TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sábado, 27 de dezembro de 2014

PECADO NO MOTEL



Ele entrou no quarto carregando o peso da culpa. Casado, maduro, olhar faminto. Eu já sabia: era meu fetiche, minha perdição. O cheiro barato do quarto misturava-se ao perfume masculino, e a tensão era palpável.

Fechei a porta e o empurrei contra a cama. Minha boca encontrou a dele, urgente, faminta, nossas línguas se devoraram sem piedade. Minhas mãos desceram rápido, encontraram sua rigidez, e o gemido que escapou foi música suja.

Ele me virou, me prensou contra o colchão, rasgou meu vestido sem cuidado. Sua boca mordia meus seios, seus dedos me abriam sem delicadeza, e eu arqueava, pedindo mais. O som da cabeceira batendo contra a parede era o compasso da nossa fúria.

Eu o puxei para dentro de mim, sem véu, sem pausa. Cada estocada era brutal, cada investida me rasgava em prazer cru. O colchão rangia, o quarto inteiro vibrava, e eu gritava sem pudor, sem medo. Ele me agarrava pelos quadris, me dominava, e eu me oferecia inteira, devassa, faminta.

Mudamos de posição sem descanso. Eu o cavalgava com força, minhas unhas cravadas em seu peito, minha boca mordendo seu pescoço. Ele gemia meu nome, perdido, culpado, mas entregue. O motel se tornava caverna de pecado, nossas marcas gravadas nos lençóis, nossos fluidos espalhados pela noite.

E quando explodimos, não foi suave: foi grito, foi carne em convulsão, foi suor escorrendo, foi gemido rasgando o ar. O gozo foi violento e devastador.

Ainda molhados, ainda famintos, continuei a cavalgá-lo sem piedade, exigindo mais, arrancando gemidos brutos. Ele me segurava com força, me penetrava sem trégua, e o quarto se enchia de cheiro de sexo, de pele batendo contra pele, de gemidos animalescos.

O motel virou arena de pecado: lençóis encharcados, marcas de unhas, mordidas espalhadas pelo corpo. 
Cada estocada era selvagem, cada gozo era repetido, cada respiração era cortada pela fúria do prazer.

Não paramos até o corpo não aguentar mais, até o suor escorrer em rios, até o silêncio ser quebrado apenas pelo som da nossa exaustão. 
Não restou nada além da carne usada, do pecado gravado, da luxúria devastadora que nos consumiu até o limite.




  Cléia Fialho

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

domingo, 14 de dezembro de 2014

O APERTO DO ELEVADOR



O tranco foi seco — um estalo metálico seguido de silêncio. Ela se apoiou na parede do elevador, os olhos fixos no painel. Apertou o botão do térreo uma, duas, cinco vezes. Nada. A luz de emergência banhava o cubículo de um amarelo doentio.

— Não vai funcionar.

A voz dele veio de trás, grave e sem pressa. Ela ignorou e continuou pressionando os botões, os dedos rígidos, o gesto inútil se repetindo. O painel não respondia — as pequenas luzes verdes apagadas, os números mortos.

Ele se moveu. Sem aviso, o antebraço dele roçou o ombro dela ao passar, um contato mínimo que a fez prender a respiração. Ficou parada, o ar preso no peito, enquanto ele se inclinava para o interfone ao lado do painel.

— Interfone também não responde.

Estava perto demais. O calor do corpo dele preenchia o espaço entre eles, e ela desviou o olhar para o chão, os braços cruzados com força. Ele não recuou. Em vez disso, apoiou a mão aberta na parede ao lado da cabeça dela, bloqueando qualquer saída.

O antebraço dele desceu até a porta espelhada, encurralando-a contra o vidro frio. Ela tentou empurrar o peito dele, mas os dedos agarraram a camisa em vez de afastá-lo. Ele a beijou com força, a boca quente pressionando a dela até que seus lábios cederam. A língua dele invadiu, grossa e insistente, e a saliva se misturou enquanto ela abria a boca sob a dele. 

As mãos dela subiram para a nuca dele, as unhas cravando na pele. Ele agarrou as coxas dela por cima da saia, puxando o tecido para cima, e enfiou o joelho entre as pernas dela — o algodão da calcinha arrastando na carne. Ela gemeu contra a boca dele e empurrou a mão dele para dentro da calcinha.

Ele arrancou a calcinha dela com um puxão seco — o algodão rasgou na lateral e o pedaço de tecido caiu no chão do elevador. As mãos grandes agarraram as coxas dela, os dedos cravando na carne macia, e ele a levantou como se não pesasse nada. As costas dela bateram no espelho frio, o vidro gelado contra a pele quente, e ela soltou um gemido curto.

O pau nu encostou na buceta molhada. A glande quente pressionou a entrada, deslizando na umidade que já escorria, e ela ofegou alto — um som que ecoou nas paredes metálicas. Ele não esperou. Empurrou de uma vez, o pau grosso abrindo caminho, engolido até a base num único movimento molhado. Ela gritou. Um grito agudo que saiu involuntário, as costas arqueando contra o espelho, as unhas cravando nos ombros dele.

O quadril dele começou a bombear. Ritmo duro e rápido, o pau entrando e saindo da buceta com força, o saco batendo na carne molhada a cada estocada. O som de líquido preenchia o elevador — chape, chape, chape — misturado com os gemidos dela e a respiração pesada dele. 

As mãos dela agarraram os ombros dele, as unhas cravando fundo, arranhões vermelhos surgindo na pele morena. Ele mordeu o pescoço dela, os dentes pressionando a carne sensível, e a saliva escorreu pela clavícula até o decote da blusa.

Ela retribuiu com o quadril, empurrando contra cada estocada, a buceta apertando o pau dele em espasmos cada vez mais intensos. Gozou com um gemido longo e trêmulo, o corpo tremendo contra o espelho, o líquido quente escorrendo pelo pau dele. Ele continuou bombeando, os dedos ainda cravados nas coxas dela, até que o pau pulsou forte dentro da buceta. Gozou em jatos quentes, a porra enchendo e vazando pela fenda, escorrendo pelas coxas dela em fios grossos.

Ficaram pregados, o pau ainda enterrado, porra e gozo misturados pingando no chão do elevador. A luz de emergência tremelicou. O painel do elevador piscou, os botões ainda inúteis. A perna dela escorregou da cintura dele enquanto o pau ainda pulsava dentro dela.

Os corpos escorregaram juntos pelo espelho até o chão frio do elevador. As pernas dela tremiam, os músculos das coxas ainda em espasmo, e a porra quente continuava escorrendo pela pele, misturada ao próprio gozo. Ele a segurou pela cintura durante a descida, o pau ainda meio duro saindo devagar de dentro dela, e o líquido quente escorreu mais rápido quando o vácuo se desfez. 

Ela caiu de joelhos primeiro, as mãos apoiadas no chão de metal, a respiração ofegante. Ele se ajoelhou ao lado, o peito suado subindo e descendo, e ficaram assim por um momento — nus da cintura para baixo, a roupa amassada, o cheiro de sexo impregnando o ar parado.

Ele levantou a mão devagar e passou o polegar na marca da mordida no pescoço dela. A pele estava inchada, vermelha, os dentes dele ainda impressos na carne sensível. Ela estremeceu com o toque, mas não se afastou. A ponta do polegar percorreu o contorno da marca, pressionando de leve, e a ardência subiu pela nuca. Ela levou a própria mão ao pescoço e tocou a marca também, os dedos encontrando os dele sobre a pele quente. O ardor latejava sob a ponta dos dedos, uma lembrança física do que tinham feito.

Ela olhou para o painel do elevador. Os botões ainda estavam apagados, inúteis como antes, fileiras de números mortos sob a luz amarela de emergência. Uma risada trêmula escapou da garganta dela — curta, sem humor, quase um soluço. Os botões que ela apertara sem parar minutos atrás pareciam agora uma piada sem graça. A ilusão de controle tinha se desfeito completamente, e o que restava era o chão sujo, as coxas molhadas e o homem ao lado.

O elevador deu um tranco. A luz principal acendeu com um zumbido elétrico, branca e forte, varrendo a penumbra amarela. O motor roncou acima deles e a cabine começou a descer. 

Ela se levantou às pressas, as pernas ainda bambas, e puxou a saia para baixo com as mãos trêmulas. Ele se levantou também, mais devagar, e enfiou a calcinha dela no bolso da calça antes de fechar o zíper. O elevador parou no térreo com um sinal sonoro. A porta se abriu. Ela saiu sem olhar para trás, a marca vermelha no pescoço à mostra, a calcinha ainda no bolso dele.



  Cléia Fialho

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

sábado, 6 de dezembro de 2014

O ÚLTIMO BEIJO NA TELA



A sala estava vazia. Só os dois na fileira do fundo, perdidos na penumbra. Ela tentava focar na tela, mas o calor do corpo dele atravessava o encosto de veludo vermelho e subia pela sua espinha. Impossível ignorar.

Ele repousou a mão no apoio de braço entre as poltronas. Os dedos longos, imóveis, a centímetros do ombro dela. O gesto era casual, mas a imobilidade tinha peso — a pausa de quem espera.

Ela cruzou as pernas, o tecido da calça roçando na coxa. A luz da tela explodiu em branco e revelou o rosto dele virado na sua direção. Ele a observava. Ela mordeu o lábio inferior e prendeu a respiração.

Os dedos dele tocaram a parte de trás da sua mão no apoio.

Os dedos dele deslizaram do apoio até o queixo dela. Firmes. Sem pressa. Virou o rosto dela para o seu, a luz da tela pintando metade do rosto dele de azul, a outra metade afundada em sombra.

O beijo veio sem aviso. A boca dele pressionou a dela com fome contida, a língua invadindo, quente e molhada. Ela engoliu a saliva misturada, o gosto dele preenchendo sua boca. Gemeu baixo, o som abafado pelo contato.

A mão dela subiu pelo peito dele. Sentiu o coração acelerado sob a palma, o músculo duro batendo contra as costelas. Ele estava tão tenso quanto ela.

Os dedos dele desceram para a blusa dela. Botão por botão, o tecido se abriu. Ele empurrou o sutiã para baixo com um gesto seco, o elástico cedendo. O ar frio do ar-condicionado atingiu os mamilos dela, que endureceram instantaneamente.

A luz da tela explodiu em branco e inundou os seios nus dela. Expostos. Perfeitos. Ele olhou. Ela não cobriu.

A mão direita dele agarrou o seio esquerdo, o polegar esfregando o mamilo em círculos lentos. Ela arquejou. A mão esquerda dela desceu e apertou o pau duro dele por cima da calça, sentindo o volume pulsar contra a palma.

Ele sussurrou, a voz grave roçando o ouvido dela:

— Levanta.

E puxou a saia para cima.

Ela se levantou, as pernas trêmulas, a saia amassada na cintura. Ele a girou com firmeza, os dedos cravados nos ombros dela, e a colocou de frente para a tela. A luz explodiu em vermelho, banhando as poltronas vazias. Ela ouviu o som do zíper dele baixando, o farfalhar do jeans caindo até os joelhos. As mãos grandes dele agarraram os quadris dela e a puxaram para trás. 

A cabeça do pau roçou a entrada molhada, quente, latejando. Ele empurrou. Uma estocada funda, única, que arrancou um grito abafado da garganta dela. A buceta apertou o pau, as paredes internas se contraindo ao redor da invasão. Ele gemeu grave, os dedos afundando na carne dos quadris dela. Começou a se mover. Estocadas rápidas, secas, o quadril batendo contra a bunda dela com estalos molhados. 

O lubrificante vaginal escorreu, quente, descendo pelo saco dele e pingando no veludo da poltrona. Ela agarrou o encosto à frente, os dedos cravados no tecido vermelho. Os seios nus balançavam a cada impacto, os mamilos duros roçando o veludo áspero. A cada vaivém, um gemido escapava, mais alto, mais descontrolado. O som ecoou pela sala vazia, misturado ao barulho molhado do sexo. 

A luz da tela mudou para azul e iluminou os corpos suados, os músculos das costas dele contraídos, as coxas dela tremendo. Ele enfiou a mão direita entre as pernas dela. Os dedos encontraram o clitóris inchado e começaram a esfregar em círculos rápidos, encharcados do gozo que escorria. Ela gritou. 

O corpo inteiro estremeceu, a buceta apertando o pau em espasmos violentos. O líquido jorrou, quente, escorrendo pelas coxas e manchando o veludo. Ele estocou três vezes, sem ritmo, um grunhido animal escapando dos lábios. Puxou o pau para fora. A porra branca e espessa jorrou sobre a poltrona de veludo vermelho.

A respiração dela ainda vinha em arrancos quando recostou a cabeça no ombro dele. O suor esfriava devagar sobre a pele nua, um arrepio subindo pela espinha a cada lufada do ar-condicionado. Ele não disse nada. A mão grande pousou na nuca dela, os dedos enroscados nos fios escuros grudados de suor. O peito dele subia e descia num ritmo que aos poucos encontrava o dela.

A tela ainda projetava qualquer coisa — cores, sombras, vozes abafadas que nenhum dos dois ouvia. A luz azulada banhou os corpos largados na poltrona de veludo vermelho, agora manchada, úmida, marcada.

Ele se mexeu primeiro. Puxou a blusa dela sobre os seios, o tecido enrugado cobrindo os mamilos ainda duros. Não fechou os botões. Os dedos deslizaram pela gola aberta, ajeitando a lapela com uma calma que contrastava com o que tinham feito minutos antes.

Ela olhou para a poltrona. A mancha branca e espessa brilhava sob a luz da tela, absorvida aos poucos pelo veludo vermelho. Os lábios se curvaram num sorriso preguiçoso, íntimo, que ele não viu — mas sentiu no jeito como o corpo dela amoleceu contra o dele.

A mão dela repousou aberta na coxa dele, os dedos preguiçosos sobre a calça ainda úmida. Ele cobriu a mão dela com a sua. Palma sobre dorso, os dedos se entrelaçando sem pressa.

A tela cortou para os créditos. Letras brancas subindo sobre o fundo preto. A luz da sala acendeu, crua, revelando os dois enlaçados na fileira do fundo.




  Cléia Fialho

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

SEM LICENCA



A porta estalou. 
Rafael encostou-se e o olhar desceu 
— lento, faminto, devorando cada curva antes do toque. 
Ela recuou. 
As costas bateram na parede fria. 
A luz da rua cortou seu rosto, o resto na penumbra. 
Ele avançou. 
Braços a cercaram, mãos espalmadas contra a parede, aprisionando-a no calor dele. 
Almíscar e chuva. 

O nariz roçou seu pescoço. 
A respiração falhou, curta, quente. Os quadris pressionaram seu ventre 
— a ereção dura roçando sua coxa, anunciando sem misericórdia. 
Ela enterrou os dedos nos ombros dele e puxou. 
Os lábios roçaram sua orelha.

— Desta vez você não vai fugir.

A boca de Rafael cobriu a sua sem pedir. 
A língua invadiu urgente, molhada, dominando. 
Ela gemeu. 
Os dedos dele cravaram na sua nuca e a cabeça foi puxada para trás, abrindo mais a boca. 
A parede fria contrastava com o calor ardente do corpo dele colado ao seu. 
A mão desceu pela coxa, subindo até o algodão úmido. 
Um puxão seco e o tecido cedeu rasgado 
— o elástico estalou e caiu no chão, inútil. 
Ela arquejou.

As mãos dela foram para a camisa dele, puxando com urgência frenética. 
Dedos trêmulos desabotoando, libertando o torso quente. 
Ele se afastou só o suficiente para que ela puxasse a camisa e a jogasse longe. 
Os olhos escuros a devoraram, inchados de desejo. 
A boca desceu. 
Beijos molhados no pescoço, mordidas que deixariam marcas, enquanto os dedos puxavam a blusa. 
O tecido subiu, roçou os mamilos duros, e caiu. 
Ele gemeu ao ver os seios nus. 
As mãos os agarraram 
— apertando, puxando os mamilos com polegares em círculos cruéis. 
Ela mordeu o lábio, as costas arqueando, o prazer intenso demais.

Os dedos dela encontraram o cós das calças. 
Desabotoou. 
O zíper desceu com som de metal. 
A mão enfiou na cueca e envolveu o pau 
— duro, quente, grosso, a ponta úmida escorrendo na palma. 
Rafael soltou um som gutural, animal.

As mãos dele desceram para as coxas. Agarraram firme, marcando a pele. 
Ele a ergueu do chão, o desejo a tornando leve, só dele. 
As pernas se enrolaram na cintura por instinto. 
A luz da rua cortou os dois corpos nus e colados enquanto ele a carregava para a cama, cada passo uma promessa de destruição.

O colchão afundou. 
Rafael já estava em cima 
— os joelhos forçando as coxas a se abrirem, escancarando a buceta molhada para a luz. 
Ele desceu. 
A boca quente cobriu a buceta de uma vez, a língua plana lambendo do clitóris até a entrada num movimento lento e possessivo. 
Ela gemeu alto, as costas arqueando. 
Ele sugou os lábios internos, puxando com os dentes de leve, e ela agarrou os cabelos dele com as duas mãos, empurrando a cara contra a buceta. 
Os quadris balançavam sem controle, esfregando na boca dele, a saliva e o mel escorrendo pelo queixo enquanto ele a devorava.

— Me fode 
— ela implorou, a voz estrangulada, rouca. 
— Me fode agora.
Rafael se levantou. 

A cabeça do pau roçou a entrada, quente, inchada. 
Estocou até o fundo com uma só estocada violenta, forçando um gemido estrangulado dela. 
As estocadas vieram rápidas e duras, brutais, os quadris batendo nas nádegas com som de carne molhada, o pau entrando e saindo completamente a cada golpe. 
Ela cravou as unhas nas costas dele, arranhando, levantando os quadris para encontrar cada estocada, os seios balançando. 
Rafael cuspiu nos dedos e esfregou o clitóris em círculos rápidos e cruéis, o pau afundando sem trégua.

O orgasmo a rasgou. 
Ela gritou o nome dele, a boceta contraindo em espasmos violentos, jatos de mel escorrendo e ensopando o lençol. 
Rafael estocou três vezes com força extrema, enterrando fundo, e gozou dentro dela 
— jatos de porra quente enchendo, escorrendo pelos lados quando ele se sacudiu. 
Colapsou sobre ela, o pau ainda pulsando, os dois ofegantes, colados pelo suor.

Rafael rolou para o lado e a puxou contra o peito, os braços envolvendo suas costas com ternura que contrastava com a brutalidade. 
A luz da rua cortava o escuro e pintava listras na pele suada. 
Ela sentia a porra morna escorrendo da buceta inchada, sujando as coxas, mas não se moveu. 
Esfregou a bochecha no peito dele. 
Rafael beijou o topo da cabeça dela e murmurou, a voz rouca:

— Finalmente parou de lutar.

Ela sorriu contra a pele dele, rendida, aliviada, derrotada e vitoriosa. 
Entrelaçou os dedos nos dele sobre o peito e soltou um suspiro profundo, sem vontade de se mover, de fugir, de ser qualquer coisa que não fosse dele.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O BANCO DA PRAÇA



O zumbido do poste era o único som que restava na praça. Ela sentou no banco de pedra e o frio subiu pelas coxas nuas, um arrepio que a fez prender a respiração. A luz amarela caía sobre os ombros como um holofote.

Das sombras, ele se moveu. O Estranho caminhou até a borda da claridade, os olhos claros fixos nela, as mãos paradas ao lado do corpo. Ela viu os dedos tremerem.

Nenhum dos dois falou. O zumbido preenchia o espaço entre eles, elétrico e insistente. Ela não desviou o rosto. Inclinou a cabeça para trás, expondo a garganta, a pele pálida sob a luz, e esperou.

Ele deu mais um passo e a sola do sapato raspou na pedra sob a luz amarela.

Ele deu o último passo e a mão direita subiu até o queixo dela. Os dedos ainda tremiam quando seguraram a mandíbula, firmes, e puxaram o rosto para cima. A boca dele cobriu a dela sem hesitação — língua quente, aberta, invadindo. Ela sentiu a saliva escorrer no canto dos lábios, descendo pelo queixo, e não limpou. Gemeu contra a boca dele, os dentes raspando, a língua empurrando de volta.

As mãos dela acharam a barra da camisa escura e puxaram. O tecido subiu, revelando o abdômen tenso, o calor que emanava da pele. Ele ergueu os braços e ela arrancou a camisa, jogando no chão de pedra. A luz amarela do poste banhou o torso nu, os ombros largos, os músculos que se contraíam sob a pele.

Ela desabotoou a calça dele com dedos ágeis, o zíper descendo num raspar metálico que cortou o zumbido do poste. A mão enfiou por dentro do tecido e fechou ao redor do pau — duro, quente, pulsando contra a palma. Ele soltou um som grave, gutural, e a testa encostou na dela.

As mãos dele desceram pelas costas dela e agarraram a barra da saia. O tecido subiu, enrugando, até se amontoar na cintura. As coxas nuas encontraram o ar frio da noite e a pedra gelada do banco. Ele agarrou as coxas com as duas mãos — dedos cravando na carne macia — e puxou. Ela foi arrastada para o colo dele, as pernas se abrindo, a bunda pressionando contra o volume duro que latejava através da calça.

Ela se esfregou devagar, sentindo o comprimento do pau contra a calcinha molhada. O tecido fino era a única barreira. Ele rosnou contra o pescoço dela, os dentes mordendo a pele, e a mão desceu. Os dedos acharam a borda da calcinha e puxaram para o lado. O pau encostou direto na carne molhada.

Ele empurrou de uma vez.

O pau grosso entrou até a base, abrindo a buceta encharcada numa estocada só. Ela gemeu alto — um som que não planejou, arrancado da garganta, ecoando na praça vazia. As costas arquearam contra o banco de pedra fria. A luz amarela do poste banhou o rosto dela, os olhos revirados, a boca aberta.

As coxas se fecharam ao redor dos quadris dele.

Ele começou a bombear — ritmo rápido, brutal, sem pausa. O pau entrava e saía da buceta molhada com força, o saco batendo contra a bunda dela a cada estocada. O som de carne batendo, molhado e repetido, encheu a praça deserta. Fluidos escorriam pelo pau dele, pingando na pedra fria do banco.

Ela cravou as unhas nas costas dele. Arranhou a pele, puxou, agarrou os ombros largos enquanto ele metia mais fundo. A buceta apertou ao redor do pau — espasmos, contrações, o corpo inteiro tenso. Ela gritou. O orgasmo veio em ondas, sacudindo as pernas, fechando os olhos, a boca mordendo o ar.

Ele grunheu alto. Três estocadas finais, com força total, e gozou dentro. Jatos quentes de porra encheram a buceta dela, pulsando contra as paredes apertadas. O pau ainda enterrado, a porra vazando pelas bordas, pingando na pedra do banco sob a luz amarela.

O corpo dele ainda tremia quando o pau amoleceu e escorregou para fora. Devagar, com um som molhado, a carne deixou a buceta ainda pulsando. Ela sentiu o vazio imediato — a ausência do preenchimento, a frieza do ar noturno tocando onde antes havia calor e pressão. A porra quente veio atrás. Escorreu em fios grossos, descendo pela pele sensível, seguindo o caminho das coxas trêmulas. Gotas brancas pingaram na pedra fria do banco, manchando o cinza com a prova do que tinham feito.

Ela deixou a cabeça cair. O rosto encontrou o peito dele — a camisa escura encharcada de suor, o coração batendo rápido sob o tecido. Tum-tum-tum contra a orelha dela. Rítmico. Vivo. Os olhos se fecharam por um instante, o corpo inteiro entregue ao cansaço que vinha depois do auge. As pernas ainda abertas, a buceta ainda latejando, a porra ainda morna escorrendo.

A mão dele subiu até o cabelo dela. Dedos grossos, os mesmos que tinham agarrado com força, agora passavam devagar pelos fios escuros e desgrenhados. Um carinho sem pressa. Sem palavras. Ela não precisava de palavras. O gesto dizia tudo — a fome tinha passado, mas a presença ficava.

Ela abriu os olhos e olhou para cima. A luz amarela do poste ainda zumbia, banhando os dois corpos exaustos, expondo o que restava do ato. O peito dele subia e descia. O dela também. A praça continuava deserta, silenciosa exceto pelo zumbido elétrico e a respiração dos dois.

O peso da rendição desceu sobre ela como alívio. Não havia mais resistência, não havia mais medo. Só o banco de pedra sob as costas, o peito dele sob a cabeça, a porra escorrendo e secando na pele. Ela fechou os olhos. O zumbido do poste continuou, monótono e constante, enquanto a noite os cobria na praça deserta.




  Cléia Fialho

terça-feira, 25 de novembro de 2014

ENTRE PAREDES DE FOGO



Teu corpo me prende contra o muro, tua boca devora minha pele, meus gemidos ecoam como trovões.
Teus dedos me penetram sem piedade, minha carne se abre em fogo, meu ventre pulsa em ondas selvagens.
Cada estocada é pecado, cada beijo é blasfêmia, cada gozo é absolvição.

E quando explodimos juntos, não há mundo além de nós, apenas brasas ardentes, apenas luxúria sem fronteiras.
O suor escorre entre meus seios e desce lento pela minha coluna,
cada gota testemunha do fogo que consome minha pele sob a tua.
Tuas mãos descem ferozes pelo meu ventre, acendendo rastros de chama em cada poro,
e eu me abro, entrego, arqueio sob o teu peso e sinto teu desejo entrar fundo e devagar.
Rasgas o silêncio em gemidos roucos e profundos que me arrancam a alma pela garganta.
Gozamos juntos em explosão final, corpos trêmulos e colapsados, saciados e eternos no lençol quente e encharcado.

Mas a fome não dorme.
A tua boca desce voraz até meu sexo ainda pulsante, a língua provoca o centro de tudo, e eu grito outra vez, sem controle.
Tuas mãos apertam meus quadris, me posicionam para receber-te de novo.
Entras com força, o ritmo é brutal, ininterrupto, e eu aperto as unhas nas tuas costas enquanto o novo orgasmo rasga minha garganta.
Colapsamos juntos, ofegantes, destruídos, grudados pelo suor da noite inteira.

Teu hálito quente contra meu pescoço acende novo fogo lento, o suor esfriando entre nossos ventres colados.
A madrugada nos encontra entrelaçados, dedos traçando mapas furtivos na pele ainda trêmula.
Sinto o teu desejo despertar novamente contra minha coxa, e sorrio no escuro, pronta para ser devorada mais uma vez.

A umidade entre minhas pernas já é incontrolável, um escorregadio lembrete obsceno e quente de que meu corpo está pronto, aberto, exposto, faminto, vibrando em expectativa crua.
Sinto o colo uterino pulsar em chamado receptivo e profundo, esperando ser preenchido, rasgado, completado por teu desejo de pedra.
Cada batida de sangue na minha pele sensível grita por tua entrada violenta, a fenda molhada escorre em súplica voraz que mancha os lençóis.

O sexo incha, os lábios latejam, a boceta aperta em convulsão antecipatória, e eu me arqueio sozinha, ofegante, oferecendo o vazio úmido que teu pau duro pode sarar.
Penetras-me em estocada profunda até a base, o útero te recebe em espasmo apertado e faminto, e gozo em gritos que rasgam a noite escura, fluidos quentes escorrendo em prova de que estava pronta, destruída, preenchida, eternamente tua no lençol encharcado.

Vencidos pelos vícios que nos corrompem e consagram em fogo vivo, eternidade erótica se restringe aos desejos que pulsam vorazmente nas veias.
Tua língua traça versos obscenos em minha pele arqueada e ofegante, descendo devagar pelo ventre sensível, provocando o centro de tudo, até eu gritar em convulsão descontrolada e profunda que rasga o silêncio.
Penetras-me em estocada única e brutal, fundo e sem trégua nem piedade, meu corpo apertando em espasmos violentos que arrancam o ar dos meus pulmões.
Gozamos juntos em explosão final e única, fluidos quentes nos unindo em correnteza, corpos trêmulos e colapsados, grudados de suor intenso e desejo insaciável.
A noite inteira nos devora em ritmo ininterrupto e faminto sem limites, saciados, destruídos, eternos no lençol quente e manchado de nós.




  Cléia Fialho