TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia




terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

CARRASCO DO MEU DELÍRIO



Escolho-te como vítima do meu vício mais cru,
para que ardas comigo no abismo 
onde o prazer não tem fundo.
Transformo tua boca em punhal que me atravessa devagar,
matando-me de gozo em mordidas 
que deixam marca na carne.

Tua língua desce feroz 
e traça versos obscenos na minha pele,
enquanto eu arqueio e ofereço o pescoço, o ventre, a fenda.
Faço-te dono dos meus gritos quebrados,
carrasco dos meus arqueamentos,
executor dos suspiros que guardei trancados no peito.

És o sacerdote da minha fome enterrada,
e eu abro as coxas como altar vivo,
onde o suor é incenso,
onde cada estocada é prece profana,
onde cada gozo é absolvição selvagem.

Penetras-me fundo e sem perdão,
a carne se abre em fogo,
os fluidos escorrem em rios,
e eu morro de prazer em teus braços.
Não há redenção.

Apenas nós dois,
destruídos e eternos no inferno particular
que inventamos com línguas, dentes e sexo.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

TEMPESTADE VISCERAL



Cada estocada tua é raio que me parte ao meio
Cada gemido meu é trovão que sacode o teto escuro.
É vertigem, é naufrágio, 
é minha carne naufragando em ti.
Tua língua é raiz que me abre, 
teu gozo é flor que me colhe

E no pecado profundo da penetração encontro absolvição selvagem.
Somos cena proibida,
filme secreto, estreia de fogo sem aplausos,
Apenas suor e escuridão 
e o som úmido de nossas peles colidindo.
Cada estocada é blasfêmia, 
cada gozo é eternidade,

É incêndio, é infinito, 
é espelho que nos duplica em labirinto de prazer.
Risco e fuga, 
constelação e eclipse, 
universo inteiro nascendo entre minhas coxas.
É viagem sem volta, 
destino certo, 
chegada de corpos trêmulos e destruídos.
Cada beijo é ressaca que me afoga, 
cada gozo é mergulho profundo no teu abismo.

Minha boca é poesia que se desfaz, 
tua chupada é confissão, minha entrega é eternidade.
Tormenta, delírio, 
tempestade viva, 
banquete e festim de nós.
Não há fim. 
Apenas capítulo novo. 
Apenas nós.




  Cléia Fialho

domingo, 15 de fevereiro de 2015

O ÚLTIMO ANDAR



A porta se fechou com um estalo seco. Ela parou no centro do quarto, os olhos castanhos percorrendo a cama desfeita, a luz dourada do abajur escorrendo pelos lençóis como mel. Ele deu um passo. Ela recuou um, as costas quase tocando a parede. Ele parou, encostou na porta, as mãos grandes e imóveis ao lado do corpo. 

Os olhos escuros dele não piscavam. Ela mordeu o lábio inferior até a carne empalidecer sob o batom vermelho, mas não desviou o olhar. A luz do abajur banhava o rosto dele, deixando a mandíbula definida em meia sombra. Ele avançou devagar, as mãos ainda paradas, e a eletricidade entre eles zumbia no ar parado do quarto.

Ele avançou sem aviso. As mãos grandes agarraram a blusa dela e puxaram com força — o tecido cedeu, os botões saltaram no carpete, e o ar frio do quarto bateu nos seios nus. Ela tentou cobri-los, os braços cruzados sobre o peito, mas ele segurou os pulsos dela e os afastou, firmes, contra o colchão.

— Não.

A boca dele desceu. Abocanhou o mamilo esquerdo com força, a língua áspera girando em círculos lentos. Ela soltou um gemido involuntário, as costas arqueando contra a cama. A luz do abajur banhava os dois, dourada e quente, revelando cada centímetro de pele que ela queria esconder.

As mãos dele deslizaram pelas coxas dela, empurrando a saia para cima. Os dedos encontraram a calcinha — o tecido já úmido, grudado na pele. Ele sustentou o olhar enquanto rasgava a lateral com um puxão seco. O som do tecido cedendo encheu o quarto.

Dois dedos entraram de uma vez. Fundo. O ritmo foi implacável desde o primeiro instante, a palma da mão batendo no clitóris a cada estocada. O líquido escorreu pelos dedos dele, quente, descendo pelos nós dos dedos enquanto ela gemia de boca aberta contra o travesseiro.

Ele se afastou, os dedos ainda molhados, e desabotoou a calça.

— Agora você vai tomar tudo.

Ele a virou de bruços com um único movimento, a mão espalmada entre as omoplatas empurrando o peito dela contra os lençóis. O joelho dele abriu as coxas dela, brutais, e ela ficou de quatro, os seios balançando, o rosto meio afundado no travesseiro. A cabeça do pau encostou na entrada molhada — e ele entrou. 

Uma estocada seca até o fundo, o quadril batendo na bunda dela com um estalo que ecoou no quarto. Ela gritou abafada, os dedos agarrando o lençol. Ele não deu pausa. O ritmo veio brutal, profundo, o saco batendo na carne molhada a cada investida, o som obsceno da buceta encharcada engolindo o pau repetidamente.

Ela tentou rastejar para longe, os joelhos escorregando no colchão, mas ele agarrou os quadris dela com as duas mãos e puxou de volta, cravando os dedos na carne macia. — Fica. A voz dele saiu grave, perto da nuca dela. A mão subiu pelas costas, agarrou o cabelo escuro na raiz e puxou a cabeça para trás, forçando as costas a arquearem num ângulo impossível. Ele continuou fodendo sem pausa, o quadril martelando, o líquido dela escorrendo pelas coxas em fios quentes. A luz do abajur banhava os corpos suados, dourada, implacável, revelando cada tremor.

O polegar dele deslizou molhado pela fenda até o ânus e pressionou. Entrou devagar, a resistência cedendo, e ela gemeu alto, o corpo inteiro tremendo. As estocadas na buceta e no cu ficaram sincronizadas, o pau e o dedo invadindo juntos, e ela gritou — um som rouco, descontrolado, que ela não reconheceu como seu. — Implora. 

A ordem veio contra a orelha dela, a respiração quente. Ela mordeu o lábio até doer, mas a pressão aumentou, o ritmo acelerou, e a palavra escapou: — Por favor... por favor, mais... Ele recompensou com mais força, o quadril castigando, o dedo enfiado até o fundo.

Ela desabou de bruços, as pernas moles. Ele a virou de costas com um tapa na coxa, abriu as pernas dela com os joelhos e enterrou o pau de novo, o ritmo ainda mais duro. O suor pingava do peito dele no ventre dela. A mão livre subiu e apertou a garganta, os dedos pressionando os lados, limitando o ar enquanto ele estocava fundo. Ela gemeu com a voz falhando, os olhos revirando. A buceta apertou em espasmos, contraindo no pau dele, e o orgasmo veio em ondas — o líquido quente escorrendo na base da pica, molhando os lençóis.

Ele estocou três vezes sem controle, o corpo tenso, e puxou o pau para fora. O sêmen jorrou espesso sobre o ventre e os seios dela, branco, quente, escorrendo pela pele marcada. A luz do abajur incidia sobre os corpos imóveis, dourada e silenciosa. O sêmen escorre pelo ventre dela enquanto ofega, olhos fechados, corpo ainda tremendo.

O sêmen esfriava no ventre, uma camada que endurecia sobre a pele ainda quente. Ela não moveu um músculo para limpá-lo. A luz do abajur dourava a mancha branca espalhada sobre os seios e a barriga, e ela deixou que ficasse ali — prova, marca, resto. Ele se deitou ao lado, o peito subindo e descendo pesado, e puxou o corpo suado dela contra o dele. O braço dele a envolveu pela cintura, os dedos afundando na carne mole da lateral. 

Ela sentiu o cheiro dele — sal, sexo, o almíscar que impregnava o travesseiro. O ar que ela prendera a noite inteira escapou num sopro longo, e a mão dela subiu devagar até encontrar a dele sobre sua barriga. Os dedos se entrelaçaram frouxos. Ele passou o indicador pelo sêmen no ventre dela e espalhou o líquido morno num círculo lento sobre a pele, o toque leve, quase uma carícia — o contrário exato da violência de minutos antes. Ela fechou os olhos e murmurou "Eu não peço" — mas sua mão apertou a dele.




  Cléia Fialho

sábado, 14 de fevereiro de 2015

ENTRE LENÇÓIS MOLHADOS



O suor escorre,
o tecido gruda em minha pele,
teu cheiro me enlouquece,
meus gemidos se espalham pelo quarto.

Teus dedos me penetram,
tua boca me suga,
meu ventre explode em ondas,
meus gemidos se tornam música profana.

Os lençóis se tornam mar,
nossos corpos, barcos à deriva,
navegando em ondas de prazer.
Cada toque é tempestade,
cada beijo é naufrágio,
cada gozo é ressaca que nos arrasta.

E quando finalmente nos afogamos,
não há volta,
apenas o mergulho profundo
no oceano da luxúria.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

VARANDA PROIBIDA



A noite nos cobre,
o vento acaricia minha pele,
mas é tua língua que me devora.

Me abro inteira,
te recebo sem pudor,
meus gritos se misturam ao silêncio da rua,
pecado exposto, prazer sem fronteiras.

O risco nos excita,
a varanda é altar,
nossos corpos, oferenda.
Cada gemido é confissão,
cada estocada é blasfêmia,
cada gozo é absolvição.

E quando explodimos juntos,
a cidade dorme,
mas nós queimamos,
selvagens, insanos,
devorados pelo próprio desejo.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

ABISMO DO ÊXTASE



Não há tempo, não há espaço,
apenas nós, devorados pela luxúria.
Teus estocadas me rasgam,
meus gemidos me libertam,
meu corpo se entrega sem medo.

Explodimos juntos,
lágrimas e suor se confundem,
não há começo nem fim,
apenas fogo, apenas loucura,
apenas nós dois,
perdidos no abismo do prazer.

O chão desaparece,
o teto se dissolve,
o mundo se apaga.
Somos só nós,
dois corpos fundidos,
dois instintos sem fronteiras,
dois animais em cio,
devorados pelo próprio delírio.

E quando finalmente nos desfazemos,
não resta nada além da certeza:
somos luxúria, somos pecado,
somos eternidade em carne viva.




  Cléia Fialho