TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O BANCO DA PRAÇA



O zumbido do poste era o único som que restava na praça. Ela sentou no banco de pedra e o frio subiu pelas coxas nuas, um arrepio que a fez prender a respiração. A luz amarela caía sobre os ombros como um holofote.

Das sombras, ele se moveu. O Estranho caminhou até a borda da claridade, os olhos claros fixos nela, as mãos paradas ao lado do corpo. Ela viu os dedos tremerem.

Nenhum dos dois falou. O zumbido preenchia o espaço entre eles, elétrico e insistente. Ela não desviou o rosto. Inclinou a cabeça para trás, expondo a garganta, a pele pálida sob a luz, e esperou.

Ele deu mais um passo e a sola do sapato raspou na pedra sob a luz amarela.

Ele deu o último passo e a mão direita subiu até o queixo dela. Os dedos ainda tremiam quando seguraram a mandíbula, firmes, e puxaram o rosto para cima. A boca dele cobriu a dela sem hesitação — língua quente, aberta, invadindo. Ela sentiu a saliva escorrer no canto dos lábios, descendo pelo queixo, e não limpou. Gemeu contra a boca dele, os dentes raspando, a língua empurrando de volta.

As mãos dela acharam a barra da camisa escura e puxaram. O tecido subiu, revelando o abdômen tenso, o calor que emanava da pele. Ele ergueu os braços e ela arrancou a camisa, jogando no chão de pedra. A luz amarela do poste banhou o torso nu, os ombros largos, os músculos que se contraíam sob a pele.

Ela desabotoou a calça dele com dedos ágeis, o zíper descendo num raspar metálico que cortou o zumbido do poste. A mão enfiou por dentro do tecido e fechou ao redor do pau — duro, quente, pulsando contra a palma. Ele soltou um som grave, gutural, e a testa encostou na dela.

As mãos dele desceram pelas costas dela e agarraram a barra da saia. O tecido subiu, enrugando, até se amontoar na cintura. As coxas nuas encontraram o ar frio da noite e a pedra gelada do banco. Ele agarrou as coxas com as duas mãos — dedos cravando na carne macia — e puxou. Ela foi arrastada para o colo dele, as pernas se abrindo, a bunda pressionando contra o volume duro que latejava através da calça.

Ela se esfregou devagar, sentindo o comprimento do pau contra a calcinha molhada. O tecido fino era a única barreira. Ele rosnou contra o pescoço dela, os dentes mordendo a pele, e a mão desceu. Os dedos acharam a borda da calcinha e puxaram para o lado. O pau encostou direto na carne molhada.

Ele empurrou de uma vez.

O pau grosso entrou até a base, abrindo a buceta encharcada numa estocada só. Ela gemeu alto — um som que não planejou, arrancado da garganta, ecoando na praça vazia. As costas arquearam contra o banco de pedra fria. A luz amarela do poste banhou o rosto dela, os olhos revirados, a boca aberta.

As coxas se fecharam ao redor dos quadris dele.

Ele começou a bombear — ritmo rápido, brutal, sem pausa. O pau entrava e saía da buceta molhada com força, o saco batendo contra a bunda dela a cada estocada. O som de carne batendo, molhado e repetido, encheu a praça deserta. Fluidos escorriam pelo pau dele, pingando na pedra fria do banco.

Ela cravou as unhas nas costas dele. Arranhou a pele, puxou, agarrou os ombros largos enquanto ele metia mais fundo. A buceta apertou ao redor do pau — espasmos, contrações, o corpo inteiro tenso. Ela gritou. O orgasmo veio em ondas, sacudindo as pernas, fechando os olhos, a boca mordendo o ar.

Ele grunheu alto. Três estocadas finais, com força total, e gozou dentro. Jatos quentes de porra encheram a buceta dela, pulsando contra as paredes apertadas. O pau ainda enterrado, a porra vazando pelas bordas, pingando na pedra do banco sob a luz amarela.

O corpo dele ainda tremia quando o pau amoleceu e escorregou para fora. Devagar, com um som molhado, a carne deixou a buceta ainda pulsando. Ela sentiu o vazio imediato — a ausência do preenchimento, a frieza do ar noturno tocando onde antes havia calor e pressão. A porra quente veio atrás. Escorreu em fios grossos, descendo pela pele sensível, seguindo o caminho das coxas trêmulas. Gotas brancas pingaram na pedra fria do banco, manchando o cinza com a prova do que tinham feito.

Ela deixou a cabeça cair. O rosto encontrou o peito dele — a camisa escura encharcada de suor, o coração batendo rápido sob o tecido. Tum-tum-tum contra a orelha dela. Rítmico. Vivo. Os olhos se fecharam por um instante, o corpo inteiro entregue ao cansaço que vinha depois do auge. As pernas ainda abertas, a buceta ainda latejando, a porra ainda morna escorrendo.

A mão dele subiu até o cabelo dela. Dedos grossos, os mesmos que tinham agarrado com força, agora passavam devagar pelos fios escuros e desgrenhados. Um carinho sem pressa. Sem palavras. Ela não precisava de palavras. O gesto dizia tudo — a fome tinha passado, mas a presença ficava.

Ela abriu os olhos e olhou para cima. A luz amarela do poste ainda zumbia, banhando os dois corpos exaustos, expondo o que restava do ato. O peito dele subia e descia. O dela também. A praça continuava deserta, silenciosa exceto pelo zumbido elétrico e a respiração dos dois.

O peso da rendição desceu sobre ela como alívio. Não havia mais resistência, não havia mais medo. Só o banco de pedra sob as costas, o peito dele sob a cabeça, a porra escorrendo e secando na pele. Ela fechou os olhos. O zumbido do poste continuou, monótono e constante, enquanto a noite os cobria na praça deserta.




  Cléia Fialho

terça-feira, 25 de novembro de 2014

ENTRE PAREDES DE FOGO



Teu corpo me prende contra o muro, tua boca devora minha pele, meus gemidos ecoam como trovões.
Teus dedos me penetram sem piedade, minha carne se abre em fogo, meu ventre pulsa em ondas selvagens.
Cada estocada é pecado, cada beijo é blasfêmia, cada gozo é absolvição.

E quando explodimos juntos, não há mundo além de nós, apenas brasas ardentes, apenas luxúria sem fronteiras.
O suor escorre entre meus seios e desce lento pela minha coluna,
cada gota testemunha do fogo que consome minha pele sob a tua.
Tuas mãos descem ferozes pelo meu ventre, acendendo rastros de chama em cada poro,
e eu me abro, entrego, arqueio sob o teu peso e sinto teu desejo entrar fundo e devagar.
Rasgas o silêncio em gemidos roucos e profundos que me arrancam a alma pela garganta.
Gozamos juntos em explosão final, corpos trêmulos e colapsados, saciados e eternos no lençol quente e encharcado.

Mas a fome não dorme.
A tua boca desce voraz até meu sexo ainda pulsante, a língua provoca o centro de tudo, e eu grito outra vez, sem controle.
Tuas mãos apertam meus quadris, me posicionam para receber-te de novo.
Entras com força, o ritmo é brutal, ininterrupto, e eu aperto as unhas nas tuas costas enquanto o novo orgasmo rasga minha garganta.
Colapsamos juntos, ofegantes, destruídos, grudados pelo suor da noite inteira.

Teu hálito quente contra meu pescoço acende novo fogo lento, o suor esfriando entre nossos ventres colados.
A madrugada nos encontra entrelaçados, dedos traçando mapas furtivos na pele ainda trêmula.
Sinto o teu desejo despertar novamente contra minha coxa, e sorrio no escuro, pronta para ser devorada mais uma vez.

A umidade entre minhas pernas já é incontrolável, um escorregadio lembrete obsceno e quente de que meu corpo está pronto, aberto, exposto, faminto, vibrando em expectativa crua.
Sinto o colo uterino pulsar em chamado receptivo e profundo, esperando ser preenchido, rasgado, completado por teu desejo de pedra.
Cada batida de sangue na minha pele sensível grita por tua entrada violenta, a fenda molhada escorre em súplica voraz que mancha os lençóis.

O sexo incha, os lábios latejam, a boceta aperta em convulsão antecipatória, e eu me arqueio sozinha, ofegante, oferecendo o vazio úmido que teu pau duro pode sarar.
Penetras-me em estocada profunda até a base, o útero te recebe em espasmo apertado e faminto, e gozo em gritos que rasgam a noite escura, fluidos quentes escorrendo em prova de que estava pronta, destruída, preenchida, eternamente tua no lençol encharcado.

Vencidos pelos vícios que nos corrompem e consagram em fogo vivo, eternidade erótica se restringe aos desejos que pulsam vorazmente nas veias.
Tua língua traça versos obscenos em minha pele arqueada e ofegante, descendo devagar pelo ventre sensível, provocando o centro de tudo, até eu gritar em convulsão descontrolada e profunda que rasga o silêncio.
Penetras-me em estocada única e brutal, fundo e sem trégua nem piedade, meu corpo apertando em espasmos violentos que arrancam o ar dos meus pulmões.
Gozamos juntos em explosão final e única, fluidos quentes nos unindo em correnteza, corpos trêmulos e colapsados, grudados de suor intenso e desejo insaciável.
A noite inteira nos devora em ritmo ininterrupto e faminto sem limites, saciados, destruídos, eternos no lençol quente e manchado de nós.




  Cléia Fialho

sábado, 22 de novembro de 2014

NO CARRO PARADO



O estacionamento está vazio, só o poste distante joga luz amarela sobre o capô, e o carro é uma caixa de metal quente onde o ar não circula, onde o suor nos gruda.
O couro quente sob minha pele, teu corpo me invade sem demora.

Tuas mãos largas fecham meus pulsos e os prendem contra o encosto do banco, o peso de ti sobre mim afunda o couro, e eu sinto cada centímetro do teu desejo duro contra minha coxa.

Me arqueio no banco, minha boca grita teu nome, meus gemidos abafam o silêncio da rua.
A janela embaciada esconde o pecado, mas o carro balança leve, um ritmo de maré, e cada solavanco é uma estocada que me arranca o ar e me destrói em pedaços.

No teu corpo eu sei as letras, a caligrafia do teu sexo, sei-lhe o gosto a um salgado único, quando o saboreio com a língua, o percorro num delírio faminta, em suave delicadeza lambo.
Me abaixo no espaço apertado entre o banco e o teu corpo, a cabeça batendo no painel e engulo-te fundo, a garganta relaxando, o sabor de ti enchendo minha boca em ondas.

Teus dedos cravam no meu cabelo, puxando, guiando, e eu chupo com fome de quem não janta há dias.
Os sexos vão-se lambusar, que vão trocar carícias entre eles, que a cada estocada tua em mim é delírio, que fazer amor é a imensidão do sexo, sei que os lábios serão soberbos ao receberem-te, sei que no vai e vêm da fome comemos-nos.

Fome de ti, quando a coreografia da tua boca me saboreia, quero-te com a luxúria na ponta da língua, podias saborear-me noite fora vendada por ti, contorço-me nesta tesão do teu sexo, toma-me, em estocadas mansas, deliro, sem pingo de vergonha... fodes-me, amas-me, reviras-me do avesso e, fazes-me tua.
Tua boca desce voraz pelo meu pescoço, mordendo o colo, lambendo o suor entre meus seios, as mãos apertam minha cintura, levantam meu quadril no espaço apertado do banco traseiro.

Abres minhas pernas com força, o joelho batendo na porta, e penetras-me de uma só vez, fundo e brutal, até a base, até eu sentir o teu peso me partindo ao meio.
A tua boca beijou a minha, a tua mão me tocou os seios, tocas-te o meu sexo, o teu dedo me fez contorcer, o meu sexo se humedeceu para ti.

O carro balança mais forte, o som de carne molhada batendo enche o espaço fechado, e eu grito contra o teu ombro, mordendo a camisa, as unhas arranhando o couro do banco.
Tuas mãos apertam meus quadris, levantando-me e arriando-me no teu colo num ritmo selvagem, e eu gozo primeiro, em espasmos violentos que apertam teu sexo em ondas profundas, fluidos quentes escorrendo pelo couro, sujando tudo, marcando o território.

Tu rosnas meu nome e aceleras, três estocadas mais profundas, e despejas dentro de mim, quente, espesso, pulsando, enquanto o carro para de balançar e só sobra o nosso hálito ofegante.
Caímos juntos no banco traseiro, escorregadios, destruídos, grudados de suor e sexo, e pela janela embaciada vemos a madrugada chegar, indiferente, enquanto eu ainda sinto teu sêmen quente escorrendo de mim, prova de que o carro parado é o nosso altar particular, onde seremos destruídos outra vez, sempre, sem fim.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

domingo, 16 de novembro de 2014

SOBRE A MESA DE MADEIRA



O quarto cheira a sexo e a noite fechada, a cortinas que não deixam passar a lua, e eu já estava nua antes de tuas mãos me tocarem, a pele trêmula e alerta, anticipando o momento em que a frieza da madeira iria morder minha coluna. 

Tua voz é um rosnado baixo contra meu ouvido, ordenando que eu me deite, e eu obedeço, lenta, entregue, abrindo as coxas sobre o tampo gasto e polido.

Me deitas nua, a madeira fria contrasta com meu calor.
Teu pau me invade, meus seios se erguem em desespero, minhas unhas arranham o tampo.
A mesa range, meu corpo explode, o prazer se espalha como vinho derramado.

Teus dedos me penetram, tua boca me suga, meu ventre explode em ondas.
Meus gemidos me libertam, meu corpo se entrega sem medo.
Teus sussurros me enlouquecem, meu gozo se mistura ao teu, meu corpo se arrasta em delírio.
E quando jorras em minha boca, sou tua escrava, sou tua perdição.

Mas ainda não é o fim.
A mesa range novamente quando me viras de bruços, barriga contra a madeira fria, tuas mãos grandes apertam minha cintura e me puxam para trás, para ti, para o teu desejo reavivado.

Penetras-me de uma vez só, fundo e sem piedade, e o ar foge dos meus pulmões em grito abafado contra a madeira.
O ritmo é selvagem, as cadeiras caem ao redor, os pratos da janta de ontem treme na cristaleira, e eu não me importo, eu só quero mais, mais fundo, mais violento, mais de ti.

O suor escorre da tua testa e cai sobre minhas costas arqueadas, pinga na curva das minhas nádegas, mistura-se ao meu próprio fluido quente que desce pelas minhas coxas em rios incontroláveis.
Cada estocada arranca um som novo de mim, um ruído que não reconheço, animal e rouco, que vem do fundo da barriga e explode pela garganta contra a palma da tua mão que me sufoca.
Gozo de novo, mais forte, convulsões que apertam teu sexo em espasmos brutais e famintos, e tu me seguras firme, me puxas para ti, despejas tua carga quente e espessa dentro de mim com um rosnado que sacode o teto.

Tropeçamos juntos para o chão, escorregadios de fluidos e suor, deixando marcas úmidas na madeira, e tu me tomas ali no chão frio, de novo, sem dar trégua, sem deixar que eu recupere o fôlego.
A minha boca está seca de tanto gritar, os lábios rachados, a garganta queimando, mas eu ainda te puxo para dentro, ainda arqueio, ainda imploro com os olhos molhados.

A madrugada nos encontra destruídos sobre o tapete gasto, o corpo marcado pelo tampo da mesa, as costas com contusões roxas, os quadris com digitais profundas, a boceta escorrendo prova do que fizemos.
E quando te vejo se levantar, o pau ainda semi-ereto e brilhante de nós, eu sorrio, lambo os lábios, e abro as pernas de novo, pronta para a próxima rodada, pronta para ser destruída outra vez sobre a mesa de madeira, no chão, contra a parede, em qualquer lugar, desde que seja contigo, apenas contigo, sempre contigo, eterna e insaciavelmente tua.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

NA COZINHA PROIBIDA



A cozinha cheira a café abandonado e a frutas maduras deixadas no balcão, o silêncio da casa adormecida pesa sobre nós como um cobertor espesso de culpa e desejo.
Eu estou de camisola fina, sem nada por baixo, e tu me observas do batente da porta, os olhos escuros percorrendo minhas coxas expostas, a boca seca de antecipação.
A luz fraca da geladeira pisca e ilumina teu peito nu, o suor brilhando na curva do ventre.

Me deitas sobre a mesa, meus seios colados ao frio da pedra.
As estrelas nos observam, mas só nós queimamos.
Me tomas contra o chão, meus seios se erguem ao céu, meus gemidos se espalham pelo ar.
As portas fechadas guardam nosso segredo.
Me tomas contra a parede, meus gemidos abafam o silêncio metálico.

Teu pau me invade, meu corpo se abre em vertigem.
A grama molhada sob minha pele, o vento acaricia meus seios, mas é tua língua que me enlouquece.
Me abro inteira, te recebo sem pudor, meus gemidos se misturam ao canto da noite.
O chão úmido sob minha pele, o cheiro da terra mistura-se ao teu suor.
Me tomas como fera, meus gemidos se tornam gritos, meu corpo explode em luxúria.

Me prendes contra o corrimão, minhas pernas se abrem em desespero.
Tua boca me suga, tua língua me devora, meu corpo se contorce em delírio.
Não há tempo, não há espaço, apenas nós, devorados pela luxúria.
Teu pau me rasga, meus gemidos me libertam, meu corpo se entrega sem medo.
Explodimos juntos, lágrimas e suor se confundem,não há começo nem fim, apenas fogo, apenas loucura, 
apenas nós dois, perdidos no abismo do prazer.

A lua nos observa, mas só nós queimamos.
Me tomas contra o banco, meus gemidos se espalham pelo ar.
O templo vazio, mas nossos corpos em oração.
Me tomas contra a pedra fria, meus gemidos se tornam cânticos.
Mas ainda não é o fim.

A gordura da mesa impregna minhas costas, o azeite derramado escorre pelo balcão, e tu me levantas, me viras, me empurras contra a pia de aço inoxidável frio.
A água da torneira goteja sobre minha pele quente, vapor sobe, confundindo-se com nosso suor, e penetras-me de novo, fundo e brutal, o som de nossas pelvis batendo ecoando nas panelas vazias.
Eu agarro a torneira, os nós dos dedos brancos, o espelho da cozinha refletindo meu rosto contorcido de prazer.
Gozo de novo, líquido quente escorrendo pelas minhas coxas, misturando-se à água e ao suor na pia, e tu me seguras pelo cabelo, puxando minha cabeça para trás, rosnando meu nome como uma blasfêmia sagrada.

Despejas tua carga quente dentro de mim com um espasmo que te dobra ao meu corpo, e caímos juntos no chão de cerâmica fria, entre os restos da janta e o vinho derramado.
A lua continua nos observando pela janela aberta, mas nós não existimos mais, só há carne, sêmen, suor, gozo e a promessa silenciosa de que amanhã, à mesma hora, a cozinha proibida nos engolirá de novo, faminta, insaciável, eterna.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A PONTE DOS TRÊS AMANTES



O vento do fim de tarde cortava a ponte abandonada quando Bia parou no centro exato, os quadris encostados no corrimão enferrujado. O metal rangeu sob o peso dela — um gemido longo que ecoou sobre o rio seco lá embaixo.

Rafa e Leo estavam a três passos de distância, um de cada lado, os olhos medindo o adversário antes mesmo de olharem para ela.

"Você veio", Rafa disse, a voz grave e pausada. As narinas dilataram.

"Eu sempre venho", Bia respondeu.

Leo soltou uma risada curta, o pescoço tenso. "A pergunta é: quem fica?"

Bia mordeu o lábio inferior e sentiu o gosto de ferrugem no ar. Os dois se aproximaram devagar, como se a ponte fosse ceder sob o peso da disputa. Rafa segurou o pulso dela com firmeza, os dedos calejados marcando a pele. Leo roçou os dedos na nuca de Bia, o toque leve e provocativo.

"Essa ponte não é de ninguém", Bia disse, cortando os dois. Tirou a jaqueta de couro dos ombros e espalhou no concreto, entre os pés deles. "E eu quero os dois agora."

Rafa agarrou a nuca de Bia e a puxou para um beijo duro, a língua invadindo a boca dela sem pedir licença. A saliva escorreu pelo queixo de Bia enquanto ela gemia contra os lábios dele.

Leo levantou o cabelo preto curto dela e colou a boca no pescoço, os dentes roçando a pele. Por trás, desceu o sutiã e apertou os seios de Bia com as duas mãos, os polegares pressionando os mamilos.

Bia abriu a calça de Rafa e enfiou a mão, apertando o pau duro. A outra mão puxou Leo pela cintura, abrindo a calça dele também. Rafa abaixou a calça dela até os joelhos. Leo arrancou a calcinha.

Os dois trocaram um olhar sobre o ombro de Bia. A tensão virou cumplicidade.
Bia empurrou os dois para a jaqueta no chão e caiu de joelhos entre eles.

De joelhos sobre a jaqueta de couro, Bia sentiu o concreto frio sob os joelhos, mas o calor que subia pelas coxas apagava qualquer desconforto. Leo estava de pé à sua frente, o pau duro apontado para o rosto dela, a glande roxa e brilhante de pré-gozo. Bia segurou a base com uma mão e lambeu a ponta, sentindo o gosto salgado. 

Depois abriu a boca e engoliu tudo de uma vez, a garganta se fechando em volta do pau até os lábios tocarem os pelos loiros na base. A saliva escorreu pelo queixo enquanto ela estufava a boca, os olhos lacrimejando. Leo gemeu e agarrou o cabelo preto curto dela, a veia no pescoço saltando.

Atrás dela, Rafa se ajoelhou e posicionou a glande na entrada da boceta molhada. Bia sentiu a pressão e empurrou o quadril para trás, oferecendo-se. Rafa enfiou tudo de uma vez, uma estocada funda que arrancou um gemido abafado da boca cheia de Bia. Ele começou um ritmo constante, as mãos calejadas cravadas nos quadris magros dela, os dedos marcando a pele sobre as cicatrizes dos ombros. 

A boceta fremia a cada investida, o suco escorrendo pelas coxas e pingando na jaqueta. O rangido da ponte acompanhava as estocadas de Rafa — um som metálico e antigo que ecoava no vazio sob eles, marcando o ritmo do sexo. Bia gemia alto, a boca cheia vibrando no pau de Leo, enquanto Rafa metia cada vez mais forte.

"Troca", Leo disse, a voz rouca. Ele puxou Bia pelo cabelo e tirou o pau da boca dela. Rafa saiu de dentro e os dois trocaram de posição. Bia se virou e montou em Leo, que estava deitado sobre a jaqueta. Ela segurou o pau dele e sentou devagar, a boceta engolindo cada centímetro até o saco bater na carne. 

Bia gemeu alto, a cabeça jogada para trás, os seios balançando. Leo apertou os quadris dela e começou a meter de baixo. Rafa ficou de pé ao lado, masturbando-se com força, a mão subindo e descendo pelo pau molhado do suco de Bia.

Bia puxou Rafa pela cintura e enfiou o pau dele na boca, sem parar de cavalgar Leo. Agora ela estava cheia dos dois — o pau de Leo enterrado na boceta, o de Rafa na boca. O rangido da ponte ficou mais alto, sincronizado com os três corpos se movendo juntos. 

Bia gozou primeiro, a boceta apertando em espasmos no pau de Leo, o suco escorrendo no saco dele. Rafa gemeu e gozou na cara dela, a porra branca jorrando no queixo, nos seios, escorrendo pelas mamas. Leo gozou dentro, a porra quente enchendo a boceta e vazando pelas bordas, pingando na jaqueta de couro enquanto o rangido da ponte cessava.

Bia deixou a cabeça cair no peito nu de Leo, o coração dele ainda acelerado contra a orelha. Rafa puxou a jaqueta de couro do chão e cobriu os três, a mão encontrando a coxa dela por baixo, os dedos parados ali sem exigir nada. A porra secava nas coxas de Bia, os três corpos suados e grudentos respirando em silêncio. O rangido da ponte voltou baixinho, um gemido de metal cansado. 

Rafa e Leo trocaram um olhar por cima da cabeça dela — sem provocação, só o reconhecimento de quem dividiu o mesmo corpo e sobreviveu. Bia fechou os olhos e sentiu os dois ao mesmo tempo, o peso de Rafa de um lado, o calor de Leo do outro, e não precisou escolher. Rafa murmurou que a ponte aguentou. Leo riu baixo. Bia sorriu com os olhos fechados.




  Cléia Fialho