TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia




terça-feira, 7 de julho de 2026

SAUDADE FEZ MORADA EM MIM


Após tanto tempo longe do teu olhar
Hoje estou novamente diante de você
E nem encontro palavras
Pra explicar o que guardei no peito.

Há tanto sentimento querendo sair
Contar que esse amor só cresceu em silêncio
Que a saudade fez morada em mim
E que sem tua presença
Tudo perdeu o brilho e o sentido.

Agora entendo
Que tua história era um livro bonito.

Que minhas mãos nunca
conseguiram folhear por inteiro.

Entrei de alma no jogo da paixão
Arrisquei meu coração sem medo
Mas no desfecho dessa estrada
Foi você quem eu perdi.

Sem você
Não existem madrugadas aquecidas
Nem abraços demorados na penumbra
Nem lençóis bagunçados pelo amor.

Sem você
Até a Lua parece distante
Sou apenas alguém perdido pelas ruas
Desfazendo-me aos poucos
Carregando tua falta dentro do peito.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 6 de julho de 2026

DESEJO VESTINDO ILUSÕES


Não se acha um amor verdadeiro pelas ruas
Nem perdido nas noites de um balcão qualquer
Às vezes é só desejo vestindo ilusões
Que mais tarde a memória prefere esquecer.

Não se encontra um grande amor em aventuras
São instantes vazios, carícias sem calor
Promessas disfarçadas, jogos de aparência
Que cobram caro demais de quem chama isso amor.

Pensei em você outro dia, quando a chuva caía lenta
E teu semblante ainda vive dentro do meu olhar
Eu te quis com tamanha entrega e inocência
Sonhei dividir contigo um caminho e um lar.

Mas quem nasceu rio pequeno
Não entende a imensidão do mar.

Você cruzou minha vida como vento violento
Desarrumou meus sonhos, feriu meu coração
Mas o tempo foi curando o que restou do sofrimento
E hoje já não carrego tua lembrança na mão.

Pensei em você outro dia, enquanto o céu chorava
E teu sorriso ainda insiste em me visitar
Te amei de forma sincera, imaginei nossa história
Mas um rio é pouco demais pra quem nasceu pra navegar.





  Cléia Fialho

domingo, 5 de julho de 2026

O CHEIRO DO MATE QUENTE



Nos campos abertos do Sul,
onde o horizonte se estende sem pressa,
eu respiro junto da terra
o cheiro do mate quente
enquanto o vento brinca
nos meus cabelos de mulher do pampa.

Carrego em mim
o mistério das tardes douradas,
o passo firme
de quem cresceu entre bois, guitarras
e silêncios compridos de estrada.

Meu olhar aprende
a profundidade dos lagos escondidos
entre os cerros,
e meu coração conhece
a calma antiga da natureza.

Visto cores que dançam com o sol,
flores bordadas em tecidos leves,
e caminho devagar,
como quem entende
que o tempo não precisa correr
para ser bonito.

Ao longe, vejo o galpão soltando fumaça,
e o cheiro da lenha queimando
mistura-se à relva molhada
que cobre os campos depois da chuva.

Quando passo pelos caminhos do interior,
parece que o próprio campo sorri para mim.
Os pássaros cantam mais livres,
o vento sopra mais manso,
e a tarde inteira ganha outro brilho.

Não existe pressa nos meus gestos,
nem medo na minha liberdade.
Sou filha da terra,
sou vento que atravessa coxilhas,
raiz que resiste ao tempo,
flor que nasce no silêncio
e fogueira acesa nas noites frias do Sul.

Entre o mugir dos bois
e o canto do quero-quero,
sigo firme,
guardando na alma
o sabor simples da vida campeira
e levando no corpo
as marcas vivas da paisagem
que me criou.





  Cléia Fialho

sábado, 4 de julho de 2026

ÁGUAS ADORMECIDAS



A luz da lua
toca o mar
com dedos de prata silenciosa,
espalhando reflexos
sobre as águas adormecidas
da noite.

Nada se move
ao redor do horizonte.
Nem a brisa desperta
as folhas cansadas,
nem o céu parece respirar.
Existe apenas esse instante
parado entre nós.

O tempo
não passa como antes.
Ele se arrasta devagar,
como se cada segundo
carregasse o peso
da tua ausência.

Eu fico
na margem das lembranças,
guardando tuas palavras
como quem protege
uma chama acesa
contra o frio da madrugada.

Você vai
silenciosamente,
levando contigo
o calor dos encontros,
o brilho dos olhos
e os sonhos que inventamos
em noites antigas.

A saudade
nos separa
em distâncias que não se medem
por caminhos ou mapas,
mas por silêncios longos
que doem dentro do peito.

Os ventos
já não se ouvem
cantando entre as árvores.
Até eles parecem perdidos,
como se também procurassem
o eco da tua voz
na imensidão da noite.

E a lua continua ali,
tocando o mar
com sua luz tranquila,
enquanto eu permaneço
entre lembranças e espera,
ouvindo o coração
chamar baixinho por você.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 3 de julho de 2026

COMO NÉVOA SOBRE RIOS



Nas noites em que o luar
despeja prata sobre a pele do mundo,
há um fogo silencioso
percorrendo os corpos
como um segredo antigo.

Teus olhos encontram os meus
e, nesse instante suspenso,
o tempo se desfaz
como névoa sobre rios
que correm para o mesmo destino.

Há desejo nas entrelinhas do toque,
na demora breve dos dedos,
na respiração que vacila
ao sentir a proximidade
de um beijo ainda não dado.

O vento passa devagar,
acariciando nossos silêncios,
enquanto a noite nos envolve
em sua dança morna
de sombras e arrepios.

Cada suspiro acende
uma chama delicada,
e a paixão, viva e inquieta,
floresce sob o luar ardente
como estrela incendiando o céu.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 2 de julho de 2026

quarta-feira, 1 de julho de 2026

ENTRE PELE E SILÊNCIO


Permite-me entrar na tua pele em calma,
Como quem segue um rio sem direção,
Devagar, onde o silêncio ganha alma
E o tempo se desfaz na sensação.

Quero colher de ti toda a presença,
Até que o mundo perca o seu rigor,
E reste apenas luz na transparência
De um gesto que se torna puro amor.

Deixa que eu te percorra em sutileza,
Como brisa a aprender teu contorno,
Despertando em teu corpo a leveza.

E que teus olhos brilhem, sem temor,
Na entrega onde se apaga toda incerteza,
Dois seres se encontram no mesmo ardor.





  Cléia Fialho