse ele, e a voz era baixa, mas firme.

Ela obedeceu. A língua apareceu, húmida e exposta. Ele libertou o sexo da calça, erecto e inchado, e guiou-o até à boca dela. Ela não hesitou. Os lábios envolveram a glande, a língua enrolou-se à volta da haste, e ela começou a chupá-lo com uma cadência lenta e profunda, enquanto os olhos se mantinham fixos nos dele.

Enquanto a boca dela se ocupava, o primeiro homem aproximou-se por trás. As mãos dele seguraram os quadris dela e puxaram-na para a borda da cama. Ela arqueou as costas, oferecendo-se, enquanto a boca continuava a deslizar sobre o membro do terceiro homem.

O segundo homem ajoelhou-se entre as pernas dela. Os dedos dele encontraram o centro molhado e quente, e ele não esperou. Mergulhou os lábios ali, a língua a percorrer a fenda, o clitóris a ser sugado com uma precisão que fez o corpo dela tremer.

Três homens. Três toques. Três fomes diferentes a devorá-la ao mesmo tempo.

O primeiro homem alinhou-se atrás dela, a ponta do sexo a roçar a entrada húmida. Ela sentiu a pressão, sentiu o calor, e prendeu a respiração. Ele entrou lentamente, centímetro a centímetro, enquanto os dedos apertavam-lhe os quadris com violência.

A boca dela continuava a sugar o terceiro homem, a língua a deslizar pela haste, os lábios a apertarem a pele. A respiração dele acelerava, os dedos enrolados no cabelo dela, guiando o ritmo.

O segundo homem não parava de lamber o seu centro, a língua a mergulhar fundo, os dedos a pressionarem o clitóris, o ritmo implacável.

Ela sentiu o primeiro homem começar a mover-se por trás. As estocadas eram profundas e curtas, o ritmo acelerado, o som da pele a bater na pele a misturar-se com os gemidos abafados pela boca cheia.

— Mais — sussurrou ela, a voz partida — mais fundo.

O primeiro homem obedeceu. As mãos apertaram os cabelos dela, puxando-a para trás, expondo o pescoço. Mordeu-lhe a nuca, enquanto o ritmo se tornava mais violento.

O segundo homem levantou-se, os lábios brilhantes, e posicionou-se à frente dela. A mão dele segurou o queixo dela e guiou o seu rosto para cima.

— Olha — ordenou — olha o que estás a fazer.

Ela olhou. Viu os três homens à volta dela, cada um com o desejo estampado no rosto. E sentiu o poder de os ter ali.

O terceiro homem saiu-lhe da boca, e ela sentiu o vazio momentâneo. Mas rapidamente o primeiro a substituiu, sentando-se na cama e puxando-a pelo cabelo até que a boca dela encontrasse o seu membro húmido.

O segundo homem ajoelhou-se novamente entre as pernas dela, mas desta vez enfiou dois dedos dentro dela, curvando-os, pressionando a parede interna. O polegar continuava a tocar o clitóris, e o ritmo era tão acelerado que ela sentia o gozo a subir como uma maré.

— Não pares — implorou ela, a boca ainda cheia do primeiro homem — não pares, não pares...

Mas eles pararam.

Todos eles pararam.

O silêncio encheu o quarto. Ela ficou ofegante, o corpo a tremer, os olhos úmidos.

— Pediste para parar? — perguntou o terceiro, com um sorriso lento.

Ela balançou a cabeça, desesperada.

— Então diz — o primeiro homem aproximou-se, a voz rouca — diz que és nossa. Que este corpo é para nos servir.

— Sou vossa — gemeu ela, a voz partida — sou vossa, sou vossa, sou...

O segundo homem não a deixou terminar. Os dedos voltaram a entrar, e o gozo explodiu antes que ela pudesse preparar-se. O corpo contraiu-se violentamente, os dedos apertaram os lençóis, o grito escapou-lhe rouco e longo.

Os três homens não pararam. O primeiro entrou novamente nela por trás, enquanto o segundo a beijava com fome e o terceiro guiava a mão dela para o seu membro, forçando-a a acariciá-lo enquanto o gozo ainda ecoava.

O ritmo tornou-se brutal. Cada um se movia sem sincronia, a devorar o corpo dela de todos os lados, os gemidos a misturarem-se, o suor a escorrer, os lençóis a desfazerem-se.

Ela sentiu o segundo homem gozar na sua boca, o líquido quente a escorrer-lhe pela garganta. O primeiro homem gozou dentro dela, o corpo a tremer, os dedos cravados na sua anca. O terceiro homem gozou por cima do peito dela, o esperma a escorrer pelos seios até à barriga.

Três gozos. Três corpos. Uma só mulher.

Quando tudo terminou, ficou deitada no centro da cama, coberta de líquido, de suor, de marcas. Os três homens estavam deitados à volta dela, a respiração a acalmar-se, o silêncio a pesar sobre os corpos.

O primeiro homem virou-se para ela, a mão a descansar sobre a sua barriga ainda trémula.

— Ainda tens fome?

Ela abriu os olhos lentamente, com um sorriso lento que era também uma promessa.

— Sempre.




  Cléia Fialho

sábado, 9 de agosto de 2014

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

ENTRE SEDAS E DOMÍNIOS – UMA NOITE A TRÊS



Eu estava deitado na cama deles, e eles adoravam ter-me assim, entregue, vulnerável, pronto para tudo. Foi ele quem me contou, com detalhes, como tudo aconteceu.

A minha Rainha ordenou que eu me deitasse de costas e, sem hesitar, inclinou-se sobre mim, colando os lábios aos meus. Com a boca ainda na minha, sussurrou:

– Queres foder a nossa querida parceira, não queres?

Senti o desejo a crescer como uma onda dentro de mim. A resposta saiu quente, quase sem fôlego:

– Quero, sim, meu amor… Diz-lhe que quero que ela me foda inteiro.

Ela deslizou a língua pelo meu corpo, descendo devagar, provocando cada centímetro da minha pele.

– Queres que ela te agarre neste pau, que o esfregue como eu faço?
– Quero, amor… – gemi.
– Então vou pegar na mão dela e guiá-la até aqui. Gostas, não gostas?
– Gosto… Que tesão tão grande vocês me dão… É tão bom…

Ela continuou a descer, até que a língua dela rodeou a cabeça do meu pau, quente e húmida, a ponta vermelha e inchada de tanto desejo.

– Queres que a nossa querida parceira o meta na boca dela?
– Sim, amor… – roguei.
– Então vamos. Vou colocá-lo na boquinha dela. Chupa, ele adora. Mama-lhe o pau todo, engole… É maravilhoso fazer um broche, não é? Chupa-o todo, querida, não tenhas medo. Deixa-me provar também um bocadinho…

Ela mamou com força, enquanto eu ali ficava, perdido naquele prazer brutal.

– Enquanto ela te chupa, vou morder as maminhas dela. Queres, querido?
– Sim, amor, morde os biquinhos da nossa parceira… Devagarinho, assim…
– Também queres chupá-las? – perguntou ela, com um sorriso malicioso.
– Quero. Dá-mas, mete os peitos dela na minha boca…

Ela levantou-se e aproximou-se, oferecendo-me as mamas da nossa querida, e eu chupei-as com avidez.

– E agora, como queres foder a nossa parceira? Queres que eu encoste o teu pau ao cuzinho dela?
– Sim, amor, quero… Até me esporro só de pensar…
– Então mete só a cabecinha, devagar, que dói à nossa querida…

O meu pau já roçava o rabinho dela, a tesão a latejar-me todo. Mas ela mudou de posição, obrigou-me a deitar de novo de costas e montou o meu rosto, com um joelho de cada lado.

– Anda, querido, chupa o grelinho da nossa parceira. Faz-lhe um minete como fazes a mim. Faz com que ela se venha na tua boca. Enquanto isso, eu chupo-lhe as maminhas. Vamos deixá-la louca de tesão… Olha, vê a minha língua e a dela…

E foi assim que ela se veio na minha boca, enquanto a outra gemia com os mamilos sugados com força.

Depois, ela deitou-se sobre mim, enfiou a língua na minha boca e murmurou:

– Sentes as duas a foder-te? Gostas, amor? Anda, dá-nos a tua esporra… Eu quero, a nossa parceira também quer… Anda, dá-me o teu leitinho, dá-lhe também… Andaaaa…

– Sim, querida, dou-vos a ambas… Tomaaaaa… Foda-se, que tesão tão grande… Com a nossa parceira é sempre tão bom…

– Eu e ela, não te esqueças… – respondeu ela, com um sorriso maroto, antes de se levantar para cuidar da higiene.

Fiquei ali, atordoado, o corpo ainda a tremer. Tomei um duche rápido, mas quando saí, ela já tinha a mão no meu pau, que começava a endurecer de novo.

– Humm… Foi bom, não foi, amor?
– Foi, muito bom. Temos de repetir com a nossa parceira mais vezes…

Querida parceira, foi mais ou menos assim. Houve muito mais, claro. A foda foi longa, intensa, com mais palavras, mais gemidos, mais entrega. Tu estavas lá, e nem imaginas a tesão que nos provocas. Também mamaste nos peitos da minha Rainha – grandes, lindos, com uns bicos deliciosos, principalmente quando ela está cheia de desejo. Não houve minete entre vocês, apenas língua e mamas, mas o suficiente para nos deixar loucos.

Eu amei esta loucura a três. E sim, estive lá com eles, nessa noite e em muitas outras. E é sempre assim: uma doideira, uma tesão absurda, impossível de controlar.




  Cléia Fialho

domingo, 3 de agosto de 2014

NOITES DE VERÃO



O calor da noite pesa no corpo e a insônia vem junto com ele.

A sala está escura, iluminada apenas pela luz que entra da rua. As sombras dançam pelas paredes e trazem consigo lembranças, vontades, coisas que a gente nem sabe se são do passado ou do futuro.

— Quero você com calma. Bem devagar.

Ele sorri. Não precisa responder. O sorriso já diz tudo.

Está no sofá, corpo relaxado, olhando para a televisão sem prestar atenção ao que passa. Eu estou deitada sobre ele, minhas pernas esticadas para fora do sofá, sentindo o vento morno que entra pela varanda aberta.

O cansaço tomou conta de mim. Ele nota. Os dedos dele começam a percorrer meu corpo com leveza, traçando caminhos lentos pelo meu rosto, minha nuca, meus ombros.

Cada toque seu é cuidado puro. E esse cuidado acende uma chama que não consigo controlar.

As mãos dele seguem explorando. Uma segura a minha com firmeza. A outra desliza pelo meu corpo com segurança, sabendo exatamente onde tocar. Os movimentos são precisos, lentos, e me levam aonde ele quer me levar.

Chego lá. No silêncio, no calor, sem pressa.

Me ergo e busco sua boca. O beijo é urgente, selvagem. Nossas línguas dançam uma com a outra num ritmo próprio, um beijo que parece não ter fim.

Saímos da sala. As roupas ficam pelo caminho, esquecidas no chão. Quando chegamos ao quarto, já estamos completamente nus. Deitamos lado a lado, sem pressa.

E começamos.

Gosto de envolver sua cintura com minhas pernas e prender meus braços em volta do seu pescoço. Ele sorri diante dessa prisão que o prende — mas que ele adora.

Cada movimento é sentido. Profundo. Às vezes suave, outras vezes intenso. Ele entra e sai de mim como quem conhece cada centímetro do meu corpo.

Adoro quando ele segura minhas pernas e as abre ao máximo, me esticando até quase o limite. Dessa forma, ele pode ir mais fundo.

E depois, muda de posição. Junta minhas pernas, levanta-as e me penetra assim. O beijo vem com tudo, cheio de vontade. A posição é complicada, não é das mais confortáveis, mas sentir ele tão dentro de mim faz valer cada segundo.

Voltamos ao jeito inicial e continuamos.

O prazer chega devagar, quase em silêncio. Nossos gemidos são baixos, contidos, apenas sussurros escapando entre os beijos.

Ele me diz que esses sons que faço mexem com ele de um jeito que não dá pra explicar.

Nem precisa explicar.
Apenas sentir.
E sentir é tudo.




  Cléia Fialho