TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia




sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A PONTE DOS TRÊS AMANTES



O vento do fim de tarde cortava a ponte abandonada quando Bia parou no centro exato, os quadris encostados no corrimão enferrujado. O metal rangeu sob o peso dela — um gemido longo que ecoou sobre o rio seco lá embaixo.

Rafa e Leo estavam a três passos de distância, um de cada lado, os olhos medindo o adversário antes mesmo de olharem para ela.

"Você veio", Rafa disse, a voz grave e pausada. As narinas dilataram.

"Eu sempre venho", Bia respondeu.

Leo soltou uma risada curta, o pescoço tenso. "A pergunta é: quem fica?"

Bia mordeu o lábio inferior e sentiu o gosto de ferrugem no ar. Os dois se aproximaram devagar, como se a ponte fosse ceder sob o peso da disputa. Rafa segurou o pulso dela com firmeza, os dedos calejados marcando a pele. Leo roçou os dedos na nuca de Bia, o toque leve e provocativo.

"Essa ponte não é de ninguém", Bia disse, cortando os dois. Tirou a jaqueta de couro dos ombros e espalhou no concreto, entre os pés deles. "E eu quero os dois agora."

Rafa agarrou a nuca de Bia e a puxou para um beijo duro, a língua invadindo a boca dela sem pedir licença. A saliva escorreu pelo queixo de Bia enquanto ela gemia contra os lábios dele.

Leo levantou o cabelo preto curto dela e colou a boca no pescoço, os dentes roçando a pele. Por trás, desceu o sutiã e apertou os seios de Bia com as duas mãos, os polegares pressionando os mamilos.

Bia abriu a calça de Rafa e enfiou a mão, apertando o pau duro. A outra mão puxou Leo pela cintura, abrindo a calça dele também. Rafa abaixou a calça dela até os joelhos. Leo arrancou a calcinha.

Os dois trocaram um olhar sobre o ombro de Bia. A tensão virou cumplicidade.
Bia empurrou os dois para a jaqueta no chão e caiu de joelhos entre eles.

De joelhos sobre a jaqueta de couro, Bia sentiu o concreto frio sob os joelhos, mas o calor que subia pelas coxas apagava qualquer desconforto. Leo estava de pé à sua frente, o pau duro apontado para o rosto dela, a glande roxa e brilhante de pré-gozo. Bia segurou a base com uma mão e lambeu a ponta, sentindo o gosto salgado. 

Depois abriu a boca e engoliu tudo de uma vez, a garganta se fechando em volta do pau até os lábios tocarem os pelos loiros na base. A saliva escorreu pelo queixo enquanto ela estufava a boca, os olhos lacrimejando. Leo gemeu e agarrou o cabelo preto curto dela, a veia no pescoço saltando.

Atrás dela, Rafa se ajoelhou e posicionou a glande na entrada da boceta molhada. Bia sentiu a pressão e empurrou o quadril para trás, oferecendo-se. Rafa enfiou tudo de uma vez, uma estocada funda que arrancou um gemido abafado da boca cheia de Bia. Ele começou um ritmo constante, as mãos calejadas cravadas nos quadris magros dela, os dedos marcando a pele sobre as cicatrizes dos ombros. 

A boceta fremia a cada investida, o suco escorrendo pelas coxas e pingando na jaqueta. O rangido da ponte acompanhava as estocadas de Rafa — um som metálico e antigo que ecoava no vazio sob eles, marcando o ritmo do sexo. Bia gemia alto, a boca cheia vibrando no pau de Leo, enquanto Rafa metia cada vez mais forte.

"Troca", Leo disse, a voz rouca. Ele puxou Bia pelo cabelo e tirou o pau da boca dela. Rafa saiu de dentro e os dois trocaram de posição. Bia se virou e montou em Leo, que estava deitado sobre a jaqueta. Ela segurou o pau dele e sentou devagar, a boceta engolindo cada centímetro até o saco bater na carne. 

Bia gemeu alto, a cabeça jogada para trás, os seios balançando. Leo apertou os quadris dela e começou a meter de baixo. Rafa ficou de pé ao lado, masturbando-se com força, a mão subindo e descendo pelo pau molhado do suco de Bia.

Bia puxou Rafa pela cintura e enfiou o pau dele na boca, sem parar de cavalgar Leo. Agora ela estava cheia dos dois — o pau de Leo enterrado na boceta, o de Rafa na boca. O rangido da ponte ficou mais alto, sincronizado com os três corpos se movendo juntos. 

Bia gozou primeiro, a boceta apertando em espasmos no pau de Leo, o suco escorrendo no saco dele. Rafa gemeu e gozou na cara dela, a porra branca jorrando no queixo, nos seios, escorrendo pelas mamas. Leo gozou dentro, a porra quente enchendo a boceta e vazando pelas bordas, pingando na jaqueta de couro enquanto o rangido da ponte cessava.

Bia deixou a cabeça cair no peito nu de Leo, o coração dele ainda acelerado contra a orelha. Rafa puxou a jaqueta de couro do chão e cobriu os três, a mão encontrando a coxa dela por baixo, os dedos parados ali sem exigir nada. A porra secava nas coxas de Bia, os três corpos suados e grudentos respirando em silêncio. O rangido da ponte voltou baixinho, um gemido de metal cansado. 

Rafa e Leo trocaram um olhar por cima da cabeça dela — sem provocação, só o reconhecimento de quem dividiu o mesmo corpo e sobreviveu. Bia fechou os olhos e sentiu os dois ao mesmo tempo, o peso de Rafa de um lado, o calor de Leo do outro, e não precisou escolher. Rafa murmurou que a ponte aguentou. Leo riu baixo. Bia sorriu com os olhos fechados.




  Cléia Fialho

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O CADERNO DA GAVETA DE BAIXO



Segunda-feira, 23h51
Comprei este caderno hoje. Vai guardar o que ele me faz.

No hotel, sentou-me na secretária, abriu-me as coxas devagar, e a boca dele desceu-me até me fazer implorar. Vim contra os seus dentes, com as pernas a tremerem sobre os seus ombros, gritando um palavrão que nunca me tinha ouvido dizer. 
Depois pôs-me de joelhos no tapete e disse "agora és tu." E eu obedeci — provei-o inteiro, engoli-o, olhei-o nos olhos quando ele veio na minha boca. Ainda tenho o gosto dele por baixo da língua enquanto escrevo.

O meu marido dorme ao lado. Cheiro os meus dedos e estremeço.


Terça-feira, 01h12
Fiz-me contra a almofada esta noite, a pensar nele. Fechei os olhos e recuperei ontem, tim tim por tim tim: a mão dele a apertar-me o pescoço, a voz baixa a chamar-me sua puta, os dentes dele a deixarem-me marcas no interior das coxas que hoje me arderam no elevador do escritório.

Chamei-lhe senhor uma vez, sem querer. Ele riu contra a minha coxa: "outra vez." E eu disse. E disse mais três, até ele me levar até ao fim com só a língua, devagar, como se tivesse a noite inteira para me destruir.

Vinte anos casada e nunca tinha gozado assim. Nunca.


Quarta-feira, 02h30
Casa de banho do escritório.

Ergueu-me para o mármore frio, rasgou-me a renda com os dedos — ouvi o tecido a ceder — e entrou em mim de uma só vez, fundo, sem paciência para preliminares. Vim em três minutos, mordendo-lhe o ombro por cima da camisa para não gritar. Ele veio dentro de mim com a boca colada à minha, um gemido rouco engolido entre as línguas.

Deixou-me a escorrer sobre o mármore. Não me limpei bem. Voltei à reunião com as coxas coladas uma à outra, sentindo-o descer por dentro da meia enquanto o meu chefe falava de números.

Nunca me senti mais viva. Nunca me senti mais dele.


Quinta-feira, 23h20
Jantou cá. Com a mulher. Com o meu marido à mesa.

Ao café, seguiu-me ao meu quarto com desculpa de wi-fi. Empurrou-me contra a porta, ergueu-me o vestido pelas ancas, puxou a minha cueca para o lado, e enterrou dois dedos em mim enquanto me tapava a boca com a outra mão para eu não gemer. Vim em três minutos, com o meu marido a rir-se lá em baixo de qualquer piada da mulher dele, com os dedos dele a saírem molhados do meu corpo e a subirem-me à boca para eu os chupar.

Descemos com dois minutos de diferença. Servi mais café. A minha renda ficou torcida por baixo do vestido, e cada vez que me mexia na cadeira sentia-o dentro de mim outra vez.

Nunca me odiei tanto. Nunca me quis tanto.


Sexta-feira, 03h04
Hotel de sempre. Foi diferente hoje.

Prendeu-me os pulsos à cabeceira com a gravata dele. Passou uma hora inteira a torturar-me com a boca — a chegar-me perto, a afastar-se, a rir baixinho quando eu implorava. Quando finalmente entrou em mim eu já não sabia como me chamava. Cavalgou-me com uma lentidão cruel, mão fechada no meu pescoço, olhos nos meus, dizendo-me obscenidades ao ouvido que eu nunca vou repetir.

Vim três vezes antes de ele me deixar descansar. Depois, deitado ao meu lado, com o dedo a percorrer a minha coluna, disse:

— Deixa-o. Vem viver comigo.

Fiquei calada tanto tempo que ele percebeu que não era não. Era medo.
Se ele bater à minha porta amanhã, eu abro.


Sábado, 04h47
Bateu. Com mala.

Puxei-o para dentro. No corredor: rasgou-me a camisa de dormir, ajoelhou-se, provou-me contra a parede até eu escorregar para o chão a tremer. Depois, no sofá: cavalguei-o de frente, mordendo-lhe o pescoço até deixar marca, sentindo-o pulsar cada vez mais fundo. Na cozinha: dobrou-me sobre a mesa, entrou por trás com uma mão no meu cabelo e a outra no meu clítoris, e fez-me gritar tão alto que os vizinhos com certeza ouviram.

Acabámos na cama que sempre foi do meu marido. Ele veio dentro de mim três vezes esta noite. Vou deixar os lençóis assim.

Quando o meu marido voltar amanhã do congresso, quero que veja. Quero que sinta o cheiro. Quero que saiba, ao olhar-me, que eu já não sou dele há muito.


Domingo, 22h30
Chegou às três. Percebeu antes de eu falar. Chorou no corredor.

Eu não me mexi. Fiquei a olhá-lo com o cheiro do outro homem ainda no meu corpo, com uma mordida no ombro que a blusa não escondia, com o cabelo desfeito da noite que não tinha acabado quando o meu marido chegou.

Arrumou uma mala e saiu. Sentei-me no chão da entrada — mesmo no sítio onde a noite anterior me tinha entregado — e passei o dedo pela mordida.

Depois liguei-lhe.
— Estou à tua espera.

— Vou já.

Vou pôr este caderno na gaveta de baixo, atrás das meias antigas. Vou fechar a casa. Vou meter-me na cama dele, no hotel, e vou deixá-lo tomar-me tantas vezes quantas ele quiser — sem relógio, sem culpa, sem nome falso na recepção.

Aos quarenta e três, começo hoje a viver a minha vida.
Fecho o caderno.
Cheiro-lhe o couro uma última vez.

E vou.



  Cléia Fialho

sábado, 1 de novembro de 2014

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

DEPOIS DO PRIMEIRO ORGASMO



A lua prateada entrava pela janela entreaberta do quarto, iluminando o corpo nu de Ana deitada na cama. Seus mamilos rosados estavam duros, apontando para o teto enquanto ela esperava. A porta se abriu e João entrou, já sem roupa, o pau grosso balançando entre as pernas.

Ele se aproximou da cama sem dizer uma palavra. Suas mãos grandes agarraram os tornozelos de Ana e puxaram suas pernas para cima, abrindo-as completamente. O rosto dele desceu entre suas coxas e sua língua encontrou o clitóris inchado dela, lambendo devagar primeiro, depois sugando com força. Ana gemeu alto, os quadris se movendo contra a boca dele.

João enfiou dois dedos dentro da boceta molhada dela, movendo-os para dentro e para fora enquanto continuava chupando o clitóris. O som molhado dos dedos entrando e saindo preenchia o quarto. Ana apertava os lençóis, os seios subindo e descendo com a respiração pesada.

Ele se levantou e posicionou o pau na entrada da boceta dela. Com um impulso firme, enterrou todo o pau dentro dela de uma vez. Ana gritou de prazer, as paredes internas apertando ao redor do pau grosso. João começou a foder ela com força, o pau entrando e saindo completamente a cada estocada.

Ele agarrou os seios dela, apertando os mamilos entre os dedos enquanto continuava metendo fundo. Ana enrolou as pernas ao redor da cintura dele, puxando-o mais para dentro. O pau batia contra o fundo da boceta dela a cada estocada.

João virou Ana de quatro, empurrando o pau de volta dentro dela por trás. Agarrou os quadris dela e fodeu com mais força, as bolas batendo contra o clitóris dela a cada estocada. Ana gozou primeiro, o corpo tremendo, a boceta apertando ao redor do pau dele. João continuou fodendo ela através do orgasmo, até que ele também gozou, enchendo ela com jatos quentes de porra.

Depois do primeiro orgasmo, João não parou. Ele puxou o pau ainda duro para fora da boceta encharcada de Ana e passou a cabeça grossa entre as dobras inchadas dela, espalhando a mistura de porra e gozo pela boceta sensível. Ana ofegava, o corpo mole na cama, mas João a virou de barriga para cima novamente e mergulhou a cara entre suas pernas mais uma vez. Sua língua lambeu a boceta inchada dela, sugando os lábios inchados e o clitóris latejante, bebendo a própria porra que tinha acabado de jorrar dentro dela.

Ana agarrou o cabelo dele, gemendo mais alto quando ele enfiou a língua dentro da boceta dela, fodendo-a com a língua enquanto os dedos dele apertavam seus mamilos. Ela gozou de novo, o corpo convulsionando, o gozo escorrendo pela boca dele.

João se levantou, o pau latejando, e empurrou Ana contra a cabeceira da cama. Ele segurou a cabeça dela com uma mão e enfiou o pau na boca dela com a outra. Ana engoliu o pau grosso dele até o fundo da garganta, engasgando mas não parando. João fodeu a boca dela com força, as bolas batendo contra o queixo dela enquanto ela engolia o pau até o fundo.

Ele a puxou para cima e a colocou de costas contra a parede. Levantou uma perna dela e enfiou o pau na boceta dela novamente, fodendo-a contra a parede com estocadas profundas e rápidas. Ana gritava a cada estocada, as unhas arranhando as costas dele enquanto ele a fodia sem piedade.

João a levou até a janela, abriu a cortina completamente e a dobrou sobre o parapeito. Ele enfiou o pau na boceta dela por trás, fodendo-a enquanto a lua iluminava seus corpos. Qualquer um que olhasse para cima poderia ver Ana sendo fodida sem piedade, o pau entrando e saindo dela sem parar.

Ele gozou mais uma vez dentro dela, enchendo a boceta dela até transbordar. Ana sentiu a porra quente escorrendo pelas coxas enquanto João continuava a foder ela através do segundo orgasmo dele. Ele a virou novamente e a colocou de joelhos, ordenando que ela limpasse o pau dele com a boca. Ana lambeu e chupou o pau dele, engolindo a mistura de porra e gozo dela, até que João a puxou para cima e a beijou profundamente, compartilhando o gosto com ela.

Eles caíram na cama juntos, o corpo dele ainda dentro dela, o pau amolecendo lentamente dentro da boceta inchada e cheia de porra dela. Ana sorriu, satisfeita e exausta, enquanto João beijava seu pescoço e sussurrava que ainda não tinha acabado com ela.




  Cléia Fialho

domingo, 26 de outubro de 2014

SELVAGEM EM PRAIA DESERTA



A praia deserta respirava silêncio, mas o vento carregava luxúria. 
A lua iluminava o mar como cúmplice, e cada onda que quebrava parecia marcar o ritmo da selvageria. 
Ele a puxou pela cintura, jogando-a contra a areia fria, o corpo dela se arqueando sob o peso da fúria. 
Sua boca mordia, sugava, rasgava, enquanto as mãos a prendiam contra o chão úmido.

Ela, faminta, se ergueu sobre ele, cavalgando sem clemência, unhas cravadas no peito, gemidos brutos que ecoavam como trovões no espaço aberto. 
O som do mar se misturava ao som dos corpos, e a praia inteira se tornava cúmplice da violência.

Ele a virou de repente, pressionando-a contra uma rocha lisa. 
O contraste entre o frio da pedra e o calor da carne era devastador. 
Cada estocada era brutal, cada gemido uma explosão que fazia o mar parecer rugir em resposta.

Ela, em transe, mordia o pescoço, arranhava os braços, exigia mais. 
O espaço aberto intensificava a selvageria: não havia paredes, não havia limites, só luxúria explícita. 
O cheiro de sal, suor e saliva impregnava o ar, transformando a praia em altar profano.

No fim, ambos desabaram sobre a areia, corpos marcados por arranhões, mordidas e gozo. 
O mar, silencioso, guardava o segredo sujo da noite: ali não houve ternura, só pecado repetido, só prazer devastador.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

SELVAGENS NA CABANA



A cabana isolada no meio da noite parecia respirar pecado. 
O cheiro de madeira úmida misturava-se ao suor que já escorria antes do primeiro toque. 
Ele a empurrou contra a mesa rústica, o som da madeira rangendo acompanhava cada gesto brutal. 
Sua boca percorreu cada curva, mordendo, sugando, rasgando, enquanto as mãos a prendiam contra o frio da superfície áspera.

Ela, faminta, se ergueu sobre ele, cavalgando sem clemência, unhas cravadas no peito, gemidos brutos que ecoavam como trovões dentro das paredes estreitas. 
O teto baixo vibrava com cada movimento, e a cabana inteira se tornava cúmplice da selvageria.

Ele a virou de repente, pressionando-a contra a janela empoeirada. 
O vidro mostrava apenas sombras da mata, mas dentro, cada estocada era brutal, cada gemido uma explosão que fazia o espaço tremer como se fosse parte da guerra.

Ela, em transe, mordia o pescoço, arranhava os braços, exigia mais. 
O espaço pequeno intensificava a violência: não havia fuga, não havia pausa, só luxúria explícita. 
O cheiro de suor e saliva impregnava o ar, transformando a cabana em altar profano.

No fim, ambos desabaram sobre o chão de madeira, corpos marcados por arranhões, mordidas e gozo. 
A cabana, silenciosa, guardava o segredo sujo da noite: ali não houve ternura, só pecado repetido, só prazer devastador.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

SELVAGENS NO CARRO



O carro parado no acostamento parecia um esconderijo proibido. 
O vidro já embaçava antes mesmo do primeiro toque. 
Ele a puxou para o banco de trás com brutalidade, o estofado rangendo sob o peso da luxúria. 
Sua boca percorreu cada curva, mordendo, sugando, rasgando, enquanto as mãos a prendiam contra o couro quente.

Ela, faminta, se ergueu sobre ele, cavalgando sem clemência, unhas cravadas no peito, gemidos brutos que ecoavam no espaço apertado. 
O teto vibrava com cada movimento, o carro inteiro se tornava cúmplice da selvageria.

Ele a virou de repente, pressionando-a contra o vidro lateral. 
O frio do cristal contrastava com o calor da carne em convulsão. 
Cada estocada era brutal, cada gemido uma explosão que fazia o carro tremer como se fosse parte da guerra.

Ela, em transe, mordia o pescoço, arranhava os braços, exigia mais. 
O espaço pequeno intensificava a violência: não havia fuga, não havia pausa, só luxúria explícita. 
O cheiro de suor e saliva impregnava o ar, transformando o carro em um templo profano.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

terça-feira, 14 de outubro de 2014

FOGO INFINITO



O desejo queima dentro de mim como um inferno que nunca se apaga, uma fome que corrói a alma e consome o corpo em chamas vivas. 
Dedos famintos deslizam, invadem, exploram cada curva da virilha com uma voracidade implacável, penetrando fundo, provocando tremores e ondas de prazer que reverberam por todo o meu ser. 

A boca, uma fera insaciável, suga, lambe, morde com uma precisão cruel e deliciosa, incendiando cada centímetro da minha pele. 
Gemidos se transformam em gritos abafados, quebrando o silêncio da noite numa sinfonia frenética e selvagem de entrega e paixão.

O suor escorre quente e pegajoso, misturando-se ao gozo intenso que explode sem aviso, como chamas que rasgam a carne, consumindo tudo ao redor. 
A língua desliza por trilhas secretas e proibidas, provocando arrepio e fazendo a carne vibrar, estremecer em cada toque, mordida e suspiro sufocado. 

Cada suspiro é um convite ao êxtase, uma promessa de prazer absoluto que não conhece limites nem freios. 
Dedos entram, mergulham fundo, dominam e comandam, enquanto a respiração se perde, acelerando, quase sufocante. O tempo se dilui, as horas se anulam diante da voracidade do prazer total, da entrega completa, do fogo que consome, regenera e renasce.

É mais que desejo, é uma tempestade selvagem de luxúria, um ritual sagrado onde corpos se procuram, se encontram, se devoram e se perdem na dança eterna do gozo. 
Cada toque é uma explosão, cada beijo um campo minado de sensações, cada movimento um grito de liberdade e submissão. 
A pele se arrepia, os músculos tremem, o coração dispara, tudo se mistura num turbilhão de sensações que transcendem o físico e atingem o mais profundo do ser.

O hálito quente na nuca, a pressão firme das mãos, o deslizar dos corpos suados e famintos, tudo se converte numa única vontade: explodir em um êxtase sem fim. 
O orgasmo não é mais um momento, é uma sucessão de ondas que me arrastam para longe da razão, para o abismo delicioso do prazer sem limites. 
Gozar na boca, sentir a intensidade do toque nas profundezas, é ser dominada, ser dona, é ser tudo e nada ao mesmo tempo.

No ápice da loucura, quando a pele queima, os corpos se fundem e o mundo desaparece, restam apenas os suspiros, os gemidos e o desejo que nunca se apaga. 
Somos fogo e cinzas, tempestade e calmaria, voracidade e ternura na mesma medida exata, entregues ao delírio, ao êxtase, à mais pura e selvagem luxúria que existe.

E nesse fogo infinito, renascemos, consumidos e vivos, prontos para recomeçar a dança do prazer que nunca termina.




  Cléia Fialho

sábado, 11 de outubro de 2014

O NÉCTAR DA TUA PELE



As mãos dele encontraram a parte interna das coxas dela e afastaram-nas com uma lentidão que era quase uma oração. A luz do poste de rua entrava pela janela e pintava de prata a umidade que já brilhava entre as pernas dela. 
Ele viu-a exposta — os grandes lábios entreabertos, a vulva reluzente de lubrificação, cada dobra da pele a brilhar como se o corpo dela já tivesse começado sem ele.

Ela prendeu a respiração. Os quadris empinaram-se num movimento involuntário, a coluna a arquear-se contra os lençóis amassados, oferecendo-se antes que qualquer palavra fosse dita.

Ele baixou a boca até à pele interna da coxa direita e soprou as palavras contra a carne quente e trémula.

— Bebo o teu néctar.

Os polegares dele deslizaram para dentro, abrindo-a devagar, expondo a vulva brilhante por inteiro. O hálito quente banhou o clitóris e ela estremeceu — um espasmo que lhe percorreu o corpo todo e lhe arrancou um som que ainda não era um gemido.

A boca dele pairou a centímetros da fenda, o hálito a misturar-se com a umidade que já escorria.

A língua dele subiu plana da entrada da vagina até ao clitóris, recolhendo tudo o que ela já tinha derramado. O gosto encheu-lhe a boca — salgado e denso e inteiramente dela.

Ela agarrou-lhe os cabelos com as duas mãos e empinou os quadris contra o rosto dele, a voz a falhar num gemido que era também uma súplica.

— Me delicio — murmurou ele com a boca cheia da carne inchada.

A língua traçou círculos firmes em volta do clitóris e ela gemeu alto, um som que lhe escapou do peito sem pedir licença. Os lábios dele sugaram o botão rijo enquanto dois dedos deslizavam para dentro, cobertos da lubrificação espessa que escorria.

O queixo dele ficou encharcado. O néctar desceu-lhe pela mandíbula e pingou nos lençóis já úmidos.

Ela arqueou as costas, os dedos a crisparem-se no tecido amarrotado, o corpo inteiro a tremer na beirada.

O grito dela rasgou o quarto escuro — um som que começou fundo no peito e explodiu contra as paredes. Os quadris travaram no ar, suspensos, e o corpo inteiro se arqueou como se uma corrente elétrica a atravessasse. Ele sentiu o primeiro espasmo antes de o ouvir — a vagina pulsou contra a língua e um jorro quente inundou-lhe a boca.

Ele empurrou a língua o mais fundo que conseguiu, estocando a entrada em movimentos rápidos e duros. Os dedos cravaram-se nas nádegas dela, puxando o sexo contra o rosto com força implacável. O nariz esfregava o clitóris a cada investida, e ela gemia — sons partidos, sem palavras, só o corpo a falar.

Os fluidos jorraram outra vez. Quentes, abundantes, enchendo-lhe a boca e escorrendo pelo queixo. As paredes da vagina apertaram-lhe a língua em pulsos rítmicos, e ele gemeu contra a carne inchada, um som grave e abafado. — Me lambuzo — a voz saiu trêmula, lambuzada, os lábios colados à vulva que ainda pulsava.

Ela veio em espasmos incontroláveis, os quadris a sacudir, as coxas a tremerem contra as orelhas dele. Outro jorro, mais abundante, e ele bebeu. Engoliu o néctar quente com gemidos de devoção, a garganta a trabalhar, o corpo dele próprio a tremer. O líquido escorria-lhe pelo pescoço, empapava os lençóis, mas ele não parava — a língua ainda estocava, ainda recolhia cada gota.

O último espasmo foi um soluço. Ela desabou nos lençóis amassados, o peito a arfar, e ele soltou um gemido grave contra a vulva, o corpo a tremer de um prazer que não era o seu — era só fome saciada. Engoliu o último gole e ergueu o rosto encharcado. Olhou nos olhos dela e lambeu os lábios cobertos de seus fluidos.

Os dedos dela agarraram os cabelos dele, puxando-o para cima com uma força que a exaustão não apagara. Ele subiu, o corpo magro a tremer, o rosto ainda a brilhar. Ela não esperou. Puxou-lhe a nuca e colou a boca à dele.

A língua dela passou pelo queixo encharcado, recolhendo os últimos resquícios de seus próprios fluidos. Gemeu contra os lábios dele ao provar-se — salgada, densa, quente. O beijo foi lento, as línguas a enrolarem-se, ela a lamber cada canto da boca dele como se quisesse decorar o sabor de si mesma misturado ao dele.

— Meu Deus — murmurou ela, a voz rouca, os lábios ainda colados aos dele. — Eu tô toda na tua boca.

Ele sorriu, exausto, e deixou a cabeça cair no peito dela. O coração batia aos pulos contra a orelha dele — tum-tum-tum — um tambor descontrolado que aos poucos abrandava. O suor dos dois misturava-se, os corpos colados, os lençóis úmidos embaixo deles. Ele sentiu os dedos dela a percorrerem-lhe as costas, leves, trêmulos ainda.

— Você me fez desmoronar — sussurrou ela contra o topo da cabeça dele. A voz falhou na última sílaba. — Completamente.

Ele não respondeu com palavras. Só virou o rosto e beijou o esterno dela, os lábios ainda pegajosos. Ela segurou-lhe o rosto lambuzado contra o peito, os dedos a afundarem-se nos cabelos molhados de suor, e suspirou. O ar saiu longo, trêmulo, um abandono final. Os corpos ficaram assim — grudados pelo suor e pelo néctar, o quarto escuro embalando-os no silêncio da madrugada.




  Cléia Fialho